Oito anos depois…
Lecina estava completandodezoito anos, depois do seu trauma do passado, ela havia perdido toda a esperança, e não quis ficar mais perto de ninguém.
Robert, aquele que a salvou não teve escolha a não ser criá-la. Como ele não era humano, não era tão perigoso estar perto dela.
— Lecina, precisamos ir embora agora! — Robert agarra o braço dela.
— De novo? Por que só não deixa eles me matarem de uma vez? Eu não mereço viver. — suspirando, ela repetiu a mesma fala de sempre, mesmo sabendo que tudo que queria era sobreviver.
Robert a pegou no colo e correu.
— Eu sei que você não quer mais viver, mas é necessário. — Robert também sabia que esse não era o desejo dela.
— Você sempre diz que é necessário, mas nunca explica nada. — No fundo, Lecina queria viver, mas sua situação tornava tudo complicado.
— Você é alguém importante.
— Importante? Tem certeza? Se eu realmente importasse, não passariam a vida toda tentando me matar! — Ela sempre falava tudo sem hesitar, por isso, Robert a entendia perfeitamente.
Robert não sabia mais como convencer Lecina, ele sabia pouco sobre o passado dela, mas esse pouco faria grande diferença se ele contasse.
— Por que estamos sempre fugindo? Por que estão tentando me matar? O que eu fiz para essas pessoas? — Ela abraçou Robert, que a levou para longe rapidamente.
— ... — Ele ficou em silêncio.
Presenciar a morte de Vanessa tornou Lecina uma pessoa fria, que pensava vezes que estar sozinha era a única solução. Ela acreditava que onde fosse, levaria a morte consigo, e por isso permaneceu se mantendo longe das outras pessoas.
Lecina não tinha conhecimento sobre a sociedade dos híbridos, tudo que sabia era que deveria ficar longe dos vampiros e lobisomens. Ela nem mesmo estava ciente da guerra que eles vivenciavam há anos.
— Estamos longe o suficiente... — Robert parou, e colocou Lecina no chão.
— Você está bem? Acho que não pode continuar fazendo isso... — De fato, Robert já era bem velho em idade, apesar da aparência jovial.
— Sim... — Por ser metade vampiro, ele era obrigado a beber sangue animal. Isso o deixava mais fraco, afinal o sangue humano era muito melhor para vampiros, sejam híbridos ou sangue-puro.
Lecina colocou no chão a pequena mochila que ela sempre deixava perto caso tivesse que fugir.
— Tome! Preparei algumas bolsas de sangue para você.
— Quando fez isso?
— Faz dois dias. Seu faro não está muito bom, afinal você nem percebe mais o sangue perto.
— É isso que acontece com quem não toma sangue humano, seus sentidos enfraquecem...
— Bem que todos os vampiros poderiam beber sangue animal, assim como você...
— Infelizmente os outros vampiros não pensam igual a mim, Lecina. — Ele pegou uma das bolsas de sangue, e começou a beber.
— Robert, estamos perto da lua cheia, certo? Você vai ficar longe por quantos dias?
— Isso depende do meu estado... — Toda lua cheia, Robert se tornava um lobo. Por ser híbrido, ele sofreu preconceito e foi perseguido durante toda a sua vida. Ele nunca aprendeu apropriadamente a se controlar, então não sabia como voltar ao normal após se transformar.
Tudo que restava era esperar que naturalmente voltasse ao seu estado normal, o que poderia variar em dois ou três dias, dificilmente uma semana.
— Você deve ter cuidado, vou procurar um lugar seguro para você. — Quando ele se tornava lobo, não reconhecia Lecina, em uma das vezes, ele quase a matou.
Robert desaparecia sempre que estava prestes a se transformar. Nesse período, Lecina ficava sozinha, e muitas vezes passou por situações complicadas. Precisando se defender sozinha, ela sequer dormia bem quando estava longe dele.
— Acho que o fogo está bom, vou caçar algo para você, se o fogo apagar, acenda-o novamente, está muito frio! — Robert saiu, enquanto Lecina ficou sentada em frente a fogueira.
Ela pegou um pedaço de madeira, e começou a brincar com o fogo.
Para Lecina, nada fazia sentido. Ela nunca foi capaz de conviver com pessoas da própria idade, ter amigos, sair, conhecer o mundo.
— Por que justo eu? — Ela suspirou.
Lecina ficou lá, por quase trinta minutos.
— Robert? — Ela chamou, após ouvir um som entre as árvores.
Não houve resposta, isso fez com que ela entrasse em alerta. Lecina ficou em silêncio, e fingiu naturalidade, assim como Robert ensinou.
— Lecina? Por que está assim? — Robert apareceu.
— Que susto, achei que fosse outra pessoa...
— ... — Robert ficou em silêncio por uns segundos, e então levou um faisão que ele havia caçado.
— Por que está tão quieto?
— Não é nada, isso apenas me cansou...
— Precisa de mais bolsas de sangue?
— Não, eu estou bem...
Ainda assim, Lecina sentia que ele estava escondendo algo.
Logo, eles foram dormir. O corpo de Robert era quente, e não frio como um vampiro normal. Por isso, Lecina dormiu perto dele, junto a fogueira.
...Dia seguinte:...
Lecina se levantou bem cedo, era difícil ela acordar primeiro que Robert.
— Acho que você está realmente cansado, isso é culpa minha? — Ela se perguntou, achando que estava atrapalhando a vida dele.
Não muito tempo depois, ele acordou.
— Vamos indo, precisamos sair bem rápido!
— Robert... por que você está cuidando de mim?
— Porque você é especial, eu já falei.
— Mas... eu trago a morte onde quer que vá... — por isso, nunca ficavam nos mesmos lugares.
— Eu estou com você há oito anos, e estou bem, e vivo!
— Vanessa me criou pelos mesmos oito anos, ela me encontrou quando eu tinha dois. Ela morreu, por minha causa.
— Vamos esquecer esse assunto, temos que ir!
Ela ficou em silêncio, e os dois seguiram andando em um ritmo normal, já que não precisavam correr, pelo menos não naquele momento.
Cinco horas depois, eles encontraram um pequeno vilarejo.
— Não, não quero ir lá! — Ela relutou.
— Ei, se acalme, só vamos ficar por uma noite! Alguma vez já foi pega no mesmo dia?
— Não...
— Fique tranquila, estaremos seguros se partimos amanhã. Venha, você deve fazer uma refeição adequada! — Lecina o seguiu, novamente em silêncio.
Eles entraram em uma hospedagem, Robert pagou por uma noite.
— Onde conseguiu dinheiro?
— Não me pergunte os meios...
— Você roubou?
— Lecina, nunca faça o que eu faço, ok?
— Você é um péssimo exemplo de adulto.
— É, eu devo concordar.
Eles entraram, e deixaram a pequena mochila que estava carregando no quarto. Eles dividiam o quarto sempre, Robert dormia no chão, e Lecina na cama. Às vezes ela pedia para trocar, assim ele não ficaria tão cansado.
Faziam isso para poderem fugir rapidamente caso necessário.
— Robert, eu posso sair um pouco? — Lecina pediu.
— Sim, mas não se afaste muito, caso aconteça algo, use o apito, entendeu?
— Sim, sim... — Ela começou a andar pelo vilarejo.
Lecina não ficava muito tempo em lugares cheios, então sempre era algo novo para ela. Tudo chamava sua atenção, até mesmo as coisas mais comuns.
Ela olhava as pessoas sorrindo, parecia um lugar feliz... ela se sentiu triste por um momento, pensando que era a única que não tinha direito aproveitar essa felicidade.
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Atualizado até capítulo 103
Comments
Fênix
Ela deveria doar sangue pra ele. Assim ele ficaria mais forte para protege-la.
2025-02-16
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