Ruel foi visitar Úrsula, ele estranhou que ela não procurou por ele, já que a essa altura seria difícil ela não saber sobre a chegada da humana.
— Mãe? Desculpe, posso entrar? — Eu bati na porta.
— Entre. — A resposta veio de forma imediata, mas senti uma diferença nela, já que ela sempre dizia "entre, meu filho".
Eu abri a porta, e me sentei no sofá, ela ficou no outro logo em frente.
— Suponho que já tenha ouvido os rumores... — Fui direto ao ponto.
— Sim, você conseguiu a humana! Fico feliz que tenha dado certo. — Por alguma razão, eu senti que ela estava incomodada. Por que? Ela estava tão ansiosa quanto eu para que a humana fosse encontrada.
— Mãe, aconteceu alguma coisa? — Ela estava tensa, e também parecia cansada.
— Eu estou bem... — Ela estava mentindo, era claro para mim.
— Por favor, me diga! Eu sei que você não está bem... — Eu já conhecia bem a minha mãe.
— Ruel... — Ela começou a chorar. — Eu não aguento mais! — Eu a abracei, tentando acalmá-la.
Ela estava chorando tanto, que decidi esperar que ela mesma falasse o que estava acontecendo, sem perguntar.
— A-Agora que... v-você tem a humana, eu devo partir... — A princípio, eu não estava entendendo a situação, mas logo se tornou claro para mim.
— Eles te disseram alguma coisa? — Foi a minha conclusão. Eu já sabia que ninguém gostava dela por ser uma sangue-puro, isso pesava tanto, mas Úrsula sempre tentou ser forte.
Nem mesmo meu pai foi capaz de impedir o ódio de todos em relação a ela. Em alguns momentos, eu pensei que também deveria fazer alguma coisa, mas ela me impediu. As pessoas já duvidavam de mim, e se eu a apoiasse, seria pior.
— Eu estou cansada, eu não tenho culpa por ter nascido como sangue-puro... sabe, eu sinto que já fiz minha parte, eu aguentei tudo isso para ver você crescer e conquistar o trono! Fiz pelo seu pai, e também por sua mãe que te amava tanto desde a gravidez. — Nesse momento, me veio uma dúvida. Ela já estava no palácio desde antes do meu nascimento?
— Mãe, eu sei que não deveria perguntar isso agora, mas... quando começou seu relacionamento com o meu pai? — Até mesmo as pessoas que comentavam, diziam apenas que estavam juntos há anos.
Desde que me lembro, ela sempre esteve conosco, então quando Úrsula conheceu o meu pai?
— Nós... sempre fomos amigos! Seu pai tinha problemas com seus avós, e ele se sentia mal com frequência por isso. Naquele tempo, ele fugiu do palácio por não aguentar a pressão, e então me conheceu. Eu estava fugindo mais uma vez de vampiros híbridos que queriam me matar... bom, nós viramos amigos, e para me proteger, ele me trouxe ao palácio contra a vontade dos pais. — Sim, parecia uma boa história, mas...
— Mãe, me lembro que disse uma vez que nunca conheceu os meus avós, que eles já estavam mortos quando veio ao palácio. Então eu imaginei que foi depois que minha verdadeira mãe morreu. — Eu estranhei o que ela estava dizendo.
Acho que foi a primeira vez que desconfiei dela em toda a minha vida.
— Eu não queria te contar meu passado triste, eu saí do palácio um mês depois. Eu voltei depois que sua mãe morreu... — Ela fungou o nariz, mas aquilo parecia estranho para mim.
Por que eu comecei a me sentir desconfortável? Simplesmente isso começou depois que a vi chorar. Eu tentei tirar esses pensamentos da minha cabeça, mas cada palavra que ela dizia, me deixava ainda mais estranho.
— Então, quando se apaixonaram? Meu pai me disse que não saiu muito do palácio quando era príncipe, pois os pais dele eram muito rígidos. Vamos supor que ele te salvou, você ficou aqui por um mês, então se apaixonaram nesse único mês que ficou aqui?
— Ruel, está desconfiando de mim? Haa... sinceramente, eu esperava isso de qualquer pessoa, menos você. Eu sabia, devo partir! — Ela se afastou de mim, com uma feição ainda mais triste.
Naquele momento, eu senti um aperto no peito. Mas foi como se algo estivesse muito errado.
— Eu não estou desconfiando de você. Mãe, quero que fique bem, o que acha de ir morar em um lugar separado? Sei que sofre aqui, não é melhor estar longe de tudo isso? Garantirei as melhores roupas e boa alimentação! Mandarei humanos para que se alimente, também vou deixar pessoas de confiança te protegendo.
Bom, por que eu fiz essa sugestão? Era como um extinto, e também porque eu me importava com ela seriamente, como se fosse minha verdadeira mãe. Claro, minhas palavras parecem ter sido uma ofensa para ela, mas apenas estava pensando no seu melhor.
— R-Ruel? Não consigo acreditar nisso! Eu estou aqui durante muito tempo, agora quer me mandar embora? Eu quero estar perto do túmulo do seu pai! — Ela parecia magoada.
— Certo, desculpe, mas você disse que tinha que partir, então achei que... — Era exatamente o que ela queria, então por que estava reclamando?
Ela não disse nada, apenas se virou. Era o sinal para que eu saísse do quarto.
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Atualizado até capítulo 103
Comments
Isadora Santos
Entendo o Ruel, minha mãe se vitimiza igual a dele
2024-01-19
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