No dia marcado de conhecer os pais de Paulo, ele ligou para a minha casa e pediu que eu fosse de táxi, pois ele estava ajudando a sua mãe. Eu estranhei e se estava nervosa, a minha ansiedade aumentou. Quando cheguei à casa deles, fui muito bem recebida pela Vânia, mãe dele. Ela realmente era o que Paulo disse. Era alegre, brincalhona e foi logo se desculpando por ter segurado o filho e me deixou à vontade.
_ Oi querida. Peço desculpas por ter impedido Paulo de ir buscar-lhe. Mas ele é o meu melhor ajudante na cozinha e eu não queria atrasar o almoço.
_ Tudo bem. Eu confesso que fiquei um pouco receosa e pensei que era uma desculpa.
_ Venha, deixe- me apresentá-la a todos. O meu marido você já conhece.
_ Bom dia senhor Alberto_ ele olhou para mim e apenas acenou a cabeça sem responder e continuou com o semblante fechado _ sou Izabella. O senhor me conhece da escola.
Vânia simplesmente me puxou pela mão e me apresentou as filhas.
_ Essas são Liliane, Giane e Maria Lúcia. Elas me abraçaram sorrindo. Em seguida fomos almoçar. Assim que terminou, Alberto olhou feio para Paulo.
_ Você disse que iria arrumar a garagem hoje. Então arrume.
_ Tenha dó, Alberto. Hoje é um dia especial. Paulo sabe de suas obrigações. Ele poderá arrumar amanhã_ e olhou para ele com um olhar furioso e eficaz.
Alberto saiu da mesa sem pedir licença, com toda a falta de respeito.
_ Peço desculpas em nome desse ogro, Izabella. Ele amanheceu rabugento.
_ Que dia que o nosso pai não está rabugento mãe _ perguntou Maria Lúcia rindo_ não ligue, Iza. Ele é assim todo dia e com todo mundo. Depois melhora com umas cachaças.
Eu dei um sorriso tímido e estranhei muito esse comportamento do senhor Alberto. Era tão gentil e risonho ao vender os doces na escola. Eu tive a certeza que ele não ficou feliz ao saber que o seu filho estava assumindo o namoro comigo.
Depois do almoço ficamos conversando e jogando cartas. Rimos muito. Dei falta de Paulo e quando o procurei, ele estava na garagem, sem camisa, arrumando prateleiras.
_ A sua mãe disse que você poderia arrumar amanhã. Tem medo do seu pai?
_ Oi Bella. Claro que não. Mas amanhã eu tenho uma rota enorme para entregar doces. E realmente eu prometi que faria isso.
_ Quando você prometeu já tinha me convidado?
_ Não. Eu pensei que você estava se divertindo e resolvi adiantar.
_ Então eu vou embora. Assim você terá mais tempo para obedecer as ordens do seu pai.
_ Você está zangada?
_ Um pouco desapontada. Sabe como fiquei nervosa ao vir sozinha conhecer a sua família. A sua mãe e irmãs são ótimas e realmente me receberam bem. Mas é óbvio que o seu pai não aprovou. E você claramente busca a aprovação dele.
_ Não é nada disso. Eu disse a você a verdade. A minha mãe queria preparar um almoço especial e me pediu ajuda para dar as dicas do que você gosta, e também para preparar os pratos.
_ Até aí eu entendo, mesmo preferindo que você tivesse tomado a decisão de me buscar. Sabia que eu estava nervosa e o normal é o namorado buscar a namorada para conhecer os pais. Mas a sua mãe realmente me acolheu com sinceridade e eu sei que ela gostou de mim.
_ O meu pai é assim mesmo. Ele mudará de atitude quando a conhecer melhor.
_ Eu não ligo a mínima se o seu pai me aprova ou não, Paulo.
_ Então por que essa bronca, meu bem?
_ Porque estou vendo que você é o filhinho do papai que sempre pensei. No sentido de ter que agradar para ser reconhecido.
_ Não é isso, Bella. Vou parar a arrumação e vamos ficar juntos.
_ Não precisa. Está na hora de ir embora. Tenho provas para corrigir. Eu não quero que deixe de fazer o que o seu pai mandou. Não para me agradar.
_ Bella, eu achei que você estava se divertindo e por isso vim. Não significa que não posso parar agora.
_ Eu não quero que você pare agora.
Ele olhou para mim com cara de desentendido.
_ Então por que está falando num tom zangado?
_ Talvez porque eu estou zangada. O seu pai foi totalmente mal educado comigo. Ao repreender você, quem justificou foi a sua mãe. Me diga, Paulo. Isso é maturidade?
_ Bella, o meu pai é rabugento. Eu a avisei. Mas ele vai melhorar assim que a conhecer melhor.
_ Não é sobre ele ser rabugento. É sobre o fato de você não se posicionar de forma adulta perante ele.
_ Você também precisa da autorização da sua mãe, Bella.
_ Está maluco? Não preciso. Eu não pedi a autorização dela para aceitar o seu pedido. Eu respeito a minha mãe, que sempre foi rígida. Mas ela o tratou com educação. Quando conversei com ela sobre você, ela só deu conselhos. É bem diferente.
_ E se a sua mãe não aceitasse o nosso namoro?
_ Ela não tem esse direito. Já namorei sem ela gostar dos respectivos namorados. Mas nunca pedi a permissão dela. Até porque só namorei depois de adulta.
_ Eu ainda não entendi essa atitude sua. Apenas quis adiantar a arrumação. Resolvi porque vi você se divertindo com as minhas irmãs.
_ Pelo que vi é só você que tem obrigações aqui. Ajudar a preparar o almoço. Arrumar a garagem. Quem lavou as louças foi a sua mãe com a minha ajuda. As suas irmãs ficaram de boa no sofá.
_ Bella, onde você está querendo chegar? Quer brigar no primeiro dia que vem à minha casa?
_ Não. Por isso estou indo embora. Eu queria passar um domingo com você. E não com a sua mãe e irmãs.
_ Eu vou tomar um banho e a gente sai.
_ De jeito nenhum. Eu vim de táxi e já pedi outro. Agradeça a sua mãe por tudo. O meu táxi chegou.
Eu me virei rapidamente e entrei no táxi antes que Paulo pudesse fazer alguma coisa.
_ Bella, não vá.
_ Tchau Paulo. Gostei muito da comida da sua mãe.
Mandei o táxi partir e olhei para trás. Vi que Paulo ficou estático olhando o carro se afastando.
Cheguei em casa triste e muito furiosa. Eu sabia que era um erro desde o início. A minha mãe tinha feito rosca e ficou surpresa quando me viu voltar de táxi, sozinha.
_ Oi filha. Achei que viria com o Paulo. Até fiz rosca para o lanche.
_ Ainda bem. Estou com fome. Vamos comer.
_ Como foi lá? Os pais dele não a receberam bem?
Peguei um pedaço de rosca, e contei tudo o que aconteceu. A minha mãe, que devo admitir ser um pouco implicante, já mostrou a sua antipatia pelo pai do Paulo.
_ Você disse que ele era um homem brincalhão.
_ Sim, mãe. Quando o recebia na escola, era totalmente diferente do homem de hoje.
_ Pelo visto não aprova você como namorada do filho.
_ Não acho que seja isso. Pelo que a mãe e as irmãs falaram ele é assim com todos.
_ Então por que brigou com o Paulo?
_ Porque ele o obedeceu como se fosse uma criança. E vi que fez isso para ter a admiração do pai.
_ Filha, talvez é porque ele é um bom filho. Ele não veio te buscar porque quis ajudar a mãe. Isso não te aborreceu?
_ Um pouco. Mas quando eu cheguei lá a Vânia demonstrou sinceridade e tratou-me muito bem. Até pediu desculpas por ter pedido a ajuda do filho. Mas eu entendi que ela queria agradar-me e quis a ajuda do Paulo para saber mais dos meus gostos.
_ É verdade. Mas Bella. Eu disse que você teria que enfrentar algumas barreiras. Pelo que me diz, a barreira é o pai dele. Pense se vale a pena. Eu gosto do Paulo. As suas atitudes mostram que é um bom filho. E você está irritada porque inconscientemente o compara com os seus irmãos, que ao contrário dele, não são tão cuidadosos comigo.
_ A senhora pode estar certa. Mas eu estou com raiva agora. Tenho provas para corrigir. Se o Paulo ligar, diga que não adianta insistir.
Fui para o quarto, peguei a montanha de provas e comecei a avaliar. Eu sei que ele ligou mais de uma vez. Ouvi a minha mãe dizer a ele. Mas eu não parei o que estava fazendo. Terminei de corrigir as provas e fui dormir.
(Vânia, 50 anos. Mãe de Paulo)
(Alberto, 57 anos, pai de Paulo)
(Liliane, 25 anos, Giane,17 anos e Maria Lúcia, 15 anos. Irmãs de Paulo)
(Cleiton, 23 anos. Irmão de Paulo.)
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Atualizado até capítulo 71
Comments
Erlete Rodrigues
de verdade eu não entendi a raiva dela
2025-02-04
0
Barbara Gonçalves de Oliveira
Bela, Bela, você também está se mostrando bem sem noção, é só ajudar ele a arrumar a garagem, problema resolvido, aí fica discutindo sem razão 😕
2025-01-11
2
galega manhosa
familia grandes
2024-03-23
2