Dirijo pelas ruas de Osaka.
Eu não costumava sair muito, a não ser pra comprar comida, livros ou a trabalho....
Quem olhava de fora achava que eu era apenas uma mulher normal...e eu queria ser...
Talvez um dia eu seria só mais uma pessoa comum no meio da multidão....
Estaciono minha moto em frente a livraria e desço dela.
Tiro o capacete e coloco em cima da moto.
Tiro minhas luvas e guardo dentro da jaqueta.
Olho no retrovisor e ajeito um pouco o cabelo.
Entro e vou até o balcão.
"Com licença, eu gostaria de saber se vocês tem esse livro" Digo pro atendente e entrego um pedaço de papel com o nome do livro e o autor
"Só um minuto, eu vou verificar no sistema....." Ele diz enquanto verifica no sistema
Era um livro que fazia parte de uma série. Contava a história dos reinos da inglaterra que caíram sobre o dominio dos vikings....pra maioria era um saco, mas eu gostava desse tipo de livro.....Só que era um pouco difícil de encontrar já que por aqui era difícil alguém ler....
"Temos sim.Vou anotar em qual sessão ele tá" Ele diz e anota no verso do meu papel. "É só subir as escadas''
"Okay, obrigada" Digo e pego o papel.
Subo as escadas e vou procurando pela sessão
"47-b..." Digo baixinho enquanto procuro pela sessão
"Aqui...agora é a fileira 3..." Digo procurando pela fileira de livros...Vou andando e olhando com cuidado.
Com a visão periférica vejo que um homem entrar na mesma sessão que a minha e procura por algo também.
Estava tão concentrada que nem ligo.
Então eu acho o livro.
Era o último.
Quando coloco a mão no livro outra mão coloca ao mesmo tempo o pegando.
"Ah desculpe!" O cara diz."Eu não vi que você ia pegar o livro. Pode ficar" Ele diz estendendo o livro pra mim
Olho pra ele....
Ele tinha um sorriso de lado que por alguma razão faz minhas bochechas esquentarem....
Desvio o olhar.
"Tá tudo bem, fica com ele, é o último. Eu olho em outra livraria." Digo e me viro pra sair
"Espera..." Ele diz me fazendo virar pra ele de novo "Posso pelo menos te pagar um café? Como agradecimento por ter deixado eu ficar com o livro" Ele diz com um leve sorriso
Eu nunca aceitava convites pra sair por conta do meu trabalho....e também por que ninguém nunca me fez sentir algo diferente....
Mas ele....tinha algo nele.....Eu não sei o que dizer, mas alguma coisa despertou em mim.....Talvez o gosto em comum? Talvez minha vontade em poder aproveitar a vida como qualquer pessoa?....Não sei dizer....
"Tudo bem" Digo e ele sorri
Seria apenas um café....seria bom ser um pouco normal e conversar com alguém com um gosto similar...
"No térreo eles tem uma cafeteria e o café deles é ótimo" Ele diz caminhando em direção as escadas e eu o acompanho
Nós descemos e vamos em direção a bancada da cafeteria.
Antes de me sentar eu tiro minha jaqueta de couro e penduro na cadeira. Me sento logo em seguida.
"E então tem alguma preferência?" Ele pergunta e eu nego com a cabeça.
"Tem alguma indicação?" Pergunto
"O latte machiatto é muito bom " Ele diz
"Por mim pode ser " Digo e ele dá um leve sorriso
Ele faz o pedido
''E então você gosta de livros históricos?" Ele pergunta
"Uhum...apesar desse livro contar uma história ficticia, ele é bem fiel aos detalhes históricos..." Digo
"É dificil encontrar alguém que já tenha lido esse livro...Você já leu toda a série?" Ele pergunta
"Sim, só falta esse. Eu gostei bastante, achei a trama muito bem desenvolvida, do jeito que eu gosto de ler " Respondo "Você já leu algum outro livro nesse estilo ou é o primeiro que lê?"
Então começamos a conversar sobre os livros que já lemos e indicar quais haviamos gostados, enquanto bebemos nosso café....tinhamos um gosto similar para leitura e praticamente tinhamos lido os mesmos livros....
Foi a primeira vez que me senti a vontade pra conversar com alguém sobre isso.....
Depois de alguns minutos, no meio da conversa, meu telefone toca, me trazendo de volta pra realidade.
Era uma mensagem.
"O relâmpago avisa que a chuva está por vir, e as docas são um ótimo lugar para olhar a chuva."
Era um código. Eu tinha trabalho a fazer.
Durou até muito tempo....
"Obrigada pelo café, mas eu tenho que ir" Digo
"Tá tudo bem?" Ele pergunta
"Tá, é só trabalho" Digo
"Tudo bem...eu te acompanho até a saida" Ele diz e eu sorrio pra ele
Eu saio da cadeira e pego meu casaco vestindo ele.
Ele passa no caixa, paga pelo livro e o café, e nós saimos da livraria.
"Você tá de carro?" Ele pergunta
"Na verdade estou de moto" Digo apontando pra moto a nossa frente
Ele fica um pouco surpreso.
"Uau! Você tem uma Kawasaki? É uma bela moto.." Ele diz indo comigo até ela.
"Obrigada" Digo tirando as luvas do casaco e colocando
"Eu acabei de me tocar que eu ainda não perguntei seu nome" Ele diz
"É Miyuki" Dou meu nome falso
"Prazer Miyuki, me chamo Yuta" Ele diz estendendo a mão com um leve sorriso, eu aceito o comprimento e retribuo o sorriso.
Subo na moto, dou partida nela e coloco o capacete na cabeça mas não abaixo ele completamente.
Ele me estende o livro.
"Toma...pode levar ele" Ele diz com um sorriso de lado
"Por que a gente não faz o seguinte? Você lê ele, e ai quando você terminar você me empresta. O que acha?" Pergunto com um sorriso de lado
"Acho uma ótima idéia. Mas como eu vou te avisar se eu não tenho seu número?'' Ele pergunta sorrindo
"É ai que tá a diversão. A gente se esbarra por ai" Digo sorrindo dando uma piscada pra ele e abaixo o capacete.
Olho pra pista e acelero vendo que está livre.
Vejo ele diminuir pelo retrovisor.
Ia ser díficil a gente se esbarrar por ai, e é até bom terminar assim, deixando esse 'ar de misterio' e na expectativa de 'será que a gente vai se encontrar de novo?'.....
Que bobagem pensar assim Aiko....
Você só não pode se envolver.
Mas pelo menos foi bom conversar um pouco com alguém que entenda meus gostos....
Sem perceber, um sorriso bobo preenche meu rosto, lembrando do encontro de agora a pouco....
Chego nas docas e paro com a moto ao lado da porta do passageiro.
O vidro abaixa.
Kamada, meu chefe, está no banco do passageiro.
Ele me entrega uma pasta contendo apenas a foto do meu próximo alvo e os pontos de entrada sem vigilância.
Eu memorizo o rosto e viro a foto. Atrás tinha o endereço que eu também memorizo. Memorizo a planta.
"Sem restrições, apenas seja silênciosa" Kamada fala
Entrego a pasta pro Kamada e vou embora.
Já era costume....A gente se encontrava em um ponto, e ele me dava uma foto com o rosto e o endereço do meu alvo.
Era o que eles eram pra mim, apenas alvos ...Eu não tinha informações sobre seus nomes ou o que quer que fosse....Dessa forma eu não me envolvia...
Chego no meu apartamento e me arrumo.
Coloco minha roupa furtiva.
Calço minhas botas.
Vou até o chão do meu quarto e retiro o piso falso.
Abro meu cofre e pego o que eu iria precisar, como minha faca, minha pistola com silenciador e o kit arrombamento.
Pego minha mochila que já deixava preparada e fecho o cofre, colocando o piso falso logo em seguida.
Tranco meu apartamento e desço pela escada externa até minha moto.
Piloto até o endereço.
Olho em volta observando o lugar e dirijo até o beco mais próximo da parte de trás do prédio onde meu alvo estava .
Desligo a moto e desço dela. Empurro ela pra de trás de um container.
Continuo com as luvas. Apenas pego minha mascara ninja, que deixava apenas o olhos a mostra e coloco.
Ando pelo beco até avistar o painel de força.
Abro o painel e conecto meu dispositivo PEM.
Era um dispositivo que emitia uma frequencia que causava um apagão e interferencia no sinal de alguns eletrônicos
Vou até a entrada dos fundos.
Estava trancada. Tiro a chave mixa do bolso e arrombo.
Entro furtivamente e subo até o apartamento pelas escadas de incêndio.
Chego até um ponto cego e ativo o PEM.
A luz se apaga deixando apenas as luzes de emergência disponiveis.
Corro até a porta, me agacho e começo a abrir.
Eu só precisava de um minuto pra arrombar uma porta.
Kamada sempre foi extremamente rígido com os treinamentos. A gente não podia beirar a perfeição, a gente tinha que ser a perfeição....
Com isso eu adquiri habilidades únicas.
Abro facilmente a porta e entro.
Olho pela fresta da porta e aperto o dispositivo de novo ativando as luzes
Coloco minha mochila no chão e pego a seringa que já havia deixado preparada.
Fecho a mochila e escondo ela embaixo da cama.
Olho em volta e percebo que o hall de entrada do apartamento era estreito o suficiente para que eu escalasse.
Escalo e fico me segurando entre as paredes.
Depois de poucos minutos escuto a porta ser aberta.
Meu alvo entra e fecha a porta a trancando.
Assim que ele sai de debaixo de mim e anda um pouco eu me solto pousando no chão em silêncio.
Chego perto dele e chuto seu joelho, fazendo ele cair com o
joelho no chão.
Rapidamente eu chego por trás e giro sua mandibula fazendo seu pescoço quebrar e em seguida ele cair no chão paralizado.
Pego a seringa do meu bolso e perfuro a artéria que ficava atrás da orelha, era mais escondido e dificilmente olhavam ali. Injeto o liquido nele e retiro a seringa.
Olho no relógio , e espero dois minutos.
Sem restrições significava que eu poderia usar qualquer método. Ser silênciosa significava que eu não poderia chamar a atenção com luta corporal ou até arma de fogo.
As pessoas conheciam minha reputação, mas não conheciam meu rosto. E eu fazia questão de deixar assim.
Dessa forma ninguém sabia quem eu era, quando eu viria e nem como seria.
Foi dessa forma que me tornei a assassina número um da família Yuno, uma das famílias mafiosas que dominavam Osaka.
Meu nome?
Aiko Inazuma.
Inazuma em japonês significava Relâmpago. E era exatamente como eu agia.
Eu era rápida, assim como um relâmpago, a morte se tornava apenas um clarão para meu alvo, que ele não sabia de onde vinha.
Verifico se há sinais vitais. Nada.
Pego minha mochila e tiro o telefone enviando a mensagem pro Kamada.
" A chuva está caindo "
Significava que eu tinha terminado.
Saio de lá.
Desço rapidamente pelas escadas e vou até minha moto.
Coloco o capacete, dou partida e vou embora dali.
Chego no meu apartamento e tomo um banho.
Como algo e me deito na cama.
Eu era boa no que eu fazia....a questão é que eu não queria fazer....e até então eu não tinha escolha.....
Alguns dias depois da minha última missão, estava deitada no sofá.
Eu queria sair dessa vida...iria demorar um pouco, mas eu ia conseguir.....
Resolvo ir até meu cofre.
Me sento no chão e tiro o piso falso.
Abro o cofre e pego a mala com dinheiro. Conto o tanto que eu já tinha conseguido juntar pra comprar minha liberdade...
Olho pra dentro do cofre e vejo uma caixa pequena e quadrada. Pego ela e abro.
Era o relógio do meu pai....a única coisa que tinha de recordação dele.....
Era um relógio de ouro, cravado de diamantes em volta, e no mostrador do relógio tinha um desenho de uma onda, o simbolo que representava a família Yuno...meu pai havia ganhado do próprio Akane chefe da Yuno....
E se eu penhorasse ele?...Só até eu sair da Yuno...conseguiria um bom dinheiro e então compraria ele de novo.... Ninguém entenderia o símbolo no relógio, a menos que a pessoa fosse membro de algum clã....
Eu preciso sair...eu não aguento mais ter sangue nas minhas mãos....
Pego o relógio e guardo a mala. Fecho o cofre e coloco o piso.
Tomo um banho e me arrumo.
Pego minha mochila que eu usava pra sair e coloco a caixa com o relógio lá.
Procuro no telefone o endereço de alguma loja de penhora...
Encontro uma loja de compra e venda que tinha uma avaliação melhor.... Ficava a algumas quadras dali...iria a pé mesmo...
Depois de alguns minutos de caminhada chego na loja.
Abro a porta e o som do sino em cima da porta anuncia minha entrada.
A loja estava vazia....
"Olá?" Digo andando pela loja
Vejo que tem uma campainha em cima do balcão.
Aperto ela e o som ecoa pela loja.
Resolvo esperar olhando em volta....
Era praticamente uma loja de antiguidades...tinha bastante coisa legal....
Olho uma prateleira que tinha alguns enfeites que pareciam ser da era vitoriana....
"Olá como poss-...Miyuki?" Uma voz masculina fala e eu me viro em direção a voz .
Meu olho arregala assim que eu vejo quem é.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Lena Macêdo E Silva
é tão perfeita e ainda cai nas armações do clã que a treinou 🤦
2023-11-15
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