Ser julgado não só por meu amigo, mas por meus pais também, era a
pior coisa. Os três ficaram ali parados me julgando com o olhar enquanto eu
contava como foi a noite passada.
Claro que deixei de fora a ideia absurda de Sophie em pedir que John
tirasse sua virgindade, ninguém precisava saber daquilo.
Quando eu terminei de contar, minha mãe não esperou nem mais um
segundo antes de subir, soltando xingamentos até que estivesse longe o
bastante para não ser ouvida. Me sobrou meu pai e Cris me encarando,
prontos para começar as perguntas.
— Vamos lá, podem falar. — resmunguei sem muita vontade, mas já
sabendo que não teria para onde fugir, ter me livrado da minha mãe já era
um ótimo começo.
— Ok, eu vi a garota e ela é linda. Por que diabos você não ia querer
ficar casado com ela? Por que essa ideia idiota de cancelar o contrato?
Aquela altura a ideia parecia absurda até mesmo para mim. Teria que
tirar essa opção da mesa depois da loucura que ela fez ontem, só por ouvir
minha conversa com meus pais deixou Sophie desesperada para perder a
virgindade, isso significava que ela queria mesmo ficar casada comigo, eu
só tinha que descobrir o quanto de dinheiro estava relacionado a isso.
— Esquece isso, Cris. Pergunta alguma coisa que importe de verdade.
— Ah não, conta para ele, filho. Conta pro seu amigo sua reclamação
sobre como sua esposa é nova, tola, inocente e virgem. — meu pai abriu a
boca usando minhas palavras contra mim. — Que vai acabar colocando
esperanças e amor no meio desse casamento.
Para completar o circo, John resolveu se juntar a nós, o sorriso
estampado na cara do babaca dizia que ele tinha escutado o que meu pai
disse.
— Isso é porque vocês não sabem da discussão entre os dois, que
terminou com ela indo se trancar na biblioteca e tudo porque deu um beijo
no rosto dele. — o bocudo falou e eu o encarei diretamente nos olhos,
querendo que ele não fosse adiante com as fofocas, ou acabaria contando o
que Sophie lhe pediu.
Eu ainda não tinha tido uma conversa com ele sobre ontem, mas
assim que eu tivesse a chance ele ia me ouvir, colocar a vida de Sophie em
risco daquele jeito iria lhe custar mais do que o emprego se ele repetisse.
— Ela te beijou e você fez o que filho?
— E ele ainda estava com a máscara! — John era sem dúvida o maior
fofoqueiro dali, perdendo apenas para Holly.
— Não acredito que você fez isso. Quem é você e o que fez com meu
amigo? — Cris voltou a falar. — O Patrick que eu conheço jamais faria
algo assim.
É claro que ele não me conhecia, aquele cara não existia mais, nada
daquelas merdas que eu fazia antes existia mais.
Só em lembrar de Emily meu sangue fervia e o ódio de mim mesmo
me consumia. Talvez se eu não tivesse sido criado com tudo ao alcance das
mãos, eu fosse diferente, mais esperto e não teria caído no golpe barato
daquela vadia.
Mas uma parte de mim gritava que eu ainda era essa pessoa estúpida,
pois tinha deixado que meus pais me arrastassem para outro golpe.
— Esse homem que você conhecia morreu! — me levantei pronto
para sair dali e esquecer aquele assunto. — E não tem chances de ser ressuscitado.
Subi os degraus de dois em dois, andando com pressa até meu
escritório e me tranquei lá com a desculpa de trabalhar. Ao menos isso me
restava, podiam ter me tirado o resto, mas isso continuava como deveria ser.
Mas não demorou para que vozes animadas invadissem o corredor.
Minha mãe, Holly e aparentemente Sophie estavam conversando animadas.
Foi a batida na porta que me fez endireitar a postura e voltar minha
atenção para a tela do computador. E foi bem a tempo, pois minha mãe não
esperou antes de enfiar a cabeça na porta.
— Oi filho, queríamos te ver antes de sair. — ela abriu a porta de uma
vez, me dando a visão de Sophie vestida e pronta para sair.
— Eu pensei que ela não podia sair da cama. — constatei o óbvio, ela
deveria estar deitada na cama tomando canja e os remédios que o médico
passou.
— Oh bobinho, o seu médico disse que não tem problema uma
voltinha no shopping. — minha mãe falou contornando a mesa e vindo para
onde eu estava. — Vai fazer bem para ela sair de casa.
— E para onde as duas moças lindas vão? — meu pai entrou no
escritório e parou para abraçar Sophie, antes de se sentar na cadeira a minha
frente.
— Nós vamos à cidade, fazer compras, Sophie, eu e Holly. — dona
Audrey falou entusiasmada como em muito tempo eu não a via. — Vai ser
perfeito.
Eu não consegui evitar encarar a pilantrinha. Ela não tinha
conseguido me enganar para comprar as roupas que queria, mas foi bem
rápida em fazer a cabeça da minha mãe para conseguir o que queria.
Era uma pena para ela, pois eu não daria um centavo se quer, ela teria
que usar o milhão que já tinha arrancado de mim.
Sophie estava usando uma calça jeans colada, que desenhava as
curvas de seu corpo e uma blusa de frio. Os olhos castanhos não se
desviavam dos meus, mesmo enquanto meus pais falavam sem parar.
Ela sorriu para alguma coisa que meu pai disse e minha vontade de beijar aquela boca deliciosa cresceu de novo. Estava começando a parecer que bastava que eu chegasse perto dela, para que o desejo crescesse dentro
de mim. Merda, eu tinha que dar um jeito nisso!
— Divirtam-se, aproveitem bem o dia. — meu pai falou antes de
segurar minha mãe pela cintura e plantar um beijo demorado em seus
lábios.
Sophie sorriu com a cena e se virou para mim novamente, eu peguei
me perguntando o que estaria passando na cabeça dela agora. Ela estava
esperando que eu fosse até lá e a beijasse assim? Ou estava apenas se
lembrando dos nossos beijos?
Meus pais também me olharam em expectativa, esperando que eu
fizesse algo, mas não ia cair no truque deles, não ia ceder a algo tão
supérfluo.
— Vamos querida, vamos indo. — dona Audrey a segurou pelo braço
e saiu puxando de lá.
— E você não podia se levantar e se despedir da garota por quê? —
meu pai questionou. A cara de decepção dele não surgia mais o efeito que
ele acreditava ter.
Eu não ia dar o que eles queriam e quanto antes entendessem, melhor
seria para todos.
— Porque eu não quero! Não vou ficar trocando beijos e carícias com
Sophie como um casal bobo. Nosso relacionamento é uma transação, ela
ganha o dinheiro e me dá os filhos. Se vocês não querem cancelar, tudo
bem, mas não esperem que eu a veja além disso.
— Você diz filhos, quero ver como pretende fazer isso sem tocar na
garota.
Era uma provocação baixa, mas eu não pretendia tocá-la. Poderia
dizer o quanto eu quisesse que ela era minha esposa e estava ali para me dar
os filhos que meus pais pediram, mas isso não significava que eu ia mesmo
consumir aquele casamento. Se Sophie e meus pais estavam tão desesperados para manter o contrato, eu o faria, mas seria nos meus termos.
Foi com isso em mente que estabeleci um plano, aquela noite eu ia
aproveitar que Cris estava ali, pois ele me levaria ao lugar certo onde eu poderia pagar para tirar esse tesão do meu sistema. Se eu podia pagar uma
esposa, uma garota de programa não seria um problema.
Ao menos foi o que pensei até que elas voltaram entrando em casa
pela porta da frente, com as conversas altas e risadas, dando vida a toda
casa novamente.
Meus olhos pousaram em Sophie, que tinha um sorriso largo nos
lábios pintados de rosa, a roupa que ela usava quando saiu daqui tinha sido
trocada por um vestido vinho que descia até o meio de suas coxas, que dava
lugar a botas de salto alto que a deixavam ainda mais sexy.
— Boa noite, meninos! — minha mãe cantarolou, mas eu estava
concentrado, não conseguia tirar os olhos das botas que subiam até envolver
as coxas dela. — Quais são os planos para hoje? Eu estava combinando
com a Sophie que deveríamos ir aquele restaurante que sempre vamos,
amor.
— Isso pode ser um problema, já que eles vão sair. — ouvi meu pai
responder, mas Sophie se curvou pegando uma sacola que caiu no chão e o
decote dela me deu uma boa visão do que tinha por baixo.
Olhei em volta querendo me certificar de que ninguém tinha visto
isso, mas Cris parecia tão interessado nos seios dela quanto eu. Porra, era só
o que me faltava agora!
— Vamos a uma... Balada na cidade. — ele falou chamando a atenção
de Sophie.
Os olhos surpresos não eram só dela, minha mãe, Holly e John me
olharam do mesmo jeito. Mas era a única forma de eu aguentar aquele
inferno de tentação sem tocá-la.
— Eu quero ir também! — Sophie exclamou me chocando. Porra,
isso não, não tinha a menor chance.
— Perfeito, saímos às dez! — ouvi Cris falando antes que eu pudesse
impedi-lo.
— Não ela não vai! Vamos só nós dois e John para dirigir, e ponto
final! — enfatizei o nome de cada um para que ela entendesse que não
estava incluída.
Sai andando em direção ao segundo andar, mas Sophie tinha outros
planos, aparentemente ela não ia mais bancar a garota boazinha na frente
dos meus pais novamente.
— Oh, tudo bem. Eu vou sozinha então. — me virei pronto para
discutir. — Não quero estragar a noite dos garotos, John pode me deixar em
outro lugar no caminho.
Inferno! Eu não acreditava que ia ter que levar aquela garota a uma
balada. Nem sequer era o lugar para onde íamos essa noite, mas claro,
graças a Cris eu teria que arrastá-la a uma casa noturna, cheia de homens,
dançando e bebendo.
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Atualizado até capítulo 54
Comments
Giorgia
kkkk..... Querendo se desestressar... Aliviar.... Dela...kkkkk
Vai ter uma overdose.....kkkkkk
Bem feito!!!!
É isso aí Cris, investe pra matar ele de ciúmes....kkkk
2024-06-18
2
Lucky
que homem arrogante
2024-05-02
2
Adriane Silva
tô esperando o relatório
2024-04-03
0