Eu já não entendia mais nada, em um minuto tudo estava bem,
parecíamos finalmente estar nos entendendo e no outro ele estava correndo
para longe de mim.
Tentei me virar quando ele parou e tirou os dedos de perto de mim,
mas me segurei e não me virei para confrontá-lo, não sei o que poderia ter
feito Patrick me largar ali naquela biblioteca. Eu estava de costas para ele e
sua máscara ainda cobria o rosto, não tinha a menor possibilidade de que eu
conseguisse vê-lo.
Ainda conseguia sentir os dedos dele sobre meu corpo, apertando,
massageando e me penetrando. Esfreguei a mão em meu pescoço sentindo o
calor subir só em pensar nos lábios dele ali.
Eu não podia deixar que ele fizesse isso de novo, me beijasse, me
tocasse, acendendo meu corpo por inteiro e sair correndo no minuto
seguinte, como se o inferno tivesse chegado a terra.
Sai de lá marchando decidida a fazê-lo me dar ao menos uma
explicação para o surto de hoje, mas foi só chegar ao corredor principal que
trombei com uma muralha e mãos fortes me seguraram para não cair.
— Cuidado Senhora. — a voz de John soou antes mesmo que ele me
erguesse. — Correndo assim pode acabar se machucando.
— Te disse para me chamar de Sophie e não de senhora.
John era quase da minha idade, ele me contou na viagem para cá que
tem só vinte e cinco anos, não tinha motivos para me chamar de senhora,
sem falar no quanto eu detestava ser chamada daquela forma.
— Se o chefe me escutar chamando a senhora assim, ele me mata. —
ele disse com um sorrisinho que não me permitia dizer se era uma
brincadeira ou verdade. — Ele ficou com raiva quando eu falei o quanto é
bonita e disse com todas as letras que eu ficaria sem os dentes se falasse
sobre você assim novamente.
— Ele não disse isso. — murmurei incrédula de que o mesmo homem
que jogava na minha cara que eu só estava ali para ter seus filhos cada vez
que tinha a chance, se importaria em ouvir outro homem me elogiar.
— Por que eu mentiria sobre isso? E para não arriscar é melhor eu
tirar as mãos da senhora também. — ele respondeu parecendo mais sério,
soltou meus braços e deu um passo para trás.
Eu já não estava entendendo nada, por que o homem ficaria fugindo
de mim assim e para os outros agia como um marido ciumento?
— O que está acontecendo aqui? — Holly apareceu nos pegando de
surpresa.
— Eu estou tentando dizer para Senhora Carter o quanto o patrão é
ciumento e que eu devo manter distância. — ele ergueu as mãos como se
quisesse comprovar que estava longe de mim. Mas a senhora era bem mais
esperta que ele e acertou um tapa em seu braço. — Ai, o que foi que fiz
agora?
— O que você não fez, dê o fora daqui e me deixe conversar a sós
com Sophie. — o homem não perdeu tempo, apesar do tamanho dele, Holly
colocava medo em qualquer um. — Agora vem aqui querida, me conta o
que aconteceu que você está com essa carinha de confusa?
Me deixei ser guiada até a cozinha e o cheiro da comida finalmente
abriu meu apetite, o ronco do meu estômago deve ter sido tão alto que até
ela ouviu, pois Holly se afastou e começou a me preparar um prato.
— O que aconteceu com Patrick? — joguei a pergunta na lata, não era o principal motivo da minha expressão de confusão, mas me levaria até o objetivo. — Porque ele se esconde nessa casa e usa aquela máscara. Eu
sei que foi um acidente, mas como? Como isso aconteceu?
Holly voltou com um prato cheio de uma lasanha que encheu minha
boca de água só em olhar.
— Essa história não é minha para eu te contar, na hora certa tenho
certeza que Patrick vai te dizer tudo o que quiser saber. — ela respondeu
com uma paciência de dar inveja, até mesmo a expressão dela era de
calmaria, quando tudo o que eu queria fazer era gritar com ele.
— E até lá eu faço o quê? Engulo os ataques dele, finjo que ele não
existe, relevo todas às vezes que me beija e corre? — eu sabia que não
deveria estar falando com ela sobre isso, para Holly ele era ótimo, mas eu
não tinha mais ninguém para desabafar ali.
— Às vezes? Ele te beijou de novo?
Mordi o lábio sem jeito, a euforia dela me dizia que aquilo
provavelmente era um milagre que não esperavam tão cedo.
— Ele foi até a biblioteca e nós... — como eu diria o que fizemos a
ela? — Nós não nos beijamos, ele não queria tirar a máscara, mas ele me
tocou e...
— Ok, eu já entendi menina. Posso ser velha, mas não sou uma
puritana. — ela balançou a mão como se quisesse dizer que aquilo era uma
bobagem, mas meu rosto em chamas deve ter dito a ela que não era uma
bobagem para mim. — Oh querida, você nunca... você é virgem Sophie?
Eu queria ser enterrada agora mesmo, ou ao menos voltar no tempo
até essa manhã e apagar tudo o que fiz desde que acordei.
— Sou sim, mas não é esse o caso, ele começou... e então correu para
longe de mim.
Ok, na minha cabeça eu era bem mais resolvida com essa coisa de
sexo do que agora falando com uma mulher que conheci ontem. Eu estava
com vergonha de mim mesma nesse instante, mas isso não era o foco ali.
A única pessoa com quem conversei sobre sexo foi com Rosa, ela
insistiu que eu precisava de instrução nesse assunto, mas isso foi quando eu
tinha quinze anos. E eu nunca tive realmente a chance de namorar vivendo naquele manicômio de casa, os únicos garotos que eu já tinha beijado foram
da escola e nem de longe esses beijos se comparavam aos de Patrick.
— Minha filha, Patrick é um caminho longo e tortuoso, que pode te
levar a um paraíso, mas para isso tem que passar toda a dificuldade. —
franzi o cenho querendo que ela me desse algo mais que uns enigmas de
coisas que eu já sabia. — Ele sofreu muito no primeiro casamento e isso o
fez ter problemas em confiar nas pessoas, com o acidente isso piorou ainda
mais e esse é motivo para ele viver isolado aqui.
— Ele já foi casado antes? E o que aconteceu com a esposa dele? Eles
não tiveram filhos? Quanto tempo durou o casamento?
— Se acalme! — ela gritou parando a enxurrada de perguntas que eu
tinha na ponta da língua. — Isso é tudo o que eu posso te dizer agora.
— Mas como isso me ajuda a entender o motivo dele correr de mim?
— Vai ter que descobrir diretamente com ele. — lá se ia as minhas
esperanças. — Mas se você quer um caminho para o coração do seu marido
pense nisso, ele não teve um bom casamento, não confia facilmente e acha
que você veio aqui só pelo dinheiro. Patrick não vê nenhuma razão para
confiar em você, então dê a ele, faça essa ponte entre vocês dois e vai ver
como tudo irá ficar mais fácil.
Sorri pensando no quanto ela e Rosa se pareciam, meu coração se
apertou de saudade ao pensar nela e em como deveria estar naquela casa.
Sem conseguir me conter, eu joguei os braços em volta de Holly, a
abraçando forte, tentando sentir uma centelha de calor humano em todo
aquele gelo.
— Obrigada Holly, vou começar a fazer isso agora. — me levantei e
peguei um prato onde a vi pegar o meu. — Você me fala como ele gosta, eu
monto o prato dele e levo para ele.
Patrick tinha ido até a biblioteca me chamar para almoçarmos juntos,
então agora era a minha vez de fazer o mesmo.
Holly me indicou a porta do escritório que era onde ele estaria e eu
fui direto para lá, mas nem cheguei a bater, a porta estava entre aberta e as
vozes alteradas eram ouvidas do corredor.
— O que estavam pensando, pai?
— No seu bem-estar! Coisa que você não tem feito ultimamente. —
coloquei minha cabeça na fresta a procura do senhor James, mas só vi
Patrick virado para a janela. — Achou mesmo que iríamos ficar procurando
detalhes banais como esse?
— Banais? Eu pedi uma mulher para ter os meus filhos, já que vocês
não tiram isso da cabeça. Uma mulher que saberia o seu papel nessa farsa
toda! — ele bradou e se virou para o telefone na mesa. — Mas ao invés
disso me mandaram uma garota que não entende nada da vida, romântica e
ainda por cima virgem. O que eu devo fazer com isso?
Minhas pernas tremeram e eu quase deixei nossos pratos caírem no
chão quando ouvi aquilo. Então ele já sabia que eu era virgem, bastou me
tocar para saber e foi por isso que ele correu como um maluco, estava
fugindo da minha inexperiência.
E se isso não fosse o bastante agora estava contando ao pai, que
humilhação! Meu rosto queimou, mas dessa vez não era desejo e sim pura
vergonha.
— Já deve estar fazendo já que sabe que ela é virgem!
— Pai não me teste! Eu estou fazendo isso por vocês porque por mim
nunca daria meu sobrenome a outra mulher. — ele bufou e ouvi algo se
quebrando. — Ela não serve para isso, é virgem e inocente, vai criar ideias
românticas sobre esse casamento, vai criar planos para nós...
— E é o que ela deve fazer! — eu reconheci a voz de Audrey na hora
e mordi os lábios para segurar minha revolta e me encolhi no corredor. — É
isso o que esposas fazem e ela é a sua esposa. Patrick, você querendo ou
não, Sophie é sua mulher de agora em diante e você tem que tratá-la com
tal!
— Me recuso a tocá-la, a garota é quinze anos mais nova do que eu e
ainda deve estar sonhando com o príncipe encantado. — então a voz dele
ficou amedrontadoramente mais baixa. — Acham mesmo que vou fazer
filhos com uma tonta? É melhor arranjarem outra, muito promíscua de
preferência, ou nada de netos!
Meu queixo estremeceu com o choro e eu me contive para não fazer
barulho, deixei que as lágrimas escorregassem quentes por minhas
bochechas. Eu não conseguia acreditar que era o mesmo homem que me
beijou ontem ou que me tocou hoje.
Patrick parecia um monstro, estava longe de ser um príncipe encantado, ele era uma fera por dentro.
Engoli em seco e ergui minha cabeça saindo de lá, mais uma vez eu
estava sendo renegada, jogada de lado, seria devolvida como uma
mercadoria inútil e tudo porque o maldito não queria uma mulher virgem.
O meu sonho de ter uma vida melhor longe dos meus tios estava indo
por água a baixo. Eu precisava fazer alguma coisa!
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Atualizado até capítulo 54
Comments
Adriane Silva
coitada até eu desse lado fiquei triste por era e tão ruim se sentir rejeitada humilhada e muito ruim
2024-04-03
12
HENEMANN- MEDEIROS. Henemann
Tadinha 😔 Sophia tem que erguer a cabeça e fingir que não sabe de nada, e começar a dar um gelo nele,. Ele já está apaixonado por ela, mas não quer dá o braço a torcer 😬
2024-03-26
3
Francislene Cardoso
ai Sofia meu coração tá cortado por você garota tanto sofrimento desde que seus pais se foram ergue a cabeça siga em frente não deixa ninguém mais pisar em você fazer você de gato e sapato seja feliz Sofia tô torcendo por você
2024-01-20
6