KILIAN...
Chego ao hotel e vou direto para o meu quarto, me jogo na cama, como pude me deixar levar dessa forma? Ela está noiva, Kilian! Não foi essa a educação que a dona Angel e o senhor Lorenzo te deram! O meu celular toca, é a Joe, reviro os olhos e atendo.
— Fala.
— Que bicho te mordeu?
— Nenhum... Aconteceu alguma coisa?
— Não... Que dia você volta? Daqui duas semanas é o aniversário do Brenno, você vai estar aqui no dia?
— Claro que sim. Não perderia por nada. A mamãe pediu que eu ficasse mais alguns dias, mas... Acho que só vou ficar o prazo que eu estava pensando mesmo.
— Quem é ela? — pego o celular que estava jogado na cama com a câmera para o teto e encaro a minha irmã gêmea.
— O que disse?
— Quem é ela?
— Não sei do que você está falando — coloco o celular de volta na cama.
— Kilian, eu dividi a barriga da nossa mãe com você, eu te conheço como ninguém, seu ba.baca. O aniversário do Brenno é só no mês que vem, Kill, e a última vez que você ficou tão distraído assim foi no dia que conheceu a Melayne. Então desembucha, quem é a sortuda?
— Ela está noiva... Essa história de encontrar um amor não é pra mim. Meu primeiro relacionamento, ganhei um par de chifre, o segundo, fiquei viúvo antes mesmo de casar. E agora... Encontro uma pessoa que me interessou, mas é noiva. Desisto! Acho que vou virar padre, ainda dá tempo, não é?
— Tenho certeza que não... Você não é mais virgem.
— Você não sabe disso...
— Ah, jura?! Você me contou sobre a sua primeira vez no nosso aniversário de 18 anos, Kilian. Foi até com aquela sonsa da Kate.
— Tá bom, já entendi, Joe. Agora me fala, o que você quer me ligando? A mamãe já me ligou hoje.
— Só queria saber como você estava... Sinto sua falta, Kill...
— Eu sei... Eu também sinto a sua, Joe.
Ficamos conversando por mais alguns minutos, e logo eu desligo. Decido ir almoçar em algum restaurante, então tomo um banho para tirar o sal do mar, e saio do hotel, pego o carro que aluguei, pois seria mais caro se eu fosse pagar Uber todos os dias, até o hospital.
A minha tarde foi de bobeira pela cidade, quando cheguei ao hotel, já estava anoitecendo, assim que pisei no salão do restaurante para escolher uma mesa, encontro a moça da praia sentada no mesmo lugar de, de manhã. Ela me vê antes que eu dê meia volta.
O sorriso que ela abre para mim, é enorme, Deus... Eu juro que estou tentando, mas ela está complicando o meu lado. Ela se levanta e vem até mim.
— Oi Kilian. Você saiu antes que eu agradecesse pelo gelo... Nem sequer lhe disse o meu nome — respiro fundo e desvio o olhar para a sua mão, mas não vejo mais o anel no seu dedo — não estou noiva — ela fala lendo os meus pensamentos — é uma herança de família, o meu avô me deu antes de eu vir para cá... Notei que você ficou diferente depois que viu o anel, mas antes que eu lhe explicasse, você saiu.
— Não precisa se explicar...
— Meu nome é Maya — ela fala com um sorriso encantador — então aceite pelo menos, jantar comigo. Para agradecer por me salvar.
É impossível não aceitar, então apenas a acompanho até a mesa que ela estava antes de vir até mim. Me sento a sua frente e logo um garçom vem até nós.
— Já escolheu, senhorita?
— Já, vou querer um Boeuf Bourguignon com Ratatouille — levanto uma sobrancelha enquanto leio o menu, ela pediu um prato completamente francês.
— E o senhor? — levanto o olhar e olho para o menu outra vez.
— Pode ser Pappardelle com Ragu de Ossobuco — agora é a vez dela levantar uma sobrancelha.
— Algo para beber?
— Pode ser um vinho? — pergunto a ela que assente — pode trazer um Valvirginio Vermentino — o garçom assente e sai a Maya está me olhando estranho — aconteceu alguma coisa?
— Esse vinho custa uma fortuna...
— Era o único que prestava, desse menu. Acredite, eu conheço vinhos.
— Eu não costumo beber... Então... Vou acreditar no seu conhecimento.
Dou um sorriso curto para ela.
— Como está o pé? — pergunto tentando puxar assunto.
— Está bem, depois que coloquei o gelo ele melhorou bastante. Obrigada... De verdade. Acho que fora os meus irmãos, você foi o único homem em bastante tempo, que me ajudou de alguma forma... — ela tem o olhar anuviado — você não é francês, é? — dou uma risadinha.
— Não, na verdade eu sou americano. Tenho família em vários países, por isso eu meio que sou tão fluente.
— Vários países? Quais? — o olhar dela é de quem está interessada em me conhecer, então...
— França, Itália, Rússia, Portugal... Mas tenho alguns amigos espanhóis também, então o meu leque de idiomas é bem... Amplo.
Ela está com um sorriso enorme no rosto, o que me faz sentir um pouco mais a vontade.
— E você? Francesa, certo?
— Sim... É a minha primeira viagem internacional, que por um acaso também é a primeira vez que viajo sozinha... — ela murcha um pouco o sorriso — foi um presente... Por isso vim. Digamos que a minha família é um pouco superprotetora e... Depois do que me aconteceu alguns meses atrás, eles tentaram me animar com essa viagem.
Fico observando o seu rosto, ela é como um lago transparente ao mesmo tempo que parece uma fortaleza impenetrável. O nosso jantar chegou em meio a nossa conversa, o que não nos impediu de continuar o papo.
Quando o vinho já estava pela metade, resolvemos fechar a conta e dar um passeio pela praia. Ela parecia uma criança que vem a praia primeira vez, corria e ria jogando os braços para o ar, a sua risada era apaixonante... Contagiante. Era impossível não ficar encantado com ela.
Ela parecia uma sereia... E o seu olhar, a sua risada... Era o canto que me enfeitiçara e a cada minuto que se passava, mais sedento por desbravar esse sentimento, eu ficava.
Não sei se irei conseguir curar a minha mente e coração com essa viagem, penso que talvez... Talvez eu saia desse país quente com mais um motivo para buscar a minha cura.
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Atualizado até capítulo 66
Comments
Vó Ném
Foi lindo o diálogo deles!!!
2025-03-19
1
Anatalice Rodrigues
Gostei 👍 do diálogo de conhecimento dos dois.
2025-02-07
4
Laura Boloko
Levando a consigo 🤭🤭🤭
2024-12-14
1