Capítulo 2

Eugênia

— Minha filha, não precisava vir até aqui apenas para trazer nossas comidas! Está tarde para você ficar andando pela rua sozinha!

— A mamãe tem razão, sua doida! Melhor voltar logo para casa, o papai não pode ficar sozinho e ainda tem aquela sua gata abusada que fica comendo meus peixes.

Dou risadas porque sei que a Akira ama comer os peixinhos que o Nolan compra e finjo estar chateada ao dizer:

— Mas a Akira só come ração de qualidade! Vai ver que seus peixinhos são aperitivos para fortalecer as unhas e o pelo da minha gata!

— É sério, Eugênia, vou fazer churrasco da sua gata!

Ele fala rindo enquanto terminar de colocar todo o equipamento de limpeza no elevador de carga. Todas as noites meu irmão e minha mãe ficam responsáveis pela limpeza dos oitos andares mais alto do edifício e por isso sempre começam do topo para baixo.

Assim que abraço e beijo minha mãe o elevador fecha às portas e faz um barulho estranho. Converso por um minuto com o vigia até que escutamos o barulho, sentimos o estrondo e uma nuvem de fumaça nos cega. Algo atingiu minha perna e está doendo muito, mas não estou ligando para isso e começo a chamar pela minha mãe e o Nolan:

— Mãe? Nolan? Respondam, por favor... Mãe? Nolan? — meus olhos ardem, choro feito uma criança que se perdeu da mãe.

Tento ir até onde estão os escombros, mas o vigia que também está machucado por causa dos estilhaços que voaram em nois dois diz:

— Menina, essa área agora está interditada para qualquer pessoa passar! Já liguei para a polícia, bombeiro e hospital, quem chegar primeiro é lucro. Só espera aqui comigo porque você também está machucada.

Fico ali de pé balbuciando as palavras mãe e Nolan em choque. Sinto meu corpo aquecer e esfriar tantas vezes que pareço estar em um lugar que liga e desliga o ar condicionado, meu corpo inteiro treme, os calafrios são insuportáveis. Só quero que alguém me diga que minha mãe e meu irmão estão no último andar, mesmo que tenham que usar a escada de emergência para chegar aqui.

— Senhorita? Senhorita? — alguém me chama e eu olho para a pessoa — Vamos levá-la até a ambulância que está ali fora, precisamos ver esses cortes no braço e na sua perna.

— Mas não quero sair daqui, quero saber da minha mãe e do meu irmão!

O homem tenta ser gentil comigo e me explica o que pode acontecer se eu não for até a ambulância. Algumas horas se passam e eu estou ali sentada na ambulância até que um policial se aproxima e fala:

— Senhorita Riviera, eu sinto muito... Encontraram dois corpos abraçados dentro do elevador que estava parcialmente contorcido. E pelas descrições dadas pelo vigia creio que seja sua mãe e seu irmão... Eu sinto muito!

— NÃO!! NÃO DIGA QUE SENTE MUITO PORQUE VOCÊ NÃO SENTE! AAAAAAAAAHHHHHHHH...

Eu só quero gritar, quero gritar até minha garganta se desfazer. Como vou chegar em casa e dar essa notícia para o meu pai? Meu Deus, por que os levou desse jeito? Eles não mereciam isso.

Eu não tinha mais nada para fazer ali, ninguém permitiu que eu visse minha mãe e meu irmão por causa do estado em que eles estavam. Fui obrigada a ir para casa contar para a terceira pessoa que mais amo em minha vida que agora somos só nós dois.

Assim que cheguei em casa fiquei parada na porta por meia hora chorando e olhando para a mesma que ainda estava fechada, eu só queria acordar e ver que foi um pesadelo odioso... Mas não era. Entro e vejo meu pai em sua cadeira de rodas de frente para a televisão, sei que ele está a minha espera.

— Filha? É você? Nossa, você demorou muito! Já estava preocupado... — meu pai ficou sem palavras quando parei de frente para ele e viu que eu estava suja de sangue e poeira.

— Paizinho... — falo chorando enquanto me abaixo e seguro suas mãos — Às vezes acontecem coisas que não estão no limite da nossa compreensão, mas ainda assim acontecem... Eu sinto muito, paizinho, eu sinto muito.

Começo a chorar escandalosamente, não consigo falar mais nada além de sinto muito e chorar balançando meu corpo para frente e para trás. Meu pai que só pode mexer a cabeça começa a chorar muito quando finalmente entendeu o que eu estava tentando dizer em palavras, mas só saiu em emoções. Foi o pior dia de nossas vidas.

...ΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩ...

— Eugênia, não gosto quando sai para roubar! Sei que não consegue trabalho por causa do Robbie, mas precisa dar outro jeito de conseguir dinheiro minha filha!

Já se passaram seis meses desde a nossa grande perda, a empresa se responsabilizou por tudo, era mais que obrigação deles, mas parou por aí. Robbie é meu ex maluco, tóxico e obsessivo, já fui agredida por ele algumas vezes e ele sempre consegue me fazer ser demitida com seus ataques.

— Paizinho, preciso ir, prometo que não serei pega novamente!

Sai correndo porque sei que meu pai iria tentar me impedir. Porém dessa vez em uma de minhas rondas encontrei um bebê novinho chorando em seu carrinho. Estava frio e para completar chuviscando, quem teria coragem de abandonar um bebê tão pequeno sozinho na rua?

Peguei ele e coloquei por dentro da minha blusa para aquecê-lo, abracei e fiquei passando as mãos nele até que parou de chorar e adormeceu. Fiquei ali parada com aquele bebê próxima ao carrinho embaixo de uma tapagem esperando alguém aparecer para pegar ele, ninguém apareceu e o bebê parecia faminto.

— Olha bebê, vou te levar para minha casa, mas já vou avisando que quem manda lá é minha gata Akira e eu não sei se ela gosta de bebês. Meu paizinho vai amar te conhecer... Mas precisamos saber de quem você é filho.

Levei o bebê para casa, tirei o pano que estava enrolado nele e vi o nome Dylan bordado em sua blusa.

— Então seu nome é Dylan... Vou cuidar de você Dylan, onde comem três come mais um!

Meu pai se apaixonou pelo Dylan assim que colocou os olhos nele, mas eu sei que não podemos ficar com ele... Preciso encontrar a família dele.

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Comments

Meirinha Melo

Meirinha Melo

isso aí tem cara que foi de propósito! essa babá foi mandada por alguém pra abandonar o bebê! esperem e vejam!

2025-01-14

1

Leide Andrade

Leide Andrade

eu também acho que foi de propósito, e foi amando da ex dele, pq se não me engano tem uma ex na jogada, é vamos que vamos para os próximos capítulos, já amando o enredo 🥰❤

2025-03-30

0

Maria Aparecida Monteiro Firmino Cida

Maria Aparecida Monteiro Firmino Cida

pela doente de paixão pelo pai
sempre tem que ter uma

2025-01-15

0

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