Loren
Estou sentindo um pouco de falta de ar, e tremendo. Meus Pais estão sentados de frente para mim e preocupados ao me ver como estou e minha mãe fala:
— Minha filha, se for algo que não se sinta bem para contar agora está tudo bem! É tudo no seu tempo.— Minha mãe fala.
— Amor, ela já está pronta! Só precisa respirar um pouco e contar. — Meu pai responde.
— Eu dei muita sorte na vida quando conheci vocês, mas um pouco antes aconteceu algo que eu havia bloqueado em minha mente até ver o que aconteceu com a Laura. Ela estava sendo... Por um monstro. E eu lembrei de mim. Eu só preciso de vocês e do amor de vocês, eu quero bloquear isso novamente e fingir que nunca aconteceu. É o que eu quero.
— Meu Deus, minha filha. Isso está me doendo. Me dói muito. — meu pai fala
— Nossa menininha, você... Vai ficar tudo bem. Vamos cuidar de você e vai ser como antes. Não pense mais nisso, deixe tudo no passado. — Minha mãe comenta me passando apoio.
— É o que eu quero e por isso estou aqui! Eu quero aquelas conversas até tarde, chocolate quente, o bolo que a mamãe faz, as histórias malucas do meu pai. Eu quero ver meus irmãos brigarem pelo pedaço de bolo que fica no prato de vocês, porque vocês comem e acabam sempre deixando alguns pedaços no prato e eles brigam por esses pedaços. Eu quero aquilo que eu tinha quando eu era pequena, porque eu acho que foi aquilo que me ajudou a bloquear essa memória que foi desbloqueada. Quero assistir filmes com vocês e responder a todas as perguntas que o papai faz sobre o filme, mesmo que ele repita as perguntas. Eu só quero afogar a minha mente e não lembrar de mais nada.
— Filha, vamos até o mercado. Estamos sem algumas coisas aqui, na verdade eu estou empurrando desde ontem para ir no mercado. Que tal irmos agora? Fazíamos isso quando você era pequena e você adorava escolher o sabor de sorvete para sua mãe e seus irmãos. Vamos fazer isso de novo? Eu prometo que vai ser divertido.
— Só se eu poder escolher um sabor a mais para comer no mercado igual o senhor deixava antes. — Minha mãe olha para nós dois e o meu pai fala:
— Eu não fazia isso. Eu nunca fiz isso... Querida, ela era pequena deve estar se confundindo. Né, Loren?
— Sim... Vamos logo, pai. — Saímos correndo de casa e minha mãe acertou alguma coisa nas costas do meu pai, sei que foi brincando.
Quando chegamos no mercado meu pai fez o mesmo percurso que fazia comigo quando eu era criança, primeiro fomos no corredor de sucrilhos, depois fomos no corredor de biscoitos e ele sabe que eu amo biscoitos.
Em seguida ele me levou até o lado onde ficam os danones e leite. Depois fomos para a parte dos sorvetes, eu olhei para ele e falei:
— Agora falta o bolo e os negócios para fazer os cachorros quentes e eu também quero chocolate quente, mas eu quero aquele bem cremoso que a mamãe faz com barra de chocolate e leite. Eu quero comer e beber de tudo hoje. Quero me empanturrar de besteira enquanto o senhor conta as histórias maluca que já viveu com a minha mãe. Enquanto um filme qualquer está passando na televisão que nós estamos assistindo e ao mesmo tempo não consegue prestar atenção. Eu preciso disso, preciso esquecer o que aconteceu comigo. Porque parece que dói muito mais quando nós somos adultos.
Quando somos crianças parece que conseguimos esconder melhor a dor. E sendo sincera... Eu estou com muito medo pela Laura, porque estou achando que ela está reagindo muito bem.Tenho medo do estrago que isso vai fazer quando ela estiver com 16 e eu me apeguei a ela... Não importa se a conheço há dois dias. Eu me apeguei, é uma criança maravilhosa, não merece a maldade do mundo.
— Então, você conheceu a Laura quando ela estava... — Meu pai olha para mim, pois não consegue concluir a frase.
— Sim, pai... Não quero falar sobre esse exato momento. Mas eu a peguei em uma situação que eu não queria pegar e eu matei o desgraçado usando um extintor de incêndio. Não me arrependo, para ser sincera. Pai eu estou atrás da pessoa que foi responsável pelo ataque que a Laura sofreu e estou ajudando o Eron a conseguir provas de que esse homem não presta. E depois de descobrir que ele vende crianças, quero a cabeça dele... Não precisa ser uma bandeja de prata não, pode ser num saco preto mesmo. Eu quero que ele morra, uma pessoa capaz de fazer algo assim com criancinhas? Aonde está o coração dele, pai? Se o senhor soubesse como esse homem tem dinheiro, ele não precisa fazer isso com crianças. Na verdade ele não precisa fazer isso com ninguém. Se ele quiser viver o resto da vida dele viajando pelo mundo mesmo que ele morra, ainda vai sobrar muito dinheiro. Pai, eu não entendo esse tipo de ser humano. Eu não consigo entender isso de verdade. Mas eu quero eliminá-los da face da terra, quero fazer eles deixarem de existir. Eu vou proteger a Laura da maldade do mundo enquanto eu estiver viva. Não vou deixar ninguém mais tocar nela. Eu ainda vou trabalhar para o chefão por um tempo. Preciso pagar a dívida que temos com ele, afinal, roubamos dele, né? E ele foi até misericordioso comigo, ouvi muitas histórias dele pela casa e ele não é um tipo de pessoa que é tão bonzinho assim.Mas não importa. Ele é legal comigo, você me conhece... Eu não sou de levar desaforo para casa. Mas nós conseguimos nos entender, sabe pai.
— Será que estou vendo casal à vista?
— Não, claro que não! Pai, ele pode ter a riquinha que quiser. Por que perderia tempo comigo? Vamos terminar essas compras logo. Quero comer sorvete, quero comer de tudo. Vamos ser felizes comendo.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 41
Comments
Anonymous
É uma marca com cicatrizes profundas que nem o tempo consegue apagar na vida de uma pessoa que passou por isso. O pior que acontece muito por aí, inclusive com pessoas próximas que deviam proteger e cometem esse ato.
2025-01-27
0
Elisabete Correia
a Loren é muito forte.....por todo trauma que passou ainda tem equilíbrio pra fazer algo de bom e gosto da frieza dela
2025-01-25
0
Arlete Fernandes
Ela sofreu imbicado quando era criança também que horror!!
2025-01-25
0