Patrick

Fiquei o resto do dia enfiado no escritório e mesmo que dissesse estar

lendo um contrato, na verdade, ainda estava preso na primeira página

depois de horas.

E tudo era culpa de Sophie, eu não conseguia desviar meus

pensamentos dela, por mais que eu tentasse sempre acabava voltando ao

momento na biblioteca. Os gemidos dela invadiam meu pensamento, a

sensação de sua pele macia se arrepiando com meu toque e então o calor

que emanava de sua intimidade, molhada e apertada contra meu dedo e lá

estava eu de novo com uma ereção dolorida e perdido em pensamentos.

Eu não podia continuar com aquilo, tinha que tirar ela da cabeça ou

não conseguiria fazer nada até que me enterrasse em sua boceta apertada.

Não era minha intenção ligar para o meu pai só para reclamar disso,

mas tomado pelo desejo e a frustração de saber que não poderia tê-la, eu

acabei discando o número dele e colocando tudo para fora.

— Acham mesmo que vou fazer filhos com uma tonta? É melhor

arranjarem outra, muito promíscua de preferência, ou nada de netos!

A linha ficou em silêncio e eu torci para que eles estivessem

cogitando a ideia de cancelar tudo.

Mas parte de mim queria beijá-la de novo, até que nos esquecêssemos

do motivo para estarmos casados, até que só existisse nós dois. Meu corpo queria fazer ela queimar por mim até que implorasse para que eu a fizesse

minha.

Porém, eu não podia ceder a isso, era apenas a necessidade de sexo

falando mais alto e quando passasse eu me arrependeria de ter tocado nela,

por trazer uma inocente para essa vida de merda a que eu estava preso.

— Bem, para uma tonta ela parece ter mesmo entrado em seu sistema.

— meu pai provocou, me pegando de surpresa.

— Eu estou irritado, apenas isso. Foram vocês que vieram com essa

ideia de casamento por contrato, mas não tiveram a noção de arrumar uma

mulher que soubesse o que estamos fazendo aqui. A garota vai acabar se

apaixonando e quebrando o coração quando ver que não é correspondida.

— Você parece se importar com ela, afinal. — a voz complacente do

meu pai dizia que ele não ia mesmo desistir de me fazer ficar feliz com ela.

— Então é isso? É o que vocês querem, que eu não só viva infeliz,

mas que também arraste uma garota com a vida pela frente para minha

infelicidade?

— Filho, porque você ao menos não tenta dar a essa jovem uma

chance? — mamãe questionou com a voz doce. — Por que não tenta se

entender com ela? Vocês podem ser felizes juntos se tentar.

Bufei ouvindo a ladainha sobre felicidade e amor que ela tentava me

fazer engolir. Mas a verdade é que desde Emily eu nunca mais seria capaz

de acreditar no amor, aquela vadia tinha feito um excelente trabalho em me

fazer rever tudo o que eu acreditava saber desde pequeno.

Eu tinha sido criado em um lar amoroso, tive uma vida regada do

bom e do melhor, dinheiro, viagens, carinho, tudo o que eu queria era

entregue em minhas mãos de forma fácil. Mas foi só casar com aquela

diaba para descobrir o que a vida era de verdade e então eu finalmente

acordei começando a ver fora da bolha.

Descobri da pior forma que, na verdade, as pessoas são mesquinhas e

egoísta, sanguessugas sedentas por dinheiro e querendo suprir seus próprios

desejos.

— Vocês me ouviram, cancelem esse contrato e arrumem outra

mulher se quiserem mesmo um neto!

Apertei o botão colocando um fim na ligação e me joguei na cadeira

novamente. Sophie e eu não podíamos nos envolver mais do que já nos

envolvemos, tinha sido um erro tremendo e teria sido bem pior se eu tivesse

levado ela para cama. A garota tinha que ir embora dessa casa e para longe

de mim.

Minha respiração ficou descompassada, com o mero pensamento de

Sophie indo embora. Logo ela encontraria um homem da idade dela que

poderia dar todas as baboseiras que ela sonhava, como John disse, não

tinham meninas como ela solteiras por aí e ela não demoraria a ocupar a

cama de alguém.

Voltei meus olhos para a tela do computador voltando a ler o contrato

e só no fim da tarde consegui finalizar aquela merda. Meus pensamentos

ficaram indo e vindo na conversa que tive com meus pais, em especial as

últimas palavras da minha mãe: "Porque não tenta se entender com ela?

Vocês podem ser felizes juntos se tentar."

Como eu poderia fazer alguém feliz se eu passava todos os dias me

sentindo infeliz por deixar uma mulher estragar minha vida.

Antes que me desse conta, eu abri o programa de vigilância e comecei

a olhar as câmeras procurando por ela. Passei cada uma delas tentando

encontrar os cabelos longos castanhos, o corpo pequeno escondido em

algum lugar, mas não a achei.

Onde ela podia ter ido? Tinha câmeras em todos os lugares, até

mesmo no quarto dela, onde ela poderia ter se escondido?

Sai de lá indo atrás de Holly, ela com certeza poderia me dizer onde

Sophie tinha se enfiado.

— Holly, você sabe onde Sophie está? Preciso ter uma conversa com

ela, mas não a encontrei em lugar nenhum. — perguntei quando entrei na

cozinha, mas a mulher não se virou, nem se dignou a responder, continuou

remexendo nas panelas. — Holly? O que foi agora?

— Senhor me diga a hora que deseja que o jantar seja servido, não vai

ter problemas em fazer a sua vontade já que é o único a jantar em casa essa noite.

O deboche e a irritação no tom dela não passaram despercebidos, mas

o que chamou minha atenção foi ela dizer que eu seria o único a jantar hoje.

— Onde Sophie está? Para onde John foi que não me avisou nada? E

o que aconteceu para te deixar tão irritada? — perguntei, mas o que mais

me incomodava era a primeira coisa, onde Sophie estava.

— A resposta para todas elas é a mesma, você continua a destruir

suas chances de felicidade e não vê que está destruindo a de pessoas a sua

volta também.

Oh céus, do que ela estava falando agora? E por qual razão todos

tinham tirado o dia para falar sobre felicidade?

— Holly agora não é a hora de falar em enigmas, preciso saber onde

ela está!

— John a levou para a cidade. — não acreditava que ele tinha feito

isso sem me falar, minha expressão deve ter me entregado, pois ela

continuou. — Sophie implorou para que ele a levasse o mais rápido

possível.

— E por que isso? Porque ela implorou e mais importante, porque ele

a levou sem consultar? — rosnei as palavras já sentindo meu sangue ferver

só de imaginar o que poderiam estar fazendo longe daqui.

Não deveria sentir ciúmes, especialmente porque John não faria nada

com ela, mas isso não impedia que eu ficasse possesso imaginando ela

longe.

— Provavelmente porque ela se deu ao trabalho de preparar dois

pratos e subir até seu escritório para almoçar com você, mas voltou minutos

depois chorando. — Holly se virou para mim e cruzou os braços com os

olhos transbordando de raiva.

— Ela não foi até o escritório... — minhas palavras morreram quando

me dei conta que ela podia ter escutado toda a discussão com meus pais.

Porra, não podia ser isso! Se Sophie tivesse mesmo escutado o que

falei, ela com certeza já estaria muito longe dali, iria colocar a maior distância entre nós dois e ainda daria um jeito de levar o dinheiro do

contrato.

Então meu pensamento formou a imagem dela com outro homem já,

se divertindo na cidade já que entendeu que eu não a queria. Um gosto

amargo preencheu minha boca no mesmo instante, meu dia não tinha

mesmo como piorar.

— Patrick! Patrick! — ouvi John gritando e fui em direção a ele,

antes mesmo que ele alcançasse a escada eu o parei.

— O que diabos estava pensando quando levou Sophie para fora

daqui sem me falar? — bradei sem deixar que ele dissesse nada.

— Chefe, eu te explico tudo depois, mas primeiro precisamos correr,

pois Sophie está perdida na montanha! — ele exclamou afobado e eu engoli

em seco, um frio se instaurou na boca do meu estômago quando medo me

tomou.

— Como isso aconteceu? Como foi que deixou ela se perder na

floresta?

— Ela... Nós estávamos... Sophie bebeu mais do que devia e quando

voltamos ela começou a falar umas coisas estranhas, ela tentou...

— Porra, John, fale de uma vez, seu idiota! — meu tom alto

reverberou pelas paredes da sala de estar.

— Ela queria transar comigo! — ele cuspiu as palavras e eu vi

vermelho, dei duas passadas largas e o puxei pelo colarinho. — Mas eu não

fiz, não fiz e ela correu! — John se apressou em dizer. — Sophie começou a

falar que precisava perder a virgindade, porque você não queria uma mulher

inocente e ela precisava dar um jeito nisso.

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Comments

Katia Sousa

Katia Sousa

eita e agora kkkkk

2024-07-21

2

baixinha

baixinha

kkkkk to amando sua história Autora

2024-05-14

2

HENEMANN- MEDEIROS. Henemann

HENEMANN- MEDEIROS. Henemann

Verdade 🤨

2024-03-26

2

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