Na segunda-feira não haveria aula. Somente reuniões administrativa e pedagógica. Eu aproveitava essas reuniões para adiantar o trabalho com os diários, planejamentos. E sempre sobrava um tempo para bate papo com os colegas. Emília percebeu que eu estava distante e não participava das brincadeiras.
_ O que aconteceu com você? O encontro com a família do Paulo foi tão ruim assim?
_ Não foi um terror. Mas também não foi como eu esperava. E contou tudo.
_ Bella, eu entendo você. E estou perplexa com o senhor Alberto. Nunca poderia imaginar que ele é ranzinza. Conheço muitas pessoas assim. Mas você não está sendo muito dura com o Paulo?
_ A minha mãe disse a mesma coisa. Mas eu não consigo aceitar esse papel submisso dele em relação ao pai. Paulo é adulto. Mas ontem eu o vi como um adolescente amedrontado pego pelo pai.
_ Talvez porque você não quer namorar um cara mais novo, mas está apaixonada e ao mesmo tempo sente que está indo contra os seus princípios de não namorar homem mais novo, Bella.
_ Aí estou procurando motivos para terminar o namoro?
_ Eu acho que sim. Diga a verdade. Você está apaixonada por ele?
_ Estou. Por mais que eu queira fugir, não consigo parar de pensar nele.
_ Então minha amiga, não fuja. Converse com ele. Exponha os seus medos e também as suas vontades, ou seja, diga a ele que não concorda com esse comportamento dele. Para ele definir a prioridade dele.
_ Emília, eu não quero que ele se volte contra o pai. Eu só quero que ele se comporte com firmeza.
_ Diga isso a ele. Aproveite que ele está ali no portão.
Eu olhei e o vi no portão da escola, conversando com o porteiro. Não consegui evitar as batidas aceleradas do meu coração.
_ A reunião ainda não acabou. Ele que espere.
_ Já terminou sim. Pode ir.
_ Eu...
_ Vá agora Bella. Eu sei que você já terminou aa tarefas. Pode ir.
Eu sabia que não adiantava discutir com a Emília. Ela era terrível quando decidia. Despedi- me dela e fui para o portão. Ele abriu um sorriso iluminado quando me viu. Ao aproximar-se de mim, veio me dar um beijo na bochecha e eu recusei.
_ O que está fazendo aqui, Paulo?
_ Até parece que não sabe. Vim buscar a minha namorada.
_ O seu pai deixou?_ Perguntei com uma voz dura.
_ Bella, não faça isso. Vamos conversar. Podemos ir beber um suco?
_ Não sei. Podemos?
Ele olhou para mim, pegou a minha mão e me puxou para o carro. Eu não resisti. Fomos para o mesmo barzinho da primeira vez que saímos. Depois que fizemos o pedido, ele pegou a minha mão por cima da mesa, deu um beijo nela e sorriu.
_ Minha Bella, me perdoe por ser tão idiota. Eu realmente fui um imbecil. Eu fiz tudo errado. Devia ter te buscado e principalmente ter aproveitado o domingo com você. Eu quase apanhei da minha mãe quando ela viu que você tinha ido embora e eu estava feito uma estátua na garagem.
_ Então é por isso que veio me procurar? Medo de apanhar?
_ Não. Eu queria ter ido ontem. Mas a sua mãe disse que você não queria nem falar comigo. Ela aconselhou-me a esperar até hoje.
_ Paulo, eu só tenho uma pergunta.
_ Pergunte o que quiser.
_ Se o seu pai disser que não quer o nosso namoro, o que você fará?
_ uma pergunta fácil, Bella. Mandá-lo catar coquinhos.
_ Fala sério, por favor.
_ Estou falando. Eu não sou criança Bella. Ontem eu apenas quis evitar discussões desnecessárias na sua frente. Eu vi você feliz com a minha mãe e minhas irmãs e tive a infeliz ideia de começar a arrumar. Eu entendi a raiva que você sentiu porque eu também senti quando vi você dentro do táxi. Eu tive vontade de bater em mim. E a minha mãe também teve. Ela quase bateu no meu pai. E eu torci para ela bater.
_ O seu pai é bipolar?
_ Não sei. Se ele é, ninguém me disse. Ele deve ser. Quando está de bom humor é agradável com todos e até chato, pois inventa de contar piadas idiotas.
_ Então ontem ele estava só mal humorado. Está resolvido a enfrentar o seu pai se ele for contra o nosso namoro?
_ Com certeza. Ele não tem esse poder sobre mim. Trabalho com ele, tenho respeito por ser o meu pai. Mas não admito que ele decida por mim.
_ Veja bem, Paulo. Eu não quero que você se indisponha com o seu pai. Não quero ser motivo de brigas entre vocês.
_ E você não é. O comportamento dele de ontem não tem nada a ver com você Bella. Acredite. Não deixe que a primeira impressão que ele causou impeça o nosso namoro. Eu estou apaixonado por você. Só penso em você.
_ Eu também Paulo. Estou apaixonada por você. Quero estar ao seu lado sempre. Mas eu preciso que você defina a sua prioridade. Se é obedecer o seu pai ou ser dono de suas atitudes
_ Eu sou dono da minha vida. E a minha vida ganhou um novo significado assim que a vi.
Ele colocou a sua cadeira perto de mim, aproximou-se de meus lábios e selou com um beijo intenso.
O nosso namoro se fortaleceu. Estava tão apaixonada que muitas vezes sonhava acordada com um futuro junto com Paulo.
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Atualizado até capítulo 71
Comments
Maria Ines Santos Ferreira
estranha essa história,ela dramática, enfim ia casar ia separar, cadê
2025-03-30
0
Márcia Silva
parabéns autora, por abordar um assunto cada vez mais frequente por mais que pareça que não, existem muitos pais assim, dominadores, querem continuar no controle da vida dos filhos mesmo quando eles já são adultos e trabalham.
2024-02-23
3