Abro o envelope e retiro o papel de dentro.
Parecia que tinha sido feito na época de mil trezentos e bolinha...
Desdobro o papel e começo a ler
''Minha doce e querida Mei...
Sinto muito por entrar em contato de uma forma tão inseperada.
Você deve estar tão crescida.
Eu sei que você deve ter inúmeras perguntas sobre meu paradeiro, e sobre quem eu sou. Provavelmente sua mãe não lhe contou tudo. Isso por que eu mesmo pedi que ela não o fizesse. Dúvidas devem pairar sua mente sobre , como por exemplo, o motivo de eu não estar junto de você e de sua mãe, a única mulher que eu já amei em minha vida. Acredite, tudo que eu fiz foi pelo bem e segurança de ambas. Todos os dias eu sonhei com o momento em que eu pudesse estar com vocês novamente e poder te ver crescer. Você deve ter se tornado uma mulher de beleza tão deslumbrante quanto sua mãe...
Por hora, o que lhe posso dizer é que dado as circuntâncias seria de imensa felicidade que eu pudesse encontrá-la para esclarecer tudo que aconteceu.
Para que me encontre , lhe darei as seguintes coordenadas para que possa fazer uso de um bom mapa e encontrar a minha atual localização.
Por favor, venha o mais rápido possível...
Com carinho,
De seu querido pai
Feng Long''
Estava em choque
Pego a outra folha que estava junto e vejo que tem uma espécie de mapa, com coordenadas...
Meu...Pai?!
Isso não é possível....
Olho pra carta.
Até parece! Que piada de mal gosto...
Pego a carta, amasso e jogo no lixo...
Que coisa mais sem graça de se fazer.
Vou andando de volta pro meu quarto.
Quem é o doente que faria uma coisa dessa? Montar tudo isso pra parecer que é realmente meu pai?
Espera...
Como ele sabe o nome do meu pai?
Volto pra lixeira e pego a carta desamassando ela.
Minha mãe não tinha amigas e nem parentes aqui, e eu não contava pra ninguém sobre ele, então como então alguém saberia o nome do meu pai?
Ele não tinha registros de nada, eu só sabia o nome dele por que minha mãe quem me falou...
Olho de novo pro desenho do carimbo...e então algo me veem a mente.
Corro pro meu quarto e pego minha caixa de desenhos.
Abro e procuro o retrato que minha mãe havia feito do meu pai
Pego a folha e olho. Era um retrato do rosto até metade do corpo. Ele usava um kimono vermelho...
O tecido....chego mais perto e vejo que na roupa tinha o mesmo desenho. Na manga do kimono, no ombro, tinha o desenho de um dragão. O mesmo que estava no carimbo....
Olho de relance pra caixa com desenho e percebo algo no outro desenho...
Vou pegando os outros desenhos, olhando um por um, tanto os meus como os da minha mãe, e percebo que todos tem algo em comum .....
O mesmo dragão desenhado em todos.
Seja ele grande, abstrato, seja na estampa de algo, escondido de alguma forma....mas todos tem o mesmo dragão...
Mesmo que não seja meu pai essa pessoa tem informações dele...
Pego o papel e me sento no chão de frente a mesa de centro com o nootebook
Vou digitando as coordenadas no Google e enquanto vou olhando no mapa pra ter uma localização precisa
Passo a tarde toda tentando encontrar a localização, mas a localização pelo Maps apontava pra um lugar inexistente.
Abro uma página com um mapa mais antigo e vou procurando.
Então aponta pra apenas um lugar : Xianyang....
Olho no google por fotos e vejo que é uma cidade bem antiga, com bastante floresta em volta....
Pelo visto esse homem que dizia ser meu pai morava em uma parte bem afastada da civilização...
Aqui de certa forma é comum.
Existem alguns povoados que vivem como se tivessem parado no tempo. Não tão parado no tempo quanto na época dos reis que existiram, mas são meio....antigos por assim dizer.
Seria umas 6 horas de viagem da minha cidade até lá.
Fico olhando pra tela do nootebook pensando um pouco...olho pra carta...
Acho que eu não tenho mais nada a perder. Além disso uma viagem poderia ser uma boa pra esfriar a cabeça...
Pego minha mochila e coloco algumas peças de roupas e coisas básicas que eu iria precisar.
Visto uma roupa confortável pra viagem.
Pego a carta que meu suposto pai escreveu e coloco na mochila.
Desço e pego um táxi até a rodoviária.
" Boa noite....uma passagem pra Xianyang por favor" Digo pra atendente
" Okay. Deu 160 Yuans" A atendente fala e eu faço o pagamento " Embarque n° 18 " Ela diz e me entrega minha passagem
Vou até o local do embarque e espero. Ainda faltava umas meia hora pro ônibus sair....
O que ele sabe sobre meu pai? Como ele sabe o nome dele?
Minha mãe não tinha amigas e nem parentes aqui, então quem mais saberia? Será que minha mãe tinha segredos e tinha alguém com quem ela conversava mas nunca me falou?
Que tipo de segredo esse homem esconde?
Será que minha mãe tinha vergonha dele? Será que ele nunca quis ter filhos? Mas por que essa aproximação do nada?....
Sinto que minha cabeça vai explodir e nem com a vista da paisagem eu consigo me distrair, já que tava tão escuro que a única coisa que eu conseguia ver da janela do ônibus era o meu reflexo....
Resolvo apagar a luz do teto e dormir um pouco...
Acordo quando o ônibus para.
Pego minha mochila, desço e vou até o ponto de táxi.
'' Oi...será que você poderia me levar nessa localização aqui?'' Digo mostrando no celular a localização
Ele olha um pouco
''Nesse lugar eu só consigo ir até certa parte. Depois de lá você vai ter que seguir a pé'' Ele diz
'''Tudo bem, já é alguma coisa '' Digo e então entramos no carro e ele dirige até onde a estrada acabava
'' Basta seguir pela trilha que uma hora você chega lá'' O motorista fala enquanto eu desço do carro
''Okay, obrigada...'' Digo fechando a porta
Então eu começo a andar pela trilha...
E andar....
Andar...
Andar....
Andar...
''Uma hora você chega...'' Digo quase colocando os bofos pra fora enquanto olho no celular pra ver se me aproximava do lugar '' Isso se eu não cair dura no meio do caminho''
Dizem que é muito bom fazer trilha... ver a natuzera... ouvir os pássaros ou qualquer som da natureza...
''A única coisa que consigo ouvir é meu pulmão pedindo socorro'' Digo colocando a mão no joelho pra recuperar o fôlego
Olho no celular...
Faltava alguns metros...
''Vai Mei...você consegue!" Digo como encorajamento
Continuo andando e vejo que a trilha acaba mas o celular apontava que estava alguns metros a frente...
Vou andando pela grama alta até chegar....
NO NADA!!
O celular marca aquele sendo o lugar, mas eu olho em volta e só vejo um paredão de pedras e mato alto....
''Ainda dá tempo de mandar um raio'' Digo olhando pro céu
Como eu sou uma trouxa mesmo....
Olho em volta e não vejo sinal de civilização ou qualquer coisa...muito menos a frente....
Resolvo me sentar na sombra das pedras pra recuperar o fôlego.
Quando chego perto percebo que tem uma entrada como se fosse uma caverna....
Olho curiosa a entrada da caverna e assim que encosto na pedra que estava na entrada, vejo algumas luzes brilhantes no fundo.... Como se mais no fundo dela estivesse alguma luz ligada...
Vou entrando na caverna...
Minha curiosidade ainda vai me matar um dia...
Olho pro fundo da caverna e pra entrada a cada passo que eu dou....
A medida que vou entrando sinto minha coxa direita arder...
Quando chego no final vejo que tem uma pequena descida que dava pra um lago brilhante...
Como se eu estivesse hipnotizada eu deslizo até chegar na beirada do lago....
Parecia um cenario de livro...
O lago era brilhante, e tinha várias luzinhas em cima pairando sobre ele , como pequenos vagalumes...
Coloco minha mochila do meu lado e me ajoelho na borda do lago olhando pra dentro dele
No primeiro momento eu vejo meu reflexo.
Então a água começa a se mexer, como se alguém tivesse tocado na superficie, e o lago começa a refletir o rosto de um homem extremamente familiar....
Ele era identico ao homem da pintura da minha mãe....
Meu olho arregala em choque...
''Pai?'' Sussurro.
Sem perceber eu estico a mão para tocar o reflexo...
Assim que encosto na água sinto minha mão ficar presa.
Meu olho arregala e eu tento puxar a mão mas não consigo.
Parecia colada....
Quando puxo pra trás mais uma vez, sinto uma força estranha me puxar de uma vez pra dentro do lago.
Tento nadar pra superfície mas parecia que quanto mais eu nadava mais longe ela ficava...
De cima o lago não parecia tão fundo, mas dentro dele, ele parecia mais um buraco negro.
Começo a nadar pra superfície sem parar e começo a ficar cansada...Meu fôlego começa a acabar....
Bato as pernas o mais forte que consigo , mas era como se eu não saísse do lugar...
Solto o meu último resquicio de ar e então paro de bater as pernas...não tinha mais forças...
Apenas deixo meu corpo ir para o fundo escuro daquele lago....
Até que eu sinto meu pé encostar em algo duro que parecia ser o solo.
Aproveito e dou um último impulso, uma última esperança....
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Atualizado até capítulo 108
Comments
Maria Izabel
Que desespero 😧
2024-08-03
1
Dorothy Vieira
coitada 😂😂😂😂
2024-01-04
1
Dorothy Vieira
😂😂😂😂
2024-01-04
1