Ainda faltava mais um dia para o casamento. Lecina estava realmente tranquila, Ruel continuava achando estranho, e analisando como se ela fosse um ser de outro mundo. De fato, entendê-la era complicado, mas Ruel se determinou a conhecer bem sua futura esposa.
— Huh? Cemitério? — Lecina ficou surpresa quando Ruel repentinamente a chamou para ir até lá.
— Quero que conheça os meus pais... precisamente dizendo é isso. — "Conhecer" esse termo fez Lecina fazer careta.
Ela pensou: "Conhecer é meio extremo, já que eles estão mortos". Até ela tinha noção que não deveria falar em voz alta.
— Tudo bem, vai ser hoje? — Ruel apenas acenou em resposta.
Logo, algumas roupas foram deixadas para Lecina. Ruel não saiu do quarto, apenas se virou enquanto ela vestia novas roupas. E por que ele fez isso? Bom, Lecina disse para que ele ficasse, ela não se importava nem um pouco se ele a visse, segundo ela, logo ambos estariam passando pela fase da lua de mel.
Ruel ficou completamente vermelho e envergonhado, talvez nesse momento ele tenha sentido um pouco de arrependimento por encontrar sua humana.
— Essas roupas realmente são da realeza... — Ela estava com um vestido vermelho com detalhes dourados. O tecido era leve, mas elegante, havia um leve decote.
Lecina foi se olhar no espelho, ela gostou e pensou: "Talvez ser da realeza seja o meu destino?".
— Ficou muito bom. — Ruel olhou atentamente, percebendo que caiu bem nela.
— É né? Eu também achei. Acho que apenas destacou a minha beleza natural! — Lecina ficou se admirando por um bom tempo.
Ruel continuou a olhando, ele percebeu que apesar de parecer animada, Lecina ainda possuía um olhar triste.
— Então, vamos agora? — Lecina o seguiu para fora, Ruel pediu que ela ficasse segurando o braço dele, era melhor prevenir caso algo acontecesse.
O castelo ficava separado do cemitério, então eles precisaram andar um pouco.
— Por que tem poucos túmulos? Pensei que sua família reinasse há milhares de anos! — Lecina disse, enquanto olhou nome por nome.
— Vampiros são imortais, esqueceu? A maioria dos que estão aqui são os que foram assassinados, e também as humanas que eram suas companheiras.
Havia nomes femininos que estavam em lápides solitárias, significava que seus parceiros estavam vivos.
— Ei, Ruel... eu não entendo uma coisa! — Lecina se virou para ele. — Se vocês são imortais, por que passam seus tronos? Tipo, não iriam querer reinar para sempre?
— Lecina, é nossa obrigação passar o trono para o herdeiro assim que nascer. Pode acontecer em mais de cem anos, ou até mesmo no auge do reinado, no começo, e assim vai...
— Obrigação? Onde está escrito que é obrigação? Vocês vivem eternamente, por que não aproveitam isso?
Ele foi até um dos túmulos.
— Hayden, é o nome do meu pai. Ninguém sabe explicar a causa da morte dele, não há sinais de assassinato, ou qualquer outra coisa. Tanto ele, quanto os outros reis que se recusaram a passar o trono, morreram.
— Seu pai não queria te dar o trono? — Lecina ficou surpresa com o que Ruel disse.
— Foi duas semanas antes da morte dele, meu pai estava agindo estranho, mal queria falar comigo. Ele foi duro, e disse que nunca me deixaria colocar os pés no trono.
— Fez algo para ele antes disso?
— Não... ele mudou de um dia para o outro, até estava tratando mal a minha mãe. Os anciões acharam que ele estava enlouquecendo por alguma razão, e eu fiquei sem vê-lo, nem pude me despedir dele antes da morte, já que se isolou e quando encontramos já era tarde...
— Resumindo, você acha que ele morreu por que recusou a te dar o trono? Para isso, alguém teria que fazer, não tem uma opinião sobre?
— Bom, eu suspeitei de muitas pessoas, mas não consegui provas ou qualquer pista. Eu acredito que o mataram por isso, porque a maioria dos homens aqui também recusaram deixar o trono por ganância.
— "Maioria"? Se tiver uns dez aqui é muito...
Então Ruel mostrou o outro túmulo.
— Esse é da minha mãe, Mirelle. Ela morreu no parto, então não pude conhecê-la.
Lecina ficou em silêncio.
— O túmulo dela foi tocado? — Lecina estava olhando atentamente.
— O que?
— Olha, está muito bem feito, mas aquele lado ali parece quebrado. Suponho que não quebraria antes dos outros que estão enterrados há milhares de anos.
— Você tem razão... — Ruel olhou nem, uma pequena parte da lápide de pedra estava quebrada.
— Enfim, eu serei a esposa do filho de vocês, espero que me aceitem seja lá onde estejam, porque vocês gostando ou não eu terei que casar!
— Lecina, vamos voltar!
— Ok!
Eles saíram.
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Atualizado até capítulo 103
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