A ENTREVISTA COM DANIEL.
Brenda não havia pensado sobre aquela pergunta. Experiência? Isabella não mencionou nada sobre tal requisito. Um tanto impactada pela pergunta, Brenda tenta recuperar a postura.
— Senhor, para tudo há uma primeira vez. Espero que aqui seja minha primeira experiência com a dança. Gosto de dançar, e uma das minhas qualidades é a persistência e a facilidade em…
Daniel soltou uma gargalhada, causando constrangimento em Brenda, que ficou sem entender o que aquela risada queria dizer.
— Falar até papagaio fala, lindinha! Mas você é exótica, bem novinha, acredito que terá alguns fãs. Podemos fazer alguns testes; te darei dois finais de semana. Aqui temos uma coreógrafa; vocês conversem e pensem na temática da sua apresentação. — falou Daniel, interrompendo Brenda.
— Senhor, perdoe-me a curiosidade, mas qual o salário? — Perguntou Brenda, engolindo a vontade de ir embora e deixá-lo ali plantado.
— Você ganhará 10% sobre a compra dos ingressos, 2% sobre o consumo durante a sua apresentação, fora as gorjetas dadas de forma espontânea pelos frequentadores. Mais alguma dúvida? — Perguntou Daniel sem tentar esconder a inquietação em encerrar a conversa.
Em uma rápida conta, Brenda não conseguia acreditar que isso estava acontecendo com ela; era um salário alto que, como advogada, talvez precisasse de alguns anos para alcançar aquele valor.
— Sim! Tenho dois pontos: primeiro é que eu não faço serviços como acompanhante, e o segundo ponto é que gostaria de preservar a minha identidade; não quero ser reconhecida. — disse Brenda, ignorando a falta de paciência dele.
Daniel mais uma vez soltou uma gargalhada que deixou Brenda desconcertada e irritada ainda mais. Em toda a sua a existência, ela nunca imaginou que uma risada pudesse causar tanto incômodo.
“Que debochado e arrogante, vontade de mandá-lo se ferrar!” — pensou Brenda, encarando Daniel com o rosto fechado.
— Serviços de acompanhante já não são comigo; esses serviços são combinações feitas entre os clientes e as dançarinas. E em local distinto. Aqui é uma casa de stripper e não um prostíbulo, meu bem! — exclamou Daniel com ironia e desdém. — Mas quanto a preservar a sua identidade, como seria feito isso? — Ele perguntou, enquanto olhava para a tela do celular.
— Posso usar uma máscara cobrindo os olhos e usar uma peruca, com maquiagem acred…
— Aham! — Daniel cortou Brenda — Faça como achar melhor! Lembre-se de que seu teste é de duas semanas. O cartão da coreógrafa está aqui; você entra em contato para combinar como farão. Entendido, lindinha?
— Obrigada, senhor Daniel!
— Nada, querida! Vamos ver o que acontece daqui a duas semanas. — disse Daniel sorrindo e se afastando.
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Isabella viu Daniel se afastando de Brenda e foi correndo perguntar como havia sido a conversa:
— E aí, Brenda! — disse Isabella, ansiosa. — Deu certo, né?
— Deu sim! Mas estou em teste por dois finais de semana. Agora, que cara detestável esse Daniel!
— Ele adora fazer suas piadinhas, adora ser irônico e causar constrangimento. — concordou Isabella, rindo. — Mas, você vai conseguir!
— Isabella, estou chocada com o salário, nem estou acreditando. Só não sei como perderei a timidez.
— Brenda, você nunca vai perder a timidez; essa vaga não é para você! — disse Isabella, fazendo mistério. — Quando entrar aqui, Brenda fica lá fora e a Lila entra.
— Lila? Adorei! Você é demais, obrigada! — exclamou Brenda, perguntando em seguida. — Mas por que você também não tentou essa vaga? O dinheiro é muito melhor do que o que você ganha.
— Brenda, por favor! Eu não tenho perfil, sou muito baixinha, magrinha, e dançar é quase um crime para mim. — respondeu Isabella, provocando uma crise de riso entre as amigas.
Isabella se despediu de Brenda e voltou ao trabalho; a casa estava cheia e havia muito serviço.
Brenda também se despediu, preferiu ir para casa e pensar em tudo o que estava acontecendo; era um sonho em um pesadelo. Nunca imaginou estar tão feliz e com tanto medo ao mesmo tempo.
NO DIA SEGUINTE — ENCONTRANDO A COREÓGRAFA.
Brenda ligou para a coreógrafa Rafaela, que pediu para ela ir à boate depois do almoço. Chegando em frente ao local, ela viu que estava fechado. Então, ligou para Rafaela e disse estar em frente à boate.
Um segurança foi até a entrada, recepcionou-a e disse que iria levá-la até Rafaela. Durante o percurso, o segurança tentava puxar assunto, mas ela respondia sem muita simpatia.
Brenda se lembrava da frase de Isabella, de que as mulheres ali eram taxadas como acessíveis, e a última coisa que ela queria era um namorado. Ela queria apenas dinheiro para pagar seus estudos.
O segurança a deixou em uma sala ampla, com espelhos e pole dance, e alguns equipamentos que ela nunca havia visto, provavelmente para serem usados durante os shows.
Havia algumas meninas ensaiando, enquanto Rafaela observava e dava instruções.
— Rafaela, aqui a garota! — falou o segurança se retirando.
A mulher tinha mais de 30 anos, mas era bem cuidada. O corpo era uma escultura. Ela era educada, mas séria, e passava uma imagem profissional.
— Brenda, bem-vinda! Gostei da sua aparência, acredito que tem futuro aqui, mas preciso de dedicação. Aqui não é brincadeira, somos profissionais. Meu esposo, Daniel, disse-me que você não tem experiência e que deseja esconder a sua identidade.
Brenda ficou de queixo caído: “Ela é casada com aquele babaca? Que horror!” — Pensou Brenda.
— Sim, senhora… — Brenda começou a falar, mas foi interrompida por Rafaela.
— Não! Rafa, pode me chamar assim. Mas continue, Brenda.
— Sim, eu não tenho experiência, mas gosto de dançar… eu não sei bem como me apresentar… mas quero muito. — Brenda falou, demonstrando nervosismo.
Rafaela, percebendo a tensão em Brenda, sorriu de leve e colocou a mão em seu ombro para acalmá-la.
— Fique tranquila! Criaremos uma apresentação bem simples e bonita. Sou uma boa observadora, sei que o público vai te amar.
Sob as luzes de néon, Brenda se transformaria em Lila, a dançarina de stripper, escondendo sua verdadeira identidade.
‿︵‿︵ʚɞ(◔◡◔)ʚɞ‿︵‿︵
Brenda ou quem sabe a Lila daria conta do ofício? Fácil não seria; ainda era virgem e teria que se despir perante estranhos.
O futuro incerto de Brenda/Lila pairava como uma sombra!
Seus princípios eram bem estabelecidos e ela sabia que estava além daquelas luzes de néon.
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Atualizado até capítulo 115
Comments
Gislaine Duarte
vou torcer por ela
2024-07-24
10
Rosinete Silva
era bom ela largou o outro emprego que ganha pouco, e se dedicar na faculdade 😁
2024-07-03
3
Rosinete Silva
te entendo amiga perfeitamente 😂 😂
2024-07-03
1