Os dias seguiram com a mesma rotina. Paulo sempre procurava um motivo para ir até a escola e assim sempre me oferecia carona até em casa. Eu sempre recusava os seus convites para sair. Emília não se conformava e insistia no assunto.
_ Bella, é óbvio que o Paulo está caidinho por você. Por que se recusa a sair com ele?
_ Emília, eu não quero ser uma iludida a mais na lista de um playboy.
_ Mas ele não é. Trabalha muito e é um gato.
_ Ele é bonito sim. Até demais. Homem bonito dá trabalho. E ele é mais novo do que eu.
_ Ah não! Tenha dó. Invente outra desculpa. Você não é nenhuma idosa. E não é careta assim. Lembra do Francisco?
_ Sim. E o que deu?
_ Ele é um babaca. Mas é lindo e ficou doidinho com você.
_ Até que eu disse não quando queria me levar para um motel.
_ Paulo já te cantou dessa forma?
_Não. Mas eu não dou brecha.
_ Você poderia ao menos tentar conhecê-lo melhor. Eu sei que você pode e quer isso. Aceita a carona todo dia. E Paulo vem aqui só para isso.
_ Eu não peço carona. Admito que é muito bom. Mas...
_Mas tem medo da sua mãe ainda. Fale a verdade.
_ Não preciso de ter medo. Ela sabe que eu só pego carona com ele.
_ Mas ela sabe que ele está interessado em você e que vem aqui só para te levar?
_ Deixa de ser chata. Tá bom. Vou pensar em aceitar um encontro.
_ Isso garota.
Quando eu saio o vejo encostado no carro me esperando. Deve ser por causa da conversa com a Emília, mas sinto algo diferente. Até o meu coração acelera.
_ Oi Paulo. Não precisa me dizer. Já sei que estava passando por aqui e pensou em dar uma carona para uma pobre professora.
_ Isso mesmo, Bella.
_ Engraçado você me chamar assim.
_Algum problema?
_ Não. Está tudo bem.
_ Emília não vai agora?
_ Hoje ela vai mais tarde. Ela está deixando a documentação organizada, pois no ano que vem ela não estará aqui.
_ E você também não.
_Se Deus quiser. Eu amo os meus alunos, mas irei começar a faculdade e preciso de uma escola mais perto.
_ Eu quero saber como eu ficarei nessa história.
_ Com certeza a nova diretora continuará a pegar doces com você.
_Mas o doce que eu quero não estará mais aqui.
_ Paulo, deixa de ser brincalhão.
_ Hoje é sexta-feira. Que tal a gente ir à um barzinho antes de levá-la para casa?
Ela pensou em recusar. Mas ele estava com um brilho nos olhos e um sorriso cativante.
_ Está bem. Mas não ficarei até tarde. E preciso avisar a minha mãe.
_ Não acredito que você aceitou. Hoje é o meu dia de sorte. Eu conheço um barzinho bem frequentado. Lá você poderá usar o telefone.
Ele colocou uma música da Rita Lee. E nós fomos cantando para o barzinho. Era um bar bonito, no bairro Cidade Nova. Eu me arrependi pois não estava com roupas apropriadas.
_ Paulo, esse bar é para pessoas ricas. Olha como estou vestida.
_ Você está linda. Do jeito que eu gosto. E esse bar é para todos que gostam de boa música.
Ele me conduziu até uma mesa e pediu ao garçom que trouxesse o telefone. Depois de ligar para a minha mãe, fui ao toalete. Arrumei o cabelo e passei um batom. Quando voltei Paulo estava conversando com uma mulher linda.
_ Bella, deixe apresentar-lhe Rosana. Ela é uma amiga. Fomos vizinhos por um tempo.
_ Prazer_ Digo, tentando não encará-la _ eu sou Izabella.
_ Oi, o prazer é meu. Desculpe mas eu estava de saída. Tchau Paulo. Depois me liga. E se foi sem despedir de mim.
_ Amiga? Tem certeza?
_ Está com ciúmes, Bella?
_ Eu? Claro que não!
_ Não é o que parece. Ela é uma amiga.
_ você não consegue mentir melhor?
_ Está bem. Nós namoramos por um tempo. Mas não durou muito. Ela se tornou inconveniente.
_ De que forma?
_ Possessiva e grudenta.
_ Você fala isso de todas as suas ex namoradas?
_ Não. Ela me aborreceu demais.O que você vai beber?
_ Suco de laranja.
_ Gosta de carne?
_ Sim. Mas não peça algo que demore.
_ Isso tudo é fome ou pressa de se livrar de mim?
_ Um pouco de fome e muito cansaço. Não preciso usar subterfúgios para me livrar de você.
_ Então não quer se livrar de mim?
_ Ih! Você entendeu.
_ Bella, agora é sério. Eu não consigo tirar você da minha cabeça. Você mexe comigo de um jeito que nenhuma outra conseguiu.
_ Paulo...
_ Não. Deixe-me dizer tudo. Desde o primeiro dia que a vi senti um tremor, o meu coração acelerou. Eu fui fisgado.
_ Tenho certeza que você fala isso para todas.
_ Nunca falei para nenhuma. Você virou o meu mundo de ponta a cabeça.
_ Eu não fiz nada.
_ Por que é tão arredia? Seja sincera. Você gosta de alguém?
_ Não. Eu só não serei mais uma na sua lista enorme de conquistas.
_ Ela nem é tão grande _ brinca ele, mas o olhar está sério _ eu não sou o playboy que você certamente já me rotulou. Eu realmente saí com muitas mulheres. Mas nunca senti o que estou sentindo por você.
_ Paulo, eu peço desculpas porque já o chamei de playboy. Mas não no sentido de filhinho de papai, porque você trabalha muito. Mas sim porque é muito jovem.
_ Eu não sabia que é errado ser jovem.
_ Não é. Acredite que é muito bom.
_ E também não sabia que você é idosa.
_ E eu não sou. Mas sou Maia velha que você.
_ E daí?
_ E daí que eu não curto esse lance de namorar homem mais novo.
_ Meu Deus! Quantos anos você tem, Bella?
_ É falta de educação perguntar a idade de uma dama.
_ Eu sei a sua idade. Você tem 28 anos.
_ Como sabe?
_ Emília me disse depois que praticamente a ameacei contar pata todo mundo que ela estava conversando sozinha.
_ Kkkkkkk. Ela faz isso. E eu também. Acho que é coisa de professora.
_ Então senhorinha. Esquece essa bobagem e aceite ser a minha namorada.
Eu engasguei feio com o suco ao ouvir Paulo fazer a proposta com um murmúrio no meu ouvido. Senti um calor na bochecha e sabia que estava vermelha.
_ Você fica mais linda vermelhinha_ fala ele com um sorriso malicioso.
_ Você só pode estar brincando.
_ Não estou. Se quiser que eu fale com a sua mãe, é só marcar o dia. Peça a ela para fazer roscas de novo.
_ Eu não vivo num convento. Não há necessidade de pedir permissão.
_ Mas eu quero ir à sua casa e comer aquela rosca que a sua mãe me deu.
_ Está vendo? Você leva tudo na brincadeira.
_ Não estou brincando, Bella. Estou tentando mostrar-lhe que faço o que você quiser. Só aceite ser a minha namorada.
_ Prometo que vou pensar com carinho.
_ Você ainda precisa pensar? Não sente nada por mim?
_ Paulo, eu não sei exatamente o que sinto. Mas eu preciso pensar e conversar com a minha mãe.
_ Não me diga que você pede permissão para a sua mãe ainda?
_Não. Mas eu converso tudo com ela. E se você não se importa, quero ir embora. Estou muito cansada.
Paulo pagou a conta e fomos para o carro. Quando estávamos na esquina, ele parou o carro, colocou a música da banda Engenheiros do Havai, " Era um garoto" e antes que eu fizesse algo ele se apossou da minha boca. O nosso primeiro beijo foi um turbilhão de emoções. Eu soube ali que estava apaixonada.
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Atualizado até capítulo 71
Comments
Erlete Rodrigues
vamos lá
2025-01-28
1
Vanildo Campos
❤️❤️❤️❤️💕💕💕💕💕💕🙄🙄🙄🙄
2024-12-20
0