Patrick

Ser julgado não só por meu amigo, mas por meus pais também, era a

pior coisa. Os três ficaram ali parados me julgando com o olhar enquanto eu

contava como foi a noite passada.

Claro que deixei de fora a ideia absurda de Sophie em pedir que John

tirasse sua virgindade, ninguém precisava saber daquilo.

Quando eu terminei de contar, minha mãe não esperou nem mais um

segundo antes de subir, soltando xingamentos até que estivesse longe o

bastante para não ser ouvida. Me sobrou meu pai e Cris me encarando,

prontos para começar as perguntas.

— Vamos lá, podem falar. — resmunguei sem muita vontade, mas já

sabendo que não teria para onde fugir, ter me livrado da minha mãe já era

um ótimo começo.

— Ok, eu vi a garota e ela é linda. Por que diabos você não ia querer

ficar casado com ela? Por que essa ideia idiota de cancelar o contrato?

Aquela altura a ideia parecia absurda até mesmo para mim. Teria que

tirar essa opção da mesa depois da loucura que ela fez ontem, só por ouvir

minha conversa com meus pais deixou Sophie desesperada para perder a

virgindade, isso significava que ela queria mesmo ficar casada comigo, eu

só tinha que descobrir o quanto de dinheiro estava relacionado a isso.

— Esquece isso, Cris. Pergunta alguma coisa que importe de verdade.

— Ah não, conta para ele, filho. Conta pro seu amigo sua reclamação

sobre como sua esposa é nova, tola, inocente e virgem. — meu pai abriu a

boca usando minhas palavras contra mim. — Que vai acabar colocando

esperanças e amor no meio desse casamento.

Para completar o circo, John resolveu se juntar a nós, o sorriso

estampado na cara do babaca dizia que ele tinha escutado o que meu pai

disse.

— Isso é porque vocês não sabem da discussão entre os dois, que

terminou com ela indo se trancar na biblioteca e tudo porque deu um beijo

no rosto dele. — o bocudo falou e eu o encarei diretamente nos olhos,

querendo que ele não fosse adiante com as fofocas, ou acabaria contando o

que Sophie lhe pediu.

Eu ainda não tinha tido uma conversa com ele sobre ontem, mas

assim que eu tivesse a chance ele ia me ouvir, colocar a vida de Sophie em

risco daquele jeito iria lhe custar mais do que o emprego se ele repetisse.

— Ela te beijou e você fez o que filho?

— E ele ainda estava com a máscara! — John era sem dúvida o maior

fofoqueiro dali, perdendo apenas para Holly.

— Não acredito que você fez isso. Quem é você e o que fez com meu

amigo? — Cris voltou a falar. — O Patrick que eu conheço jamais faria

algo assim.

É claro que ele não me conhecia, aquele cara não existia mais, nada

daquelas merdas que eu fazia antes existia mais.

Só em lembrar de Emily meu sangue fervia e o ódio de mim mesmo

me consumia. Talvez se eu não tivesse sido criado com tudo ao alcance das

mãos, eu fosse diferente, mais esperto e não teria caído no golpe barato

daquela vadia.

Mas uma parte de mim gritava que eu ainda era essa pessoa estúpida,

pois tinha deixado que meus pais me arrastassem para outro golpe.

— Esse homem que você conhecia morreu! — me levantei pronto

para sair dali e esquecer aquele assunto. — E não tem chances de ser ressuscitado.

Subi os degraus de dois em dois, andando com pressa até meu

escritório e me tranquei lá com a desculpa de trabalhar. Ao menos isso me

restava, podiam ter me tirado o resto, mas isso continuava como deveria ser.

Mas não demorou para que vozes animadas invadissem o corredor.

Minha mãe, Holly e aparentemente Sophie estavam conversando animadas.

Foi a batida na porta que me fez endireitar a postura e voltar minha

atenção para a tela do computador. E foi bem a tempo, pois minha mãe não

esperou antes de enfiar a cabeça na porta.

— Oi filho, queríamos te ver antes de sair. — ela abriu a porta de uma

vez, me dando a visão de Sophie vestida e pronta para sair.

— Eu pensei que ela não podia sair da cama. — constatei o óbvio, ela

deveria estar deitada na cama tomando canja e os remédios que o médico

passou.

— Oh bobinho, o seu médico disse que não tem problema uma

voltinha no shopping. — minha mãe falou contornando a mesa e vindo para

onde eu estava. — Vai fazer bem para ela sair de casa.

— E para onde as duas moças lindas vão? — meu pai entrou no

escritório e parou para abraçar Sophie, antes de se sentar na cadeira a minha

frente.

— Nós vamos à cidade, fazer compras, Sophie, eu e Holly. — dona

Audrey falou entusiasmada como em muito tempo eu não a via. — Vai ser

perfeito.

Eu não consegui evitar encarar a pilantrinha. Ela não tinha

conseguido me enganar para comprar as roupas que queria, mas foi bem

rápida em fazer a cabeça da minha mãe para conseguir o que queria.

Era uma pena para ela, pois eu não daria um centavo se quer, ela teria

que usar o milhão que já tinha arrancado de mim.

Sophie estava usando uma calça jeans colada, que desenhava as

curvas de seu corpo e uma blusa de frio. Os olhos castanhos não se

desviavam dos meus, mesmo enquanto meus pais falavam sem parar.

Ela sorriu para alguma coisa que meu pai disse e minha vontade de beijar aquela boca deliciosa cresceu de novo. Estava começando a parecer que bastava que eu chegasse perto dela, para que o desejo crescesse dentro

de mim. Merda, eu tinha que dar um jeito nisso!

— Divirtam-se, aproveitem bem o dia. — meu pai falou antes de

segurar minha mãe pela cintura e plantar um beijo demorado em seus

lábios.

Sophie sorriu com a cena e se virou para mim novamente, eu peguei

me perguntando o que estaria passando na cabeça dela agora. Ela estava

esperando que eu fosse até lá e a beijasse assim? Ou estava apenas se

lembrando dos nossos beijos?

Meus pais também me olharam em expectativa, esperando que eu

fizesse algo, mas não ia cair no truque deles, não ia ceder a algo tão

supérfluo.

— Vamos querida, vamos indo. — dona Audrey a segurou pelo braço

e saiu puxando de lá.

— E você não podia se levantar e se despedir da garota por quê? —

meu pai questionou. A cara de decepção dele não surgia mais o efeito que

ele acreditava ter. 

Eu não ia dar o que eles queriam e quanto antes entendessem, melhor

seria para todos.

— Porque eu não quero! Não vou ficar trocando beijos e carícias com

Sophie como um casal bobo. Nosso relacionamento é uma transação, ela

ganha o dinheiro e me dá os filhos. Se vocês não querem cancelar, tudo

bem, mas não esperem que eu a veja além disso.

— Você diz filhos, quero ver como pretende fazer isso sem tocar na

garota.

Era uma provocação baixa, mas eu não pretendia tocá-la. Poderia

dizer o quanto eu quisesse que ela era minha esposa e estava ali para me dar

os filhos que meus pais pediram, mas isso não significava que eu ia mesmo

consumir aquele casamento. Se Sophie e meus pais estavam tão desesperados para manter o contrato, eu o faria, mas seria nos meus termos.

Foi com isso em mente que estabeleci um plano, aquela noite eu ia

aproveitar que Cris estava ali, pois ele me levaria ao lugar certo onde eu poderia pagar para tirar esse tesão do meu sistema. Se eu podia pagar uma

esposa, uma garota de programa não seria um problema.

Ao menos foi o que pensei até que elas voltaram entrando em casa

pela porta da frente, com as conversas altas e risadas, dando vida a toda

casa novamente.

Meus olhos pousaram em Sophie, que tinha um sorriso largo nos

lábios pintados de rosa, a roupa que ela usava quando saiu daqui tinha sido

trocada por um vestido vinho que descia até o meio de suas coxas, que dava

lugar a botas de salto alto que a deixavam ainda mais sexy.

— Boa noite, meninos! — minha mãe cantarolou, mas eu estava

concentrado, não conseguia tirar os olhos das botas que subiam até envolver

as coxas dela. — Quais são os planos para hoje? Eu estava combinando

com a Sophie que deveríamos ir aquele restaurante que sempre vamos,

amor.

— Isso pode ser um problema, já que eles vão sair. — ouvi meu pai

responder, mas Sophie se curvou pegando uma sacola que caiu no chão e o

decote dela me deu uma boa visão do que tinha por baixo.

Olhei em volta querendo me certificar de que ninguém tinha visto

isso, mas Cris parecia tão interessado nos seios dela quanto eu. Porra, era só

o que me faltava agora!

— Vamos a uma... Balada na cidade. — ele falou chamando a atenção

de Sophie.

Os olhos surpresos não eram só dela, minha mãe, Holly e John me

olharam do mesmo jeito. Mas era a única forma de eu aguentar aquele

inferno de tentação sem tocá-la.

— Eu quero ir também! — Sophie exclamou me chocando. Porra,

isso não, não tinha a menor chance.

— Perfeito, saímos às dez! — ouvi Cris falando antes que eu pudesse

impedi-lo.

— Não ela não vai! Vamos só nós dois e John para dirigir, e ponto

final! — enfatizei o nome de cada um para que ela entendesse que não

estava incluída.

Sai andando em direção ao segundo andar, mas Sophie tinha outros

planos, aparentemente ela não ia mais bancar a garota boazinha na frente

dos meus pais novamente.

— Oh, tudo bem. Eu vou sozinha então. — me virei pronto para

discutir. — Não quero estragar a noite dos garotos, John pode me deixar em

outro lugar no caminho.

Inferno! Eu não acreditava que ia ter que levar aquela garota a uma

balada. Nem sequer era o lugar para onde íamos essa noite, mas claro,

graças a Cris eu teria que arrastá-la a uma casa noturna, cheia de homens,

dançando e bebendo.

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Comments

Giorgia

Giorgia

kkkk..... Querendo se desestressar... Aliviar.... Dela...kkkkk
Vai ter uma overdose.....kkkkkk
Bem feito!!!!
É isso aí Cris, investe pra matar ele de ciúmes....kkkk

2024-06-18

2

Lucky

Lucky

que homem arrogante

2024-05-02

2

Adriane Silva

Adriane Silva

tô esperando o relatório

2024-04-03

0

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