KILIAN...
Faz 20 dias que estou no Brasil. Anteontem o Pedro recebeu alta, e nunca me senti tão feliz como esse dia, ver a felicidade nos olhinhos dele me deixou com o peito aquecido.
Não estou tendo as férias mais divertidas do mundo, mas estou fazendo o que eu amo, então já está valendo. Hoje o diretor do hospital passou para a minha conta, a minha parte do valor da cirurgia, foi um pouco mais do que imaginei que receberia, até questionei a ele o motivo de tal valor, e ele me respondeu que a família do Pedro quem pagou cada centavo.
Estou deitado na cama aqui do hotel onde estou hospedado, escolhi um dos melhores da cidade, não por vaidade, mas por ser com vista para a praia, eu gosto dessa tranquilidade, da brisa que entra pela janela a noite.
Ouço o meu celular tocar, quando encontro ele, vejo ser a minha mãe ligando, abro um sorriso no mesmo instante.
— Bom dia, dona Angel.
— Bom dia, meu filhinho lindo.
— Mãe... Filhinho? Sério? Quantos anos eu tenho, três?
— Quase trinta... Estou me sentindo velha... — dou risada em ver o drama da minha mãe — Como estão as coisas aí? O menininho já está bem?
— Sim, mãe. Está tudo muito bem por aqui. O Pedro recebeu alta anteontem.
— Está aproveitando as suas férias, filho? — noto a preocupação na voz dela.
— Estou sim, mãezinha. Ontem até dei um passeio pela praia.
A minha mãe fica olhando para mim como se tentasse acreditar nas minhas palavras. Essa mulher lê até a minha alma quando me encara com esses olhos castanhos.
— O que tanto está pensando, dona Angel? Sabe que esse seu olhar de quem está lendo a minha alma, eu conheço bem, né? — ela respira fundo e se afasta um pouco de onde está, vejo quando ela se senta encostada no peito do meu pai.
— Eu me preocupo com você, filho... Esses últimos meses foram doloridos para mim. Te ver se afastar da família, e se perder em meio a sua dor... — ela para e vejo o meu pai fazer carinho nela.
— Queremos que você aproveite a sua juventude, filho — o meu pai fala — que não se prenda apenas ao luto. Busque viver como a Mel gostaria... Nós também sentimos a falta dela, ela tinha uma alegria contagiante e coloria os seus dias — agora é a minha vez de respirar fundo.
— Se permita viver, filho... Nem que por alguns dias. Pode ficar quantos dias mais, quiser. O hospital vai conseguir sobreviver sem você por mais um tempinho...
Assinto, porque, mesmo os meus pais estando a milhares de quilômetros de distância, e eu ser dono da minha vida... Eles são os meus pais, e eu já fui negligente o suficiente, durante sete longos meses...
— Vou andar um pouco, pelo calçadão, o sol hoje está um pouco escondido — eles abrem um sorriso para mim e logo desligam.
Eu levanto da cama, por mais que queira ficar o dia todo aqui, tomo um banho calmo, e desço para tomar café no hotel. Vejo de onde estou, uma moça muito bonita, tomando café e observando o mar, pela janela do hotel, ela parece estar absorta em pensamentos.
Fico apenas observando ela, com curiosidade, e não... Secando ela. Pois, por mais que ela seja linda, vejo um anel no seu dedo anelar, pela delicadeza e forma como ela sempre acaricia ele, parece ser um anel de noivado.
Ela termina o café antes de mim, então disfarço o olhar um pouco, quando o garçom traz o meu pedido, ela vem na minha direção, e a intensidade do olhar que ela lança na minha direção, me causa arrepios, ficamos presos nesse pequeno instante, que pareceu uma eternidade.
Os seus olhos me prendem, e até esqueço como se respira. Quando ela passa por mim, o seu perfume doce me deixa hipnotizado, é tão suave, tão... Feminino. Espero ela passar, para olhar para trás, não olho para a sua bun.da, como muitos ta.rados, principalmente porque, na hora em que me viro, ela também vira, e mais uma vez o seu olhar me cativa.
Quando ela sai do meu campo de visão, abro um sorriso largo, tomo o meu café, e só então vou para o calçadão, o sol acabou tomando o lugar das nuvens que antes cobriam o céu, então fui para a praia, procurei um lugar onde pudesse deixar as minhas roupas com o celular, e o meu aparelho, e entrei na água, que embora parecesse fervente, estava numa temperatura deliciosa.
Não ouço sem o aparelho, mas sinto a água relaxar todo o meu corpo, nado um pouco, mas quando estou saindo da água, vejo uma coisa que faz o meu peito disparar. A moça que estava no restaurante do hospital, está nesse momento, se afogando, então sem nem pensar muito, apenas nado até onde ela está.
— Segure em mim.
Falo passando as mãos por baixo das suas pernas e pegando ela nos meus braços. Ela já está aparentemente, sem ar, então sem nem esperar muito, a coloco na areia e tento fazer os primeiros socorros, que é apertar o seu peito.
Aos poucos ela começa a cuspir água, então a coloco sentada, ela olha para mim e noto que a sua pupila dilata. Ela mexe os lábios falando alguma coisa, mas como não estou com o aparelho, não ouço o que ela diz, tento decifrar o que ela diz e noto ser francês.
— Não consigo te ouvir, estou sem o meu aparelho auditivo.
Ela me olha com curiosidade, por eu ter falo em francês com ela, por mais que eu não tenha ouvido a minha voz, a sua reação me fez entender que o que falei, foi exatamente o que pensei.
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Atualizado até capítulo 66
Comments
Vilma Pereira
E aí o cupido já entrou em ação
2025-02-21
1
Lélia Braga
o meu filho perdeu aos 23 anos ficou arasado entrou em depressão foi muito difícil hoje ele 29 anos hoje usa aparelho de alta definição e só pode conversar com olhada pra ele pois ele faz leitura labial
2024-12-22
2
Vó Ném
Foram fechados pelo cupido!!💘💘💘💘💘💘💘💘💘💘
2025-03-19
1