Maicon: Filho o papai não mentiu, se expressou mal. O que quis dizer, é que sempre fazemos almoço especial quando temos visita.
Andrew: O papai não mentiu tio Will, é verdade!
O papai nunca mente Aline.
Aline: Entendi Andrew.
Não olho na direção do Maicon, imagino como isso deve ter sido constrangedor para ele. Nos sentamos para almoçar e tento ficar menos desconfortável. Andrew me pede ajuda com a carne, ele é muito doce, impossível não se encantar com essa criança.
William: Tem filhos Aline?
Aline: Não.
William: E família em Seattle?
Aline: Não tenho senhor William, me mudei do Brasil a pouco tempo.
William: É preciso muita coragem para se mudar de país sozinha. Coragem não deve te faltar, afinal a sua profissão é bem arriscada.
Aline: Toda profissão tem riscos.
Falo um pouco desconfortável com o interrogatório do William. As flores e agora essas perguntas, não sei aonde ele quer chegar.
Andrew: O tio Will disse que você é um colírio Aline!
Maicon: Encaro o William com um sorriso de satisfação. Ele fecha a cara para o Andrew e a Aline fica séria, ela é demais!
Disse o que filho?
William: Formiguinha, quis dizer que a Aline é bonita.
Andrew: Disse linda titio. Eu também acho ela um colírio.
Aline: Obrigada Andrew, lindo é você!
Terminamos o almoço apenas com o Andrew conversando. Ele me chama para ver os quarto dele e me sento com ele brincando de carrinho. Andrew, pega uma foto e me entrega, posso ver como ele fica triste passando os pequenos dedinhos na moldura.
Andrew: É a mamãe.
Aline: Ela se parece muito com você. É muito linda a sua mãe Andrew.
Andrew: Ela não queria deixar eu e o papai.
Aline: Tenho certeza que ela não queria deixar vocês.
Andrew: Falo com a mamãe, mas ela não me reponde mais.
Aline: Mas, ela te escuta Andrew e dá onde estiver está cuidado de você e do seu pai. É o anjo da guarda de vocês dois.
Mudo o foco com o Andrew, ele se distrai, mas a sua expressão carregada de tristeza e saudade ficam marcadas na minha mente. Guardo a foto da mãe dele no lugar, ela tinha um sorriso lindo. Maicon senta connosco e tira boas risadas do Andrew, ele me pede para contar uma história antes dele dormir e fico um pouco mais. Saio na ponta dos pés do quarto do Andrew para não acordá-lo, fiquei o dia todo com ele e nem vi a hora passar. Encontro o Maicon no topo da escada.
Maicon: Obrigado por ter falado com ele com tanto cuidado sobre a Mila.
Aline: Não quis ser intrometida, mas ele ficou tão triste quando falou sobre a mãe.
Maicon: Não foi.
Aline: Boa noite senhor Maicon.
Passo pelo Maicon e dou de cara com o William na cozinha, ele me encara com o sorriso zombateiro no rosto. Me afasto um pouco e tropeço em um brinquedo do Andrew, o William me segura pela cintura e fico incomodada com a sensação da respiração dele no meu rosto. Ele me ajuda a me ajeitar e me afasto rápido.
William: Está tudo bem?
Aline: Está tudo ótimo, boa noite senhor William.
William: Senhor?
Aline: Sim, senhor William. Estou me aproximando do Andrew, mas não deixei ser uma funcionária da sua família e irei manter o profissionalismo.
William: Não quis faltar com o respeito Aline.
Aline: Wil, flores e colírio ultrapassa alguns limites que gostaria de manter!
William: Irei me lembrar disso.
Aline: Licença, boa noite senhor William.
William: Aline é uma pequena só no tamanho, mas é uma sem medos. Ela sai e fico rindo sozinho.
Marluce: William Robinson espero que tenha ouvido a Aline com atenção.
William: Não sei do que está falando e que feio para senhora ficar escutando a conversa por de trás das portas.
Marluce: Me respeite William, escutei por um acaso. Viu o que falei sobre a troca de olhares durante o almoço?
William: Claro que vi, a Aline não gostou da minha aproximação e mesmo amando ver o Maicon com ciúmes, seria um desrespeito com ela continuar.
Marluce: Deixa as coisas acontecerem naturalmente meu filho, eles acabaram de se conhecer.
William: Talvez esteja certa, tenho que ir.
Marluce: Juízo menino, desse jeito vai acabar fazendo um herdeiro.
William: É ruim em, sou muito cuidadoso. Até porque o risco de ter um herdeiro é pequeno comparado ao de pegar uma doença!
Marluce: Ainda vai conhecer alguém que vai roubar o seu coração.
William: Enquanto não acho a certa, me divirto com as erradas!
Marluce: Não tem um pingo de juízo menino!
William: Me despeço da Marluce e vou à um barzinho local, gosto de me envolver com mulheres que tem os mesmos interesses que eu. Corro das que querem compromisso, não vou enganar ninguém e não estou disposto a abandonar essa vida maravilhosa.
Aline: Me deito pensando na expressão de tristeza do Andrew, ele está vivenciando algo tão doloroso ainda tão novo que dói na alma. Encaro uma foto dos meus pais, perdi o meu pai aos 18 anos e a minha mãe aos 23 anos. Tinham doenças crônicas e eram teimosos, sinto falta deles todos os dias. Eram alegres, amorosos e presentes na minha vida. Me lembro do meu pai dançando com a minha mãe ouvindo um rádio velho que ele amava. Acabo sorrindo com a lembrança, de alguma forma isso me conforta. A saudade está aqui, mas tem também as lembranças boas. Me levanto para tomar água e noto como a lua está linda. Visto uma pijama longo, bem comportado e saio para ver o céu. Me deito no grama e admiro o céu.
Maicon: Observo da minha varanda a Aline saindo da casa que está hospedada. Ela deita na grama e parece admirar o céu. Me sento na varanda e espero ela entrar em casa para me recolher. Me lembro de como o Andrew ficou a vontade com ela e como ela foi carinhosa com ele no momento que ele mostrou a foto da Ludmila. Me vem na cabeça a imagem da Ludimila me pedindo para não deixar o Andrew crescer sem o amor de mãe, talvez um dia me case. Durmo sem perceber pensando nisso.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
Cicera Illaria
Cadê comigo
2025-04-04
0
Josilda Maria
Muito bem botou o sem noção do William no lugar kkkk
2025-02-15
3
Jaildes Damasceno
Gostei muito da atitude dela colocando William em seu devido lugar
2025-02-15
2