Ruel estava preocupado com a situação, normalmente as marcas aparecem no dia do aniversário de dezoito anos, mas já faziam alguns meses, e nada havia acontecido. As pessoas não eram muito pacientes, e mesmo que ainda não tivesse um ano de reinado, Ruel estava sofrendo muita pressão psicológica.
— Querido, por que parece tão abatido? — Úrsula procurava sempre estar perto de Ruel. Agora que Hayden havia morrido, ele não tinha escolha a não ser confiar completamente nela, já que era a única, tirando Ivone, que sabia sobre a marca.
— Pressão, mãe... — Ruel se abria totalmente com ela, e confiava, já que o passado sempre foi ocultado para ele.
— Sobre a marca? Não se preocupe, querido, eu já não te expliquei a situação? Sua marca vai aparecer, ainda temos mais alguns meses! — Ela o abraçou, consolando-o.
Ruel acreditava que a sua marca ainda não havia aparecido, por ser um caso raro. Já houve relatos de atraso do aparecimento da marca, mas nada que ultrapassasse cinco anos.
— Se eu completar dezenove anos, e a marca não aparecer... eles vão me destituir. — Ele precisava encontrar sua humana rapidamente.
— Vou contatar os sábios novamente, fique tranquilo, tenho certeza que a resposta aparecerá! — Ela saiu depois disso.
Ruel se sentia inseguro por não possuir a marca, algumas vezes ele duvidava da sua mãe (Mirelle), achando que ela poderia ter traído seu pai.
Úrsula foi ao seu quarto, e chamou seu servo fiel.
— Ainda não encontraram? — Ela se referia a humana.
— Não... nenhuma humana até o momento está marcada. — Úrsula achou que se encontrasse uma humana com marca, poderia fingir que era a parceira de Ruel.
— Continue procurando! — O servo acenou e então saiu.
Úrsula se jogou na cama, pensativa.
— Eu transferi a marca de Hayden para Ruel quando ele morreu, então o que deu errado? Por que não aparece nada no corpo daquele garoto? — Ela pensou que talvez fosse por não possuir a marca que estava em Mirelle.
Como ela morreu bem antes, Úrsula não teve a oportunidade de transferir a marca dela para outra pessoa.
— Acho que não terei escolha a não ser forjar uma marca... mas aquele idiota jamais aceitaria, o que posso fazer? — Também havia outro fato, não seria simples forjar tal situação, pois havia algo chamado "rejeição de parceiro".
Esse termo era utilizado quando o híbrido tinha total incompatibilidade com a parceira de casamento. Por isso, alguns casamentos híbridos não aconteciam, ou então trocavam as parceiras/parceiros para um que fosse compatível.
O único jeito de saber que eram compatíveis, é com um beijo. Os sinais de rejeição aconteciam imediatamente, sangramento nasal, ou dores de cabeça forte.
— Isso vai ser complicado... — Úrsula continuou pensando em uma estratégia para fazer tudo correr como ela queria.
No final, ela tomou uma decisão, ela conseguiria uma humana, mesmo que tivesse que esconder a verdade de Ruel.
...[...]...
Alguns dias se passaram, Robert ainda não tinha voltado. Lecina não se afastava muito da caverna, ela apenas procurava alguns animais pequenos para que pudesse se alimentar.
— Sério, eu me sinto como uma pregadora caçando animais inocentes... — Ela estava procurando por uma refeição. Quando encontrava frutas, ela pegava.
Às vezes, ela não tinha sorte de encontrar alguma coisa, então quando achava, ela não exagerava, para que caso faltasse, ela ainda tivesse algo para comer no outro dia.
— Quando você vai voltar, Robert? — Ela estava preocupada com ele, afinal essa fase era dolorosa para ele.
Dessa vez, se passou uma semana, e Lecina começou a se preocupar já que nunca demorou tanto tempo. Depois disso, mais outra semana, e assim seguiu durante um mês, quando Lecina perdeu a paciência e decidiu procurar por ele.
— Robert, por favor, esteja bem! — Ela não fazia ideia de onde ele estava. Na lógica, Robert deveria estar perto, mas não tanto.
Ainda sim, Lecina não o encontrou nas redondezas, não havia sinais de sua transformação, como roupas rasgadas, pegadas, ou até mesmo árvores arranhadas.
— Definitivamente isso é estranho... — Ela pegou suas coisas, pretendia voltar depois caso Robert aparecesse na caverna.
Ela seguiu reto na direção que ele havia saído no começo, mas não havia um caminho certo. Lecina estava com medo do que poderia encontrar, não conseguia sequer imaginar o que faria se Robert não estivesse vivo.
— Já está tarde, devo voltar... — Mas Lecina se perdeu no caminho. — Mas, eu marquei as árvores, sem contar que segui reto, então porque..? — Ela não estava entendendo nada.
— Está procurando por alguma coisa? — Uma voz grotesca assustou Lecina.
Era um lobo, precisamente dizendo, um lobisomem.
— ... — Lecina ficou em silêncio, preocupada. Ela sabia que aquele não era Robert.
— Não vai dizer uma palavra sequer? Vejo que provavelmente sabe sobre lobisomens, já que não parece surpresa! — Ele começou a andar em volta dela.
Lecina permaneceu em silêncio, ela sabia que qualquer minina palavra colocaria sua vida em risco.
— Seu cheiro... é o mesmo cheiro daquela humana, então deve ser você! — Os olhos dele brilharam. — Bom, devo dizer que acabou sua sorte, garota! — Ele estava pronto para atacá-la.
Aquele lobo, e também os vampiros que constantemente perseguiam Lecina, queriam acabar com a descendência de Hayden. De fato, algumas poucas pessoas sabiam que a criança de Mirelle havia sobrevivido.
Com a verdadeira herdeira morta, o clã vampiro entraria em caos, afinal, uma hora ou outra a verdade viria à tona. Úrsula não sabia sobre Lecina, já que era outra pessoa que estava por trás da constante perseguição que ela vivenciou.
Lecina sentiu seu coração acelerar, ela sentiu medo, sabia que era indefesa em comparação ao lobo, afinal, era apenas uma humana comum.
— Por que você está fazendo isso? Por que quer me matar? — Revoltada com a situação, ela decidiu falar.
— HAHAHAHAHAHA! — Ele começou a rir esteticamente. — Sua vida significa o caos, os sábios sabem de tudo, e também veem tudo. — Ela não entendeu o que ele quis dizer.
— ... — Ela ficou em silêncio novamente.
— Sabe, nós vivemos em uma sociedade onde tudo é possível. Não podemos ver o futuro, mas conseguimos saber quem pode trazer a destruição! Você é marcada, seu sangue é sujo. Dentro da sua alma está cravada o sinal da destruição, você é um perigo para todos os seres existentes nesse mundo! — Foi quando ele rangeu os dentes, irritado.
Lecina continuava sem entender, mas o ódio dele por ela era real, como se ele mesmo tivesse vivenciado uma situação em que o faria odiá-la. Mesmo não sendo culpada, Lecina carregava o peso de coisas que não eram da sua responsabilidade. O seu sangue era considerado amaldiçoado para aqueles que não eram híbridos. Até mesmo o fato de ser uma filha, já fazia com que ela fosse considerada uma desgraça para o povo híbrido, e também para os lobisomens.
A verdade é que a morte dela iria beneficiar todos os lados, incluído o dos lobisomens, que estão em guerra com os vampiros.
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Atualizado até capítulo 103
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