Tá bom...qual a probabilidade de eu ter vindo na loja em que o cara do café trabalha?
"E não é que a gente se esbarrou de novo?" Digo indo até balcão que ele estava
Ele dá uma risada...
Sua risada, assim como sua voz eram sedosas como o próprio veludo.
"Agora eu entendi a parte da diversão" Ele diz me fazendo rir "E então o que te trouxe até aqui?"Ele pergunta com um leve sorriso
"Bem eu queria penhorar uma coisa, olhei na internet o endereço de algumas lojas e cá estou eu..." Digo
"Justamente na minha loja..." Ele diz rindo "Legal..." Ele diz me olhando com um sorriso de lado "E então que objeto é esse?"
Pego minha mochila, tiro a caixa do relógio e entrego pra ele.
Ele abre e seu olho arregala em surpresa.
Sua testa se enruga um pouco a medida que ele olha o relógio.
"Como....você conseguiu esse relógio?" Ele pergunta confuso
"Era do meu pai. Ele ganhou de presente" Digo
Ele olha pra mim como se quisesse perguntar algo mas desiste
"Esse relógio é bem.....peculiar" Ele diz " Só um minuto..." Ele diz indo até o outro balcão e pegando um objeto que lembrava uma caneta " Isso é um testador de diamante, quando eu encosto essa ponta na pedra ele diz se é verdadeiro ou não " Ele explica
Então ele encosta a caneta e ela acende uma luz verde e apita
"E então?" Pergunto
''É de verdade..."Ele diz
"Quanto você acha que eu consigo nele?" Pergunto
"Você tem algum valor em mente?" Ele pergunta
"Não....eu estou aberta a qualquer proposta" Digo
" Bem....é um belo relógio...." Ele olha pro relógio como se estivesse analisando cada detalhe " Olha...eu consigo trinta mil nele" Ele diz
"Esse é o valor máximo?" Pergunto e ele concorda com a cabeça. "Tudo bem, eu aceito" Digo
O valor que eu conseguisse seria lucro....
"Fechado, eu vou fazer o cheque pra você" Ele diz e vai até o caixa.
Ele pega um talão e começa a escrever os dados e o valor.
Ele destaca o cheque e me entrega
"Muito obrigada" Digo olhando pro cheque
"Foi um prazer fazer negócios com você " Ele diz com um sorriso que eu retribuo " HÁ! Antes de você ir eu tenho que te entregar algo. Espera aqui eu não vou demorar" Ele diz e entra por uma porta.
Guardo o cheque na minha carteira e espero por ele.
Depois de alguns minutos ele volta segurando o livro.
Eu sorrio olhando para o livro em sua mão.
"O combinado era eu te entregar quando eu terminasse" Ele diz estendendo o livro pra mim e eu pego
"E o que você achou dele?" Pergunto
"Foi o melhor de toda a série" Ele diz
"Não brinca! Nossa acho que vou terminar de ler ele em um dia" Digo
"Eu terminei em uma noite de tão bom que estava" Ele diz rindo me fazendo rir junto
"Legal....obrigada pelo livro, e pela ajuda com o relógio" Digo e ele me dá um leve sorriso
Sei que vou me arrepender de perguntar isso mas...
"Você sabe de algum sushi bom pela região?" Pergunto
"Tem um ótimo aqui na esquina" Ele diz
"E...falta muito pra você sair do trabalho?'' Pergunto e vejo um sorriso se abrir em seu rosto
"Isso é um convite?" Ele pergunta
"Talvez....eu queria saber mais sobre o livro" Digo
Ele olha no relógio " Olha só...acabou de encerrar meu expediente" Ele diz em um tom brincalhão que me faz rir.
Ele sai de trás do balcão e nós vamos até a porta.
Ele abre pra mim e eu saio. Ele vira a placa na porta dizendo que está fechado e então nós vamos andando até o restaurante.
Quando entramos Yuta pede uma mesa para dois. A garçonete nos leva até a mesa e nós sentamos.
Coloco minha mochila do meu lado.
Fazemos o pedido e a garçonete anota, saindo logo em seguida.
"Tem muito tempo que trabalha nessa loja?'' Pergunto
"Praticamente...E você com que trabalha?" Ele pergunta
"Na área da limpeza" Respondo.
Realmente, eu 'limpava pessoas do mapa'
"Tipo faxina ou algo assim ?'' Ele pergunta
"Tipo isso...A loja é da sua familia?" Pergunto
"Na verdade é do pai do meu amigo... quando era adolescente eu perdi meus pais e esse senhor me acolheu como um filho, se tornando meu pai adotivo e o filho dele se tornou um irmão pra mim...então sim é da minha familia" Ele diz
"Sinto muito pela sua perda... Sei bem como é perder alguém que ama...." Digo
"Seus pais são vivos?" Ele pergunta e eu nego com a cabeça
"Minha mãe faleceu quando eu tinha 4 anos e meu pai quando eu tinha 8....Um amigo do meu pai me pegou pra criar desde então....." Digo
"Uau...Nossa história é bem parecida..." Ele diz e eu concordo com a cabeça " Desculpa a pergunta mas eu estou um pouco curioso...você disse que seu pai ganhou aquele relógio de presente...você sabe de quem foi?" Ele pergunta me olhando nos olhos como se procurasse respostas
"Não...ele disse que foi de um amigo, mas eu não o conheci...quando ele ganhou eu era muito pequena pra me lembrar" Eu minto
"Há sim entendo.....e por que você decidiu vender aquele relógio?" Ele pergunta
"Pra pagar uma dívida" Digo. O que não era de tudo mentira "E então... o que você mais gostou do livro?" Pergunto mudando de assunto.
Então começamos a conversar sobre o livro e sobre outras coisas aleatórias, como gostos pessoais.
Enquanto Yuta fala, eu olho pra ele por alguns instantes...
Ele tinha traços um pouco delicados... Seu olhos, mesmo que puxados eram ligeriamente grandes e suas sobrancelhas eram grossas e retas...
Seus lábios eram arredondados e um pouco carnudos ... E o arco do cupido de sua boca parecia a parte de cima de um coração...
Seu queixo era quadrado e sua mandíbula marcada
Seus olhos eram tão escuros quanto o seu cabelo....
Ele era bonito, não podia negar...
Achava interessante o fato de ele ter duas argolas pequenas na orelha e estar vestido socialmente. Nas duas vezes ele estava vestido assim...
Com uma camisa social, e um colete social por cima, gravata, calça e sapatos social, e o cabelo bem penteado...
Não parecia que ele trabalha apenas em uma loja de antiguidades....
Quando terminamos de comer a garçonete traz a conta e eu pego.
"Pode deixar que eu pago" Yuta diz
"Imagina...eu convidei e é um agradecimento pela ajuda com o relógio. Na próxima você paga" Digo e só depois percebo o que eu acabei de falar
"Então vai ter uma próxima?" Ele diz com um sorriso de lado
Engulo seco e fico em silêncio.
Aiko, que boca grande a sua....você já tá passando dos limites jantando com ele. Se controla!
Pego o dinheiro e entrego com a conta pra garçonete.
Pego minha mochila e a gente sai do restaurante.
Vamos andando em silêncio até a loja que Yuta trabalhava.
Paramos em frente a porta.
Estava com a cabeça baixa, um pouco envergonhada pelo que eu disse....
"Você tá de moto?" Ele pergunta
"Não...eu vim andando" Digo
"Hmm..." Ele coloca as mãos no bolso da sua calça social. "E então, quantos encontros eu vou precisar ir com você pra conseguir seu telefone?" Ele diz e eu olho pra ele com o olho um pouco arregalado
Sinto minha bochecha esquentar um pouco.
"Não sei...talvez mais um?'' Pergunto com um sorriso tímido.
"Então vamos" Ele diz pegando minha mão e dando alguns passos
Sinto um arrepio quando ele segura minha mão.
"Espera pra onde?" Pergunto confusa
"Pro nosso próximo encontro" Ele diz sorrindo
Fico olhando pra ele sem acreditar.
"Meu carro tá estacionado bem ali" Ele diz apontando pro outro lado da rua " Vamos?" Ele diz
Eu pisco algumas vezes tentando voltar pra realidade e vou junto
Ele vai até a porta do passageiro comigo e abre a porta.
Eu entro, ele fecha a porta e dá a volta.
O que eu tô fazendo?.....Será que dá tempo de eu abrir a porta e sair correndo?....Por que eu quero tanto isso?....
Ele entra no carro e dá partida.
Fico em silêncio, olhando pela janela.
Ele dirige até parar de frente ao porto.
Era basicamente uma calçada grande ao lado do rio, onde as pessoas vinham pra caminhar, ou apenas sentar nos bancos e olhar a vista.
Ele desce do carro e dá a volta abrindo a porta pra mim
"Obrigada" Digo
"Já experimentou gelatto italiano?" Ele pergunta fechando a porta e eu nego com a cabeça "Então hoje você vai experimentar " Ele diz sorrindo " Vem.." Ele diz segurando minha mão e atravessa a rua até uma sorveteria.
" A gente pode pegar um sorvete e andar pelo porto enquanto come, o que acha?" Ele pergunta
"Acho legal..." Digo
"Ótimo" Ele diz sorrindo " Qual sabor você vai querer?" Ele diz
e eu olho a vitrine.
Eram tantas opções...Resolvo pegar um de iogurte com frutas vermelhas. Ele pega um de baunilha.
Ele paga e nós pegamos nossos copos com sorvete.
Caminhamos pelo porto em um silêncio confortável dessa vez....
Era primavera e as cerejeiras em volta do porto estavam floridas... Com o vento as flores voavam parecendo neve rosada....
Assim que coloco o sorvete na boca eu fecho os olhos apreciando o sabor e soltando um suspiro...eu nunca tinha experimentado nada assim...
"Gostou?" Ele pergunta
"Como eu vivi sem nunca ter experimentado isso é um mistério" Digo e ele ri " Na verdade não é tão mistério assim....eu só não saio com muita frequência..."
"Por que ?'' Ele pergunta
"Não sei...ás vezes trabalho...ás vezes um livro acaba sendo mais interessante..." Digo
"Então ta na hora da gente mudar isso" Ele diz sorrindo e eu sorrio de volta comendo meu sorvete " E então, desde quando você começou a se interessar pelos livros?"
"Hmmm acho que desde sempre...meu pai falava que minha mãe sempre lia seu livro favorito pra mim desde que eu estava na barriga dela....Era o conde de monte cristo, foi presente do meu pai pra minha mãe. Ele tinha uma capa dura e preta e na frente era detalhado em dourado...era bem antigo.... Eu lembro até hoje do livro....quando eu sentia falta dela meu pai lia pra mim...Infelizmente eu não tenho esse livro desde que meu pai faleceu...Mas e você?" Pergunto
"Começou um pouco depois que eu fui adotado, meu pai adotivo tem uma biblioteca enorme na casa dele. Ele me deu um livro pra ler e então eu criei gosto" Ele diz
"Não brinca que você tem acesso a uma biblioteca particular?" Digo surpresa " Nossa deve ser o máximo ter uma biblioteca em casa! Tem uma lareira e um sofá bem confortável?" Pergunto e ele concorda com a cabeça " Ai meu deus! Isso é o sonho de consumo de qualquer leitor!" Digo animada e ele da uma risada
"Isso eu não posso discordar...principalmente no inverno. É sempre bom ler um bom livro de frente a lareira tomando um bom chá" Ele diz
"Aiiii que inveja!....no inverno o mais perto que eu chego de uma lareira é se eu acender uma vela no meu apartamento" Digo rindo e ele ri junto " Um dia....eu vou ter uma casa...e eu vou construir minha própria biblioteca...." Digo
"E como seria sua casa dos sonhos ?" Ele pergunta
"Hmmm.... seria no campo,ou o mais afastado possível do centro....com um belo jardim , com uma árvore bem grande, pra poder me sentar na sombra e ler ou fazer um piquinique nos dia ensolarados....a biblioteca que eu já mencionei, e óbvio a lareira....E todos os comodos com uma janela bem grande pra poder ver a neve cair..." Digo sorrindo olhando pro longe.
Meu sorriso se desfaz um pouco quando olho pra ele...
Ele olhava pra mim com um sorriso bobo
"O que foi?" Pergunto
"Nada....é só que você ficou muito fofa enquanto contava...." Ele diz e minha bochecha fica vermelha
Quando terminamos o sorvete nós voltamos para o carro.
Ele abre a porta para que eu entre e entra logo em seguida.
"E então onde você mora?" Ele pergunta se virando pra mim
"Você pode me deixar em qualquer ponto de táxi que eu volto pra casa" Digo
"Por que? Você mora em algum esconderijo secreto?" Ele diz rindo e meu olho arregala.
"N-não...é só que não quero incomodar" Minto
"Tá tudo bem. Não é incomodo nenhum" Ele diz com um sorriso de lado
Droga.....não dá esse sorriso.....
Se eu insistir que não, ele vai achar esquisito....É só um prédio.....ele não vai descobrir sua identidade assim....
"Fica a algumas quadras da loja..." Digo e então falo o endereço.
Ele dirige até lá....minhas mãos estavam suadas e meu coração estava acelerado.....
Eu estava nervosa mas gostava da sensação.....
Quem diria....uma assassina sangue frio, que não tem medo de nada, nervosa por causa de um cara.....
Ele para na porta e nós descemos.
Ele me acompanha até a porta e eu tiro a chave da mochila...
Algo dentro de mim não queria que a noite acabasse....eu gostava da sensação....
Ele pega o telefone e estende pra mim
"Trato é trato" Ele diz com um leve sorriso
Eu estava perto de conseguir minha liberdade....quem sabe esse seja um bom começo...mesmo que no futuro não seja algo romântico, talvez isso possa se tornar uma boa amizade...
Pego seu telefone e digito meu número e entrego pra ele.
Ele guarda o celular no bolso.
"Obrigada pela noite..." Digo com um sorriso tímido
"Eu que agradeço...Boa noite Miyuki" Ele diz
Ele se inclina e beija minha bochecha mas não se afasta...
Seu rosto ainda estava próximo do meu e eu sentia sua respiração fazer cócegas em minha bochecha...ele se afasta devagar até chegar perto da minha boca...
Meu coração dispara apenas com a ideia de ele me beijar.....
Então ele acaba com a distância entre nós depositando um beijo delicado em meus lábios.
Sinto meus lábios formigarem e um arrepio percorrer meu corpo...
Então essa era a sensação de ser apenas uma pessoa normal, tendo um encontro normal?
Era uma sensação muito boa.....
Ele se afasta um pouco e me olha nos olhos....
Ele segura meu rosto e chega mais perto, diminuindo a distancia dos nossos corpos e lábios....
Não podia negar, o beijo tinha muita química... eu sentia coisas que antes eu só lia em livros....
Abro a porta do meu apartamento, ligo o interruptor e nós entramos.
Fecho a porta e Yuta não perde tempo.
Ele me empurra de leve até minhas costas encostarem na porta e volta a me beijar.
Ele tira meu casaco sem interromper o beijo e eu desato o nó da sua gravata.
Quando falta ar afastamos nossos rostos.
"Quarto?"Ele pergunta olhando pra mim e eu concordo com a cabeça.
Puxo ele pela mão até meu quarto.
Assim que entramos ele meu puxa de novo e volta a me beijar .
Ele começa a desabotoar seu colete e o joga no chão
Ajudo ele a desabotoar sua blusa social enquanto nos beijamos.
Nos afastamos um pouco pra recuperar o fôlego e ele tira a camisa.
Sinto o ar ser puxado dos meus pulmões assim que olho pro seu corpo...
Ele se aproxima de novo segurando minha nuca.
"Yuta..." Digo sussurando
Ele me olha
"Tá tudo bem?" Ele pergunta
"Tá...tudo perfeito...é só que, acho que seria bom você saber....essa é a minha..." Tento achar as palavras
"Sua primeira vez?" Ele pergunta com um leve sorriso e eu concordo com a cabeça timidamente "Você tem certeza sobre isso?" Ele pergunta em um tom calmo
"Eu acho que eu nunca tive tanta certeza sobre algo" Falo baixo e vejo o sorriso em seu rosto aumentar.
"Eu prometo ser gentil. Quando quiser que eu paro, eu paro. É você quem manda, entendeu?" Ele diz e eu concordo com a cabeça olhando eu seus olhos
Ele volta a me beijar delicadamente e sua mão vai de encontro com a barra da minha blusa.
Ele coloca suas mãos em minhas costas dentro da minha blusa e eu sinto um frio na barriga.
Acordo no dia seguinte com o meu despertador.
Vejo que estava deitada sobre o peito de Yuta.
Ele se mexe acordando.
Eu me levanto e desligo o despertador.
"Desculpa, eu esqueci o despertador....." Digo me virando pra ele
Ele abre um sorriso.
"Tudo bem, eu também acordo cedo" Ele diz e me puxa pra um abraço
A noite foi simplesmente incrivel....como um verdadeiro sonho....Pela primeira vez eu me senti feliz, senti como se eu finalmente estivesse livre...
"Eu tenho que ir pro trabalho, mas o que acha de tomarmos um café antes?" Ele pergunta
"Acho ótimo" Digo
"Acho melhor eu vestir minhas roupas antes " Ele diz em um tom brincalhão e eu rio.
Ele me dá um beijo na testa, me solta e se senta na cama ficando de costas pra mim enquanto pega sua calça.
Assim que eu olho pras costas dele meu sangue gela, e meu sorriso desaparece.
Sinto meu coração vir parar na garganta.
"Você....é membro da Bushi...." Digo quase sussurando
Ele se vira pra mim
"O que você acabou de dizer? " Ele pergunta um pouco assustado
"Yuta, você é membro da Bushi?" Pergunto sem acreditar
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 51
Comments
Lena Macêdo E Silva
ihhhh são de lados opostos 🤔
2023-11-15
2
Bruna Carolina
😲😲
2023-11-10
2