Sophie

Abri meus olhos sendo recebida pelo escuro, tudo estava um breu,

mas agora eu sentia algo fofo em baixo de mim e não um tronco duro e frio.

Meus músculos estavam doloridos, eu me sentia como se tivesse sido

atropelada ou corrido uma maratona, todo meu corpo doía e foi um

sacrifício até que eu conseguisse mexer uma mão e tocasse os lençóis.

Então me dei conta de que havia uma mão sobre a minha, tentei

ajustar meus olhos para conseguir ver naquele escuro, mas não consegui ver

nada.

Não conseguia me lembrar do que tinha acontecido, como consegui

sair daquela floresta congelante. A última coisa que eu me lembrava era de

estar muito frio e escuro, eu não conseguia ver muito a minha frente,

mesmo assim continuei andando até não aguentar o frio e a fome, então me

sentei esperando pelo pior.

— Sophie, você acordou? — a voz de Patrick soou em meio a

escuridão e eu travei.

O que ele estava fazendo ali? Provavelmente esperando que eu

acordasse para brigar comigo por minha estupidez, ou pior, me mandar

embora.

Céus, se John tivesse dito a ele o que pedi no carro eu estava ferrada,

Patrick já me detestava, se achasse que eu podia traí-lo ele com certeza me mandaria embora. Mas se pensasse que eu estava mal, ele poderia me

deixar ficar, ao menos até eu me organizar e descobrir como fazer para

seduzi-lo. Como Rosa disse, eu precisava mostrar como era sexy, linda e

decidida.

— Estou com frio. — menti descaradamente, deixando minha voz

manhosa e fraca.

— Vou chamar o médico. — ele respondeu se levantando, mas

segurei firme em sua mão.

— Não, não vai. — tinha que fazê-lo ficar ali, o médico poderia lhe

dizer que eu estava bem e eu só queria mais um pouco de tempo com ele.

— Deita aqui comigo, me ajuda a me esquentar.

Foi aí que ele hesitou, ao invés de pular na cama ao meu lado ele

continuou de pé paralisado. Pelo menos não tinha corrido como das outras

vezes, então eu continuava a pensar que meu estado de doente me ajudaria

com ele.

— Sophie, você está fraca, precisa do médico.

— Só por um momento... Patrick, só fica um momento. — pedi

fazendo minha voz falhar, como se ainda estivesse sob os efeitos do frio.

Então quando eu já acreditava que ele me soltaria e sairia do quarto,

Patrick relaxou a mão e voltou a se sentar. Ele subiu na cama com cuidado,

até que as costas estivessem contra a cabeceira, nossas mãos continuaram

unidas e eu tomei a liberdade de me aproximar dele.

O cheiro de seu perfume invadiu meus sentidos, me levando a

lembrar dos seus beijos, dos toques. Mas eu não podia ir por esse caminho,

não agora e muito menos enquanto eu não estivesse pronta para seduzi-lo.

Se o “não” de John serviu para alguma coisa, foi para me mostrar que

eu não podia fazer isso com outra pessoa, Patrick era o meu marido e eu

não podia traí-lo, eu tinha que arrumar uma forma de conquistá-lo.

Fechei meus olhos com esse pensamento, podia não ter ficado feliz

com aquele casamento arranjado, mas agora eu não queria voltar para a casa

do meu tio, ou ele ia acabar me matando.

— Volte a dormir, você teve um dia muito longo. — ouvi a voz grossa

murmurar e com meu rosto quase colado no braço dele, eu fechei os olhos,

relaxando e deixando que o sono me dominasse.

Quando o sol nasceu invadiu as cortinas abertas, acertando meu rosto

e me fazendo despertar. Ainda estava dolorida e aparentemente gripada,

percebi quando meus olhos lacrimejaram e engolir foi difícil. Mas tudo isso

se ofuscou quando abri os olhos e dei de cara com Patrick.

Ele estava dormindo pacificamente e pela primeira vez eu o via sem a

máscara. As sobrancelhas grossas estavam relaxadas, as pálpebras fechadas

deixando apenas os cílios grossos a vista. Meus dedos coçaram com a

vontade de tocar a barba cheia que contornava os lábios grossos, eu

conseguia ver alguns fios brancos na barba que o deixam ainda mais

sensual.

O desejo de beijá-lo só cresceu ainda mais dentro de mim, mas sabia

que se eu fizesse isso Patrick iria acordar e surtaria quando visse que eu o

estava vendo sem a máscara.

Bem, ao menos parte dele, o lado esquerdo do rosto, estava escondido

contra o travesseiro, não me deixando ver qual eram os machucados dele.

Mas eu duvidava que qualquer que fosse o deixaria feio, Patrick era lindo e

aquela constatação me fez querer ainda mais seduzi-lo.

Ele ainda estava vestido com o jeans de ontem mais cedo, até os

mesmos sapatos no pé. Eu sabia que não os planos dele não eram de dormir

ali, mas eu tinha adorado acordar e descobrir que ele continuou ali, comigo,

a noite toda.

Me levantei com um cuidado redobrado, a dureza dos meus músculos

me ajudou a ser uma verdadeira lesma até eu alcançar o banheiro.

Estava lavando minhas mãos quando meus olhos se prenderam no

espelho a minha frente, eu estava um caco, minhas olheiras estavam mais

fundas e escura, e meu nariz e bochechas estavam terrivelmente vermelhos.

Joguei uma água no rosto e escovei os dentes, antes de arrumar os

cabelos, uma tentativa meio inútil de melhorar a minha aparência. Sai do

banheiro da maneira mais silenciosa que consegui, mas Patrick já estava

acordado, sentado na cama e com a máscara cobrindo todo o rosto.

— Bom dia. — a voz grossa retumbou em meu peito, me arrepiando

por completo.

— Bom dia, Patrick. — murmurei baixo, mas sai de onde estava,

mesmo que temesse a reação dele, e fui em direção a cama. — Não vi seu

rosto se é com o que está preocupado, estava escondido contra o

travesseiro.

Ele desviou o olhar de mim, virando o rosto mascarado para o outro

lado e se levantou antes que eu pudesse me sentar ao seu lado.

— Como está se sentindo?

— Não muito bem, meu corpo todo dói, acredito que estou gripada, e

minha garganta está inchada. — eu queria dizer que estava bem e agradecer

por ele ter me salvado, mas também sabia que se eu fizesse isso ele poderia

começar com os gritos e insultos.

— O médico ainda está aqui, vou pedir para que te examine antes de

ir.

— Não precisa se preocupar, eu nunca fico doente, então tenho

certeza que vai passar rápido.

Também não me lembrava a última vez que tinha ido a um médico,

com certeza não ia a um desde os meus doze ou treze anos.

— Não te quero doente e após ter chegado aqui hipotérmica, acho

melhor não arriscar. — ele falou indo até a porta da varando e abrindo,

deixando o sol entrar e o ar fresco invadir o quarto. Não estava quente, mas

era uma agradável brisa.

Eu não sabia se comemorava a parte dele não me querer doente, ou se

ficava desapontada com a parte sobre eu ter chegado ali hipotérmica,

porque isso queria dizer que ele não tinha ido ao meu encontro, John

provavelmente me procurou sozinho e me tirou de lá.

Teria que perguntar a ele que mentira contou a Patrick, para que eu

não acabasse falando besteira.

— Acho que antes vou descer e comer alguma coisa, estou morrendo

de fome. — poderia ser uma desculpa para encontrar John, mas não era uma

mentira, eu estava morrendo de fome.

— Vou pedir para Holly trazer seu café, você fica na cama

descansando até o doutor liberar. — ele mexeu no relógio em seu pulso e só

quando a voz de Holly passou por lá foi que entendi que ele tinha ligado

para ela.

— Sophie já acordou? — ela foi direta.

— Sim, ela acordou. Pode trazer o café para ela, sei que está ansiosa

para vê-la. — ele desligou a chamada e eu me lembrei de anotar que ele

fazia tudo com aquela coisinha em seu pulso. — Já que estávamos falando

de você congelar, onde estão as suas roupas?

— No closet, dentro da mala. — respondi ainda incerta do que ele

queria com aquilo. — Não desfiz as malas porque queria fazer quando me

sentisse mais em casa.

Patrick esfregou a nuca e eu podia jurar que o ouvi trincar os dentes.

— Por que não trouxe mais roupas? Preferiu deixá-las no seu tio para

o caso de voltar?

Do que ele estava falando? Não fazia sentido aquilo.

— Patrick, eu trouxe todas as minhas roupas. — respondi baixinho e

ele bufou, como se não acreditasse nas minhas palavras. — Não sei o que

você ouviu por aí, mas eu não sou rica, meu tio é e eu sempre vivi com o

que ele me dava. A empresa do meu pai, assim como as ações no meu nome

e as contas, eu só posso receber quando fizer vinte e um anos, até lá eu não

tenho nada.

— Como não tem nada? — ele bradou vindo mais perto da cama e

fechando os punhos com raiva. — Um milhão que foi para sua conta

deveria ser mais do que suficiente para comprar roupas para você! Ou é tão

amante do dinheiro que vai passar frio até que eu lhe compre um guarda￾roupa novo?

— De que porra está falando? — gritei, perdendo a paciência e me

esquecendo do que prometi. — E quem disse que eu quero que me compre

alguma coisa? Pode pegar seu dinheiro e enfiar no seu rabo, prefiro morrer

de frio do que ser tratada como uma interesseira!

Me alterei tanto com as palavras dele, que acabei ficando de pé na

cama só para poder gritar com o rosto próximo ao dele.

Nossas respirações estavam ruidosas, descompassadas e nossos olhos

trocavam farpas. Merda, eu não conseguia negar que queria que ele me

beijasse como no outro dia.

— Posso saber o que é isso? — Holly perguntou da porta. Tínhamos

ficado tão concentrados em gritar um com o outro que nem percebemos que

Holly, John e um homem estranho, estavam na porta do quarto nos

encarando.

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Comments

Anonymous

Anonymous

Nossa, parei de ler, tenho nojo de quem implora atenção ou carinho

2024-08-04

0

Anonymous

Anonymous

Nossa, está me dando nojo esse livro, com essa menina idiota, some e só volta quando for para receber a herança, fica se humilhando pra esse escroto idiota

2024-08-04

0

HENEMANN- MEDEIROS. Henemann

HENEMANN- MEDEIROS. Henemann

Aí meu Deus 😁 que delícia esses dois viu i🤩

2024-03-26

3

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