— O que eu deveria fazer? — Vanessa acariciou Lecina. — Não poderei estar com você para sempre, então você deve aprender a lutar sozinha, pois muitas coisas inesperadas te aguardam no futuro.
Vanessa havia criado Lecina bem longe da sociedade vampira.
— Tia… por que a senhora sempre me fala isso? — Lecina a olhou intensamente.
— Apenas… é algo que você somente entenderá quando for mais velha!
De fato, Lecina tinha apenas dez anos. Vanessa a criava desde os seus dois, quando ela foi deixada à sua porta.
Vanessa não sabia nada sobre Lecina, mas havia uma certeza que ela tinha, aquela não era uma simples criança. Ao longo dos anos que estiveram juntas, houveram ataques em todas as vilas em que estavam morando. Vanessa perdeu sua família graças a isso, mas ela não culpava Lecina, afinal era apenas uma criança que nem sabia de onde vinha. Por medo de ceifar mais vidas sem intenção, elas se mudaram para um lugar longe de tudo e de todos.
Lecina era alguém importante para Vanessa, e mesmo sem saber a razão de a quererem morta, ela jamais abandonou aquela criança, mesmo sabendo que estaria colocando sua vida em risco.
— Durma… você precisa descansar para crescer forte e saudável! — Vanessa disse com um sorriso.
— Tudo bem, tia!
Mas o que ambas não sabiam, era que naquela mesma noite seria o último adeus.
Vanessa não estava conseguindo dormir, então ficou ao lado de Lecina lendo um livro.
Alguém bate na porta.
— Evan? O que faz aqui a esta hora?
Evan era o único que sabia onde elas moravam atualmente, Vanessa confiava nele, já que estiveram juntos nos últimos três anos em que elas moraram ali.
— Eu queria ver você… — Ele a abraça.
— Tudo bem, mas agora não está muito tarde? Lecina já está dormindo.
— Essa menina de novo? Por que ainda cuida dela se nem mesmo é sua filha?
— Já te disse que se quiser continuar comigo, precisa aceitar a Lecina! — Vanessa o seu um olhar de raiva.
— Tudo bem, já entendi! Essa garota é mais importante que eu…
Vanessa de repente sentiu um cheiro de queimado.
— Espera… De novo não! — Ela correu em direção ao quarto de Lecina.
O fogo estava se espalhando rapidamente.
— Lecina! — Vanessa gritou desesperadamente.
Antes que ela pudesse tentar entrar, Evan puxa o braço dela.
— Você está louca? Quer morrer?
— Eu não posso deixar uma criança sozinha em um quarto em chamas!
— Precisamos sair daqui, o fogo está se espalhando estranhamente rápido! Não há chances de que ela ainda esteja viva!
Vanessa estava chorando, querendo se jogar ao fogo para salvar aquela criança.
Ao ver o estado dela, Evan decidiu tentar salvar Lecina.
Ele correu até o fogo, mas estranhamente, ele não se queimou.
— O que? — Evan estava incrédulo, já que o cheiro do fogo era forte o suficiente para o deixar sufocado.
A cama de Lecina estava intacta.
— Lecina! — Evan gritou, sem saber onde ela estava.
Evan voltou até Vanessa.
— O fogo… ele não me queimou…
— O que? — Vanessa não pareceu acreditar. — Onde está Lecina?
— Não tinha ninguém lá dentro…
— Não, isso é impossível! Eu a coloquei para dormir lá!
— Vanessa, estou falando a verdade!
De repente, uma voz os fez congelar.
— Tem razão, ela estava lá, mas agora está comigo!
Um vampiro estava a segurando e tampando a boca de Lecina.
— Solta ela! — Vanessa corre.
— Humanos… tão tolos! — Ele estrala o dedo, fazendo com que fogo fique ao redor dela.
Lecina se debate desesperadamente, enquanto Evan tenta correr até Vanessa.
— Não pense que só porque o fogo não os queimou antes, que será igual. Se não tivessem procurado por ela, poderiam ter sobrevido. Minha benevolência acabou!
De repente, o fogo começa a queimar Vanessa e Evan.
Os dois gritam.
O desconhecido segura Lecina, que chora e continua se debatendo desesperada.
— Vê isso? Foi culpa sua! Foi você quem os matou. Olhe bem para o rosto de sofrimento deles, e se lembre disso, você é uma assassina que mata a todos que estão perto de você! — Ele a obriga a olhar para o corpo dos dois queimando.
Lecina com apenas dez anos, se culpou pela morte daquelas duas pessoas. Aquele fardo, os gritos, o rosto de sofrimento, era algo que ela teria que levar para o resto da vida.
Ela foi obrigada a vê-los até que seus ossos virassem cinza.
No final, ele a soltou.
— Se sabe o que é bom para você, morra de uma vez, sua praga! — Ele saiu, colocando fogo na casa com Lecina ainda lá dentro.
Ela estava imóvel, esperando que fosse morta de uma vez.
Mas aquele não era o momento, alguém apareceu e a salvou.
— Não se culpe, você não teve nada haver com a morte deles. — O desconhecido estendeu a mão para ela, mas Lecina não queria mais viver.
Ele apenas a pegou no colo e levou-a de lá. Ele não era humano, por isso foi fácil a tirar de lá.
Enquanto ele a levava no colo, o reflexo da cabana pegando fogo se fez presente no olhar de Lecina, que parecia ter perdido toda esperança que ainda tinha na vida.
Lecina jamais esqueceu aquele triste dia.
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Atualizado até capítulo 103
Comments
Julia Santos
eita eles nem mereciam morrer
agora o que ela è
pq è tão fraca
2024-10-18
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