Eu achei que meus piores dias tinham ficado para trás, naquela casa
maldita, mas pelo jeito eles só estavam começando. Desde que cheguei aqui
não tive nenhum dia de paz e Patrick era o responsável por isso.
Holly me encarava de forma engraçada, quase como se ela soubesse
de algo que eu ainda não havia me dado conta. Bem, se ela sabia de algo
que podia me animar, essa era a hora de contar, porque eu estava me
sentindo horrível.
— Olha só para você, mesmo depois de ontem ainda continua durona.
— John falou sorrindo entrando com o médico enquanto Holly colocava a
bandeja do meu lado na cama.
Eu queria poder enfiar minha cabeça na terra, ainda não conseguia
acreditar que tinha mesmo pedido para ele tirar minha virgindade.
— Você tem que comer querida, já basta o dia de fome ontem! —
Holly parecia decidida a me ver comer, pois empurrou um prato em minha
mão e se sentou ao meu lado.
— Desculpa por ontem, aquilo nunca deveria ter acontecido com
você. Se eu não tivesse sido tão estupido em destravar as portas...
— Nem começa, por favor. Se tem alguém aqui que deve pedir
desculpas sou eu. — Suspirei bebericando o café, antes de continuar. —Tudo o que fiz foi ridículo, eu estava bêbada e não vai se repetir. E também
espero que o que aconteceu fique entre nós.
Os dois trocaram um olhar, Holly arregalou levemente os olhos e
John coçou a nuca de forma nervosa, antes de se virar para mim com um
sorriso amarelo estampado no rosto.
— Tarde de mais querida. Todo mundo já sabe. — aí meu Deus, não
podia ser. — Em minha defesa, eu precisava contar ao Patrick, ele nunca
acreditaria que você saiu correndo do carro sem algo ter acontecido.
— O Patrick sabe? — eu quase gritei, mas o incomodo em minha
garganta me impediu.
— Claro que sabe Sophie! — Holly respondeu antes que John
pudesse abrir a boca. — Patrick é seu marido, quem você acha que chamou
a cavalaria para te encontrar? Quem tirou o médico da cama no meio da
madrugada para que te esperasse chegar?
Eu olhei para o homem parado perto de John e parecendo confuso.
— Cavalaria? — questionei ainda atordoada com o que Holly tinha
dito.
— Sim, Patrick chamou um amigo dele que é dono de uma empresa
de segurança e o fez trazer os homens dele no meio da noite. — John
parecia animado de mais quando começou a contar, até se sentou na cama
ao meu lado, continuando a tagarelar. — Todos nós entramos na floresta,
com binóculos de visão noturna, chamando seu nome. Patrick estava
mesmo preocupado com você, nunca o vi daquele jeito.
O silêncio me tomou, eu não tinha palavras para tudo aquilo, não
sabia nem mesmo por onde começar a perguntar.
Se Patrick estava mesmo preocupado comigo, por que não disse nada
essa manhã? Ele moveu todo um grupo para me encontrar e entrou no meio
das árvores na noite gelada atrás de mim, mas hoje já começou a me chamar
de interesseira. Eu não conseguia entender aquele homem, qual era o
problema dele?
— Está bem John, já chega! Sai daí e deixa o doutor examinar a
menina, ela não está parecendo muito bem.
Ele fez exatamente o que Holly mandou, mas enquanto o doutor me
examinava, tudo o que eu conseguia pensar era: o que tinha passado pela
cabeça de Patrick quando John lhe contou o que pedi.
Uma batida na porta fez os dois homens se afastarem rapidamente de
mim, quase como se temessem que Patrick entrasse e desse um show por
vê-los perto de mais.
Mas ao invés do brutamontes ranzinza entrar, Audrey colocou a
cabeça para dentro, me surpreendendo.
O que ela estava fazendo aqui? Eu ia ter algum dia normal naquela
casa?
— Ouvi dizer que tinha alguém doente aqui. — ela foi entrando com
o sorriso largo no rosto. — Como você está menino? — ela cumprimentou
John com um abraço e ele logo saiu do quarto com o médico. Então ela se
virou para Holly, abraçando forte a mulher, como se fossem velhas
conhecidas. — Como você está? E nosso garoto continua aprontando, não
é?
— Você não tem ideia. — Holly respondeu dando batidinhas leves na
mão dela, pelo jeito as duas eram mesmo velhas conhecidas. — Estamos
torcendo para que uma certa pessoa consiga colocar um pouco de juízo na
cabeça dele.
As duas se viraram para mim com um sorriso cúmplice. Se elas
estavam falando de mim, sem dúvida aquela seria a parte impossível. Eu
não conseguia nem ao menos fazer o homem me ouvir sem que
começássemos a brigar como loucos.
— Oi senhora... — ela ergueu um dedo me repreendendo e eu parei a
frase no meio e a reformulei. — Audrey.
— Agora sim. Oi minha querida. Como você está? Soube do que
aconteceu ontem, ainda não acredito que Patrick a deixou sozinha para isso
acontecer.
— Ele não teve...
— Não, não, nem tente defendê-lo. — ela se sentou a minha frente e
segurou minhas mãos com cuidado. — Holly me conta tudo o que meu filho apronta e eu sei que ele não tem sido um bom marido.
Eu quis rir, fazia apenas três dias, não éramos bons em nada, nem
mesmo em conversar. Mas eu não ia contar isso a ela, não agora ao menos,
não tínhamos a mesma relação que ela e Holly.
A intimidade que eu via entre as duas não era como nenhuma outra
que eu já tivesse visto entre uma patroa e empregada, Audrey não a tratava
assim e estava claro, as duas agiam como amigas. Até mesmo com John a
mulher foi amável.
Acho que tinha entendido errado e ela não havia me tratado bem só
porque eu estava casando com seu filho. Aquele era realmente o jeito dela,
amigável com todos.
— Mas cá entre nós, Patrick finalmente encontrou alguém a altura. —
Holly murmurou me tirando dos meus pensamentos. — Sophie pode ser
doce e delicada, mas quando o enfrenta é de igual para igual à briga.
Arregalei os olhos sentindo nossas bochechas queimarem de
vergonha. As duas explodiram em uma gargalhada me deixando com ainda
mais vergonha.
— Não fique assim querida, isso é bom. Os homens precisam de
mulheres que entrem em conflito com eles, baixar a cabeça e dizer sim
senhor para tudo os deixa entediados. — Audrey falou alegremente, sem se
importar de estar me dando conselhos para usar com o próprio filho.
— E aposto que está aqui porque já ficaram sabendo da minha
besteira em ficar perdida na mata.
— Oh, não. Só ficamos sabendo disso quando chegamos aqui. — ela
falou, me deixando confusa. — Nós viemos aqui porque nosso filho é um
idiota e estava precisando de ajuda para se acertar com você.
Então ela estava ali por conta da ligação dele ontem a tarde, eles
tinham ido ali falar com ele sobre o nosso contrato de casamento. As coisas
não estavam melhorando para o meu lado.
— Então é sobre a ligação? — um vinco se formou na testa dela e o sorriso sumiu no mesmo instante. — Eu ouvi a conversa de vocês no telefone. Não foi minha intensão no começo, mas eu não consegui ir
embora depois que o ouvi gritando.
— Aí meu Deus Sophie. Não era para você ter escutado aquelas
bobagens do meu filho. — a expressão dela mostrava o quanto estava
desapontada com a notícia, Holly era a única que não sabia do que
estávamos falando. — Foi por isso que você fugiu, não foi?
— Sim e não, esse foi o motivo para que eu fosse até a cidade e
bebesse um pouco. Foi a bebedeira que me fez fazer aquela besteira. —
nem morta eu ia contar a minha sogra que eu quase implorei para outro
homem tirar minha virgindade.
— Nós vamos dar um jeito nele, Patrick vai me ouvir...
— Não, acho melhor não brigarem com ele por isso. — a interrompi,
não queria ninguém brigando com ele para que ficasse comigo, tinha outro
jeito de conseguir o que eu queria. — Mas tem uma coisa que vocês podem
fazer para me ajudar.
Patrick tinha reclamado da minha pureza e Rosa me disse que deveria
seduzi-lo, eu só precisava saber como. Nunca tinha conversado sobre essas
coisas com amigas, ou feito nada disso, só o que eu sabia estavam nos
livros.
Mas aquelas duas mulheres a minha frente conheciam Patrick muito
bem e poderiam me ensinar o que fazer para acabar com a sanidade mental
dele, até que não lhe restasse outra saída a não ser me tomar como sua
mulher.
Patrick Carter, você não tem ideia do que te espera!
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Atualizado até capítulo 54
Comments
Raquel Martins
Estou amando o livro! 💞
2024-05-16
4
Adriane Silva
😏
2024-04-03
1
HENEMANN- MEDEIROS. Henemann
Heita 🤭 Sophia vai consigo domar esse homem 😁😁
2024-03-26
0