Patrick

Meu sangue ferveu com as palavras de John e por mais que eu

quisesse ficar ali e socar a cara do babaca, tinha que encontrá-la primeiro,

Sophie estava congelando na noite lá fora, perdida em uma mata que não

conhecia nada.

— Que roupa ela estava? Quero que rastreei o celular dela. — bradei

subindo dois degraus a cada passo, enquanto apertava o contato de Chris.

— Ela estava com um casaco e suéter, mas acabou arrancando tudo,

consegui empurrar nela o casaco antes que ela fugisse. — parei meus passos

e respirei fundo, tentando ter um pouco de autocontrole ao pensar nela

tirando a roupa para ele. — E chefe, ela não tem celular.

— Como Sophie não tem celular? Em que século ela vive e por que

eu não sabia disso? — gritei me virando para ele esperando por uma

resposta e ignorando a voz do meu amigo do outro lado da linha.

— Está no relatório sobre ela, achei que o senhor teria lido a essa

altura.

Bufei me recriminando por não ler aquela porra de uma vez, fiquei

tão ocupado em colocar um fim naquele casamento que não pensei em ler o

que tinha pedido a ele.

— Rossi! — rosnei o sobrenome de Cris para ele entender que não

estava para brincadeiras. — Preciso de você aqui agora, com todos os seus homens.

— Vou reunir a tropa. Pode me adiantar o assunto? — perguntou sem

rodeios, meu amigo era dono de uma agência de seguranças particulares, se

alguém tinha os recursos e homens treinados para encontrar Sophie o mais

rápido possível, era ele.

— Minha esposa se perdeu na montanha, ela não conhece nada aqui,

estava bêbada e com uma roupa que vai fazê-la congelar em minutos!

Eu só conseguia imaginar o que estava se passando na cabeça dele,

enquanto ouvia minhas palavras, já que Cris não tinha ideia de que eu havia

me casado novamente.

— Vamos encontrá-la, Patrick! — ele exclamou e desligou a

chamada. Tínhamos que encontrar Sophie rápido, só assim ela ficaria bem.

— Chame o médico, o quero aqui o mais depressa possível.

John saiu dali e eu me virei para o escritório, mas meus olhos se

prenderam na porta do quarto de Sophie, mesmo estando fechada uma

vontade imensa de entrar ali se apossou de mim.

Abri a porta enfiando a cabeça dentro do quarto, olhei em volta antes

de entrar de uma vez, como se ela fosse aparecer a qualquer momento e me

repreender por invadir seu quarto.

O cheiro do perfume dela tomou meus sentidos quando fechei a porta

atrás de mim, a cama estava impecavelmente arrumada, havia um livro na

mesa de cabeceira e nada mais que indicasse que alguém vivia ali.

Eu não sabia nada daquela garota e ainda sim meu coração se

apertava com medo de que eu não a visse outra vez, um gosto amargo

invadiu minha boca com esse pensamento. Mas tratei de sacudir a cabeça,

afastando aquela ideia de merda.

Sophie ia estar ali logo, e ia precisar de uma roupa quente quando a

encontrássemos. Andei até o closet dela e me choquei ao abrir e não

encontrar nada ali, apenas uma mala pequena.

— Mas que porra é essa? — me abaixei abrindo a mala e descobrindo

que as roupas ainda estavam ali, o vestido que ela tinha usado no outro dia,a roupa dessa manhã, tudo estava dobrado e guardado naquele espaço

apertado.

Onde estavam as outras roupas e sapatos dela?

Sai dali descendo as pressas, corri para o andar de baixo já gritando

por Holly, não demorou para que ela me alcançasse na sala.

— O que aconteceu Patrick?

— Onde estão as roupas de Sophie? Ainda não chegaram ou o quê?

— ela baixou a cabeça parecendo desapontada, provavelmente estava

esperando que ela tivesse chegado em casa.

— A menina me disse que aquelas roupas são tudo o que ela tem e eu

insisti para arrumar no closet, mas ela me disse que colocaria quando se

sentisse em casa.

Como aquilo era tudo o que ela tinha? Meia dúzia de trocas de roupa

não eram um guarda-roupa. Que porra os tios faziam com ela? Sabia onde

encontraria as respostas, o relatório que John fez sobre sua vida me diria o

que eu precisava saber.

Mas antes que me virasse e subisse para o escritório, o barulho de

carros me chamou a atenção. Cris havia chegado! Sai de lá correndo, sem

nem esperar que eles entrassem, precisávamos ir o mais rápido possível.

— Cris! Que bom que chegou logo!

— Vamos rápido com isso, a noite só vai ficar cada vez mais gelada.

— peguei meu celular mostrando a ele uma foto dela, não sabia se seria

necessário, mas poderia ajudar.

— Sophie Carter, o nome dela. — murmurei me virando para os

outros, cerca de dez homens que vieram com ele.

Saímos de lá e os carros seguiram cada um para uma direção da

montanha, enquanto John nos levava até o lugar onde a tinha perdido.

Descemos do carro, todos equipados com roupas pesadas para o frio e Cris

me passou um binoculo para ver no escuro que se estendia a nossa frente.

Entramos na floresta chamando por ela, gritando seu nome cada vez

com mais desespero, enquanto entravamos mais ainda ao fundo no denso das árvores.

A cada segundo que passava sentia meus dedos ficando gelados,

minhas bochechas estavam frias e eu só conseguia pensar em quanto frio

ela estaria sentindo.

— Sophie? Sophie, onde você está? — gritei de forma incessante, as

vozes dos homens em volta já conseguiam ser ouvidas, o que significava

que estávamos fechando o cerco. — Sophie fala comigo! Sou eu, Patrick.

Um gemido ao longe nos chamou atenção, todos pararam de falar e

andar para tentar ouvir novamente. Não tínhamos visão de nada, nenhum

movimento capturado com os olhos, nenhuma silhueta que não fosse as

árvores e galhos no nosso caminho.

— Fale de novo, parece que ela só quer responder a você. — Cris

ordenou e mesmo que achasse ser difícil, um calor invadiu meu coração

com a ideia.

— Sophie! É o Patrick, onde você está? — gritei me virando em

todos os lados e parando de falar para tentar ouvi-la. — Fala comigo

querida, me responde!

— Não é real... preciso ir, preciso continuar. — ouvi a voz mais nítida

agora e corremos para lá.

Sophie estava caída no chão, encolhida em posição fetal contra uma

árvore. Seu corpo tremia e ela falava consigo mesma, mas não parecia ter

força para nada.

— Sophie, Sophie, estou aqui! — me abaixei jogando meu casaco

sobre o corpo dela, antes de pegá-la em meu colo. — Estou aqui, vamos

para casa agora.

— Cuidado, se o sangue dela esquentar rápido de mais pode ter uma

parada cardíaca. — Cris gritou correndo a minha frente de volta para o

carro.

Entrei no banco de trás, deixando que ele e John fossem à frente

enquanto Sophie divagava no meu colo, os olhos lutando para se manterem

abertos e as falas sem sentido.

— Tio Charles... vai me matar... não, não posso voltar...

— Ela está delirando, temos que correr. Os batimentos estão muito

devagar e os tremores estão aumentando.

— O chicote... ele vai... — Sophie fechou ficou terrivelmente quieta e

eu bati em seu rosto desesperado, querendo que ela voltasse a si, que abrisse

os olhos e voltasse a falar besteiras novamente. — Patrick, — ela

murmurou quando os olhos se focaram em meu rosto por um segundo, antes

que as pupilas oscilassem. — Por que não me quer? Por que... virgem,

pura...

Ela repetia as minhas palavras em sua alucinação, era terrível, mas eu

estava mais preocupado com o estado dela naquele momento.

Quando o carro entrou nos portões da propriedade, eu avistei o doutor

de minha confiança, sair de dentro da casa com Holly. O olhar preocupado

dela se recaiu sobre a Sophie de olhos fechados, balbuciando, e eu sabia que

o mesmo olhar estava estampado em meu rosto.

Entrei direto indo para o quarto dela, a coloquei na cama já

começando a ajudá-la a se livrar das roupas frias.

— Preciso que me dê espaço para cuidar dela agora, senhor Carter. —

o doutor falou após arrumar os instrumentos e se aproximar dela.

Eu nem tinha me dado conta que estava debruçado sobre ela,

acariciando o rosto desacordado até que ele falasse. Então me afastei,

ficando de pé ao lado da cama e deixando que ele começasse a tratá-la.

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Comments

Lucky

Lucky

coitada

2024-05-02

5

Adriane Silva

Adriane Silva

isso e só o que ela tem seu ogro

2024-04-03

1

HENEMANN- MEDEIROS. Henemann

HENEMANN- MEDEIROS. Henemann

Esses tios da Sophia tem que sofrer muito 😠malditos

2024-03-26

0

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