Frida e Aroldo estavam encabulados por estarem participando de uma discussão de algo tão íntimo entre os dois, algo tão sério, que a atmosfera estava pesada e elas nem conseguiram comer.
— Podemos resolver o nosso passado. Eu sei o que fiz e quero corrigir. Acho que devemos nos casar. — continuou Carson.
Foi a gota d'água para Gina, que sem pensar, levantou-se e saiu. Passou pela recepção e avisou que os outros pagariam a conta. Frida viu a amiga ir embora e levantou-se também, mas antes de sair, falou para Carson:
— Tu é um cretino, cara!
Ela deixou a conta para ele pagar, já que havia estragado o almoço e correu para encontrar Gina no estacionamento, pois vieram no carro dela. Chamou:
— Ei, amiga, espere, estou indo também.
Entrou no.lugar do carona, fechou a porta e disse:
— Sinto muito.
— Não sinta, você não tem culpa, ele que é um cretino.
— Acabamos não comendo e estou com fome.
— Que tal um frango frito.
— Ou um churrasquinho.
No restaurante, Aroldo perguntou, pegando a refeição de Frida para si:
— Por quê você agiu desse jeito com ela?
— Quero saber como ela está,para poder tentar conquistá-la. — disse Carson, sendo sincero.
Ele não sabia porque estava se abrindo com um estranho, mas com seus dois amigos presos, não tinha com quem conversar.
— Se você quer conquistá-la, não é a irritando que vai conseguir.
— Pelo menos descobri que ela não me é indiferente.
— Não, ela sente um ódio mortal por você.
— Do ódio ao amor, é um pulo.
*
Naquela noite, depois de dar boa noite ao filho, tomou um banho, vestiu uma camisola confortável e deitou, olhando para o teto. Seu quarto era bem decorado, sua cama grande e macia e ela amava aquele conforto, mas estava atribulada.
Seu encontro com Carson mexeu muito com ela e não sabia o que pensar de tudo que estava acontecendo. Sua vida estava tão calma e de repente virou de cabeça para baixo.
Lembrou das feições dele quando falava aquelas coisas no restaurante. Não parecia estar escarnecendo ou a provocando, parecia falar sério. Continuava bonito, apesar de mais maduro e isso mexia com ela.
Mesmo antes do que aconteceu, ela nunca pensou em namoro. Queria se formar e trabalhar, para um dia tirar sua mãe daquele emprego. Depois daquela noite, veio a gravidez, a morte de sua mãe e ela nunca mais pensou em romance ou casamento.
Não que não tivesse pretendentes, mas não confiava mais em homem algum e tudo que queria era criar seu filho em paz. Só que Carson mexia com ela, de uma forma que a tirava do prumo e a fazia ficar furiosa.
— Por que ele me deixa assim? Meu corpo parece inflamar, perto dele e perco o controle.
Ela não entendia que não podia parar o que começou a tanto tempo atrás, uma atração irresistível entre duas pessoas proibidas de viver livremente e vivendo a imposição de uma sociedade cheia de preconceitos.
De tanto pensar, acabou dormindo e não viu Jason no computador, travando planos para sua festa e para seu avô. Também acessou o computador da empresa de seu pai e plantou mais algumas informações incorretas.
No dia seguinte, era sábado e depois do café da manhã, foram visitar o avô. Como sempre, Gomes estava na porta, esperando e abriu um largo sorriso ao ver o menino. Gina os apresentou:
— Este é o mordomo do seu avô e este é meu filho, Jason, Gomes.
— É um prazer, jovem senhor Rodrigues.
Jason achou graça da maneira do mordomo chamá-lo e não se conteve na risada, chamando a atenção do velho, dentro de casa. Nestor não conseguiu esperar e saiu para receber o neto, apoiando-se na bengala.
— Olha quem chegou, é o meu neto mais querido. — brincou o avô.
Mais uma vez, Jadon soltou sua risada gostosa e dosse:
— Sou seu único neto, vô.
— Issoesmo, você é e é por isso que quero você junto de mim. Vamos entrar.
Eles entraram e Jason tinha um tablete na mão e esquadrinhou todo o imóvel com um aplicativo. Logo apareceu a planta, com todos os cômodos, mostrando o prédio de três andares, de diversos ângulos.
Ele ocultou tudo assim que chegaram na sala e Jason não parava de examinar tudo. O avô, percebendo a curiosidade do neto, perguntou:
— O que está achando da casa.
— É bem grande e antiga. Parece que a mobília nunca foi trocada, mas não está velha.
Nestor admirou a percepção do menino, só não sabia se ele gostou ou não.
— Mas você gostou?
— Sim, é bem diferente de onde moramos.
— Que tal vir morar aqui?
Jason foi até o avô, que estava sentado em sua poltrona reclinável, puxou um banquinho e sentou-se de frente para ele.
— Eu gostei do senhor, vovô, mas para eu vir morar aqui, quero fazer um trato com o senhor.
— É, você realmente é um Rodrigues.
Gina não gostou da observação, deixou Jadon livre para resolver o que queria,as se percebesse alguma manipulação daquele velho trapaceiro, interferiria.
— Bem, eu quero ficar livre caso queira ir embora e não quero ver ninguém maltratando a minha mãe.
— De acordo. O que mais?
— Meu aniversário está chegando, o senhor deixa eu fazer minha festa aqui?
— Temos muito espaço, não vejo problema algum. É só dizer o que você quer, que contrato uma equipe para fazer tudo.
— Não precisa, se o senhor deixar, eu mesmo vou preparar tudo.
Nestor sorriu, achando aquela criança muito confiante, mas o que uma criança de seis anos sabia e podia fazer, então consentiu e no momento certo, ajudaria providenciando tudo.
— Está bem então,mais alguma coisa?
— Quero instalar meus aparelhos de videogame.
— Concordo, você pode instalar o que quiser, minha única exigência é que não fique nada no caminho. Como você pode ver, seu avô está velho e não tem muita saúde.
— Vou cuidar de você vovô.
Os dois apertaram as mãos como cavalheiros e Jason se jogou nos braços do avô, em um abraço que deixou o velho com lágrimas nos olhos.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 60
Comments
Expedita Oliveira
😥🥺🥺🤭🤭🤭🤭
2025-03-17
0
Esterzinha
do meu ódio não vai pro amor não, vai pro cemitério mesmo
2024-12-19
4
Gilvanise Azevedo
Sério!!!!! Acho que vou parar a leitura......
2024-12-09
2