As horas foram passando e nada de Claire chegar em casa. O celular dela ia direto para a caixa postal, e isso estava começando a preocupar Kristen, que subia e descia as escadas com o celular na mão.
Thomas - Sua mãe não te falou se sairia no final de semana? Isso está bem estranho.
Kris - Não!
Ele pega o celular e começa a ligar também, já começando a ficar nervoso com o sumiço da ex-esposa.
Thomas - Ela costuma sair à noite?
Kris - O quê? Não!
Thomas - Talvez ela esteja namorando escondida e você não sabia.
Kris - E se estiver, qual é o problema?
Thomas - Nenhum!
Kris - Então não fale assim dela! Porque quem fica com uma e outra é você!
Thomas - Como é? Que rebeldia é essa agora, garota? Esqueceu que sou seu pai.
Kris - Não!
Thomas - Pelo menos eu não me escondo e não saio escondido com ninguém.
Kris - Minha mãe também não! E mais uma coisa, somos muito amigas, se ela estivesse namorando, com certeza teria me contado.
Ele se irrita com os comentários da filha e vai para o quintal tomar um pouco de ar fresco, sentando no banco de cimento e continuando a tentar ligar.
Thomas - Agora só o que me faltava!
Reclama para si mesmo.
Thomas - Eu não sei por que estou tão preocupado com ela.
O ponteiro do relógio da cozinha já marcava 23:00 horas. Já perdendo a paciência, Thomas resolve ligar para a polícia. De repente, o cachorro late olhando em direção à porta, e Claire entra toda plena com uma mochila nas costas e se depara com os dois em pé no meio da sala, olhando para ela.
Thomas - Para onde você foi?
Ela faz uma careta e franze os olhos.
Claire - Oi?
Thomas - Estamos aqui há horas, e você nem atendeu o celular.
Claire - Calma aí, desde quando você tem o direito de me cobrar alguma coisa?
Kris olha para o pai.
Thomas - Eu... eu...
Ele se atrapalha inteiro na pergunta, sem ter uma resposta plausível.
Thomas - Eu estava preocupado com minha filha, que estava desesperada sozinha em casa.
Kris - Eu não...
Thomas - Shhh... Vá para o seu quarto!
Kris - Mas eu...
Thomas - Não teste minha paciência, Kristen! E mais uma coisa, você está sendo muito insolente para o meu gosto.
Kris - Eu, hein! Agora sobrou para mim, é?
Ela protesta e sobe para seu quarto acompanhada por Dime. Claire coloca a mochila em cima do sofá e vira, olhando para Thomas como se quisesse esganá-lo.
Claire - Então... o que você está fazendo aí parado? Quer ficar e dormir no meu quarto?
Ela fala ironicamente, senta no sofá e cruza as pernas.
Thomas - Por que você é assim?
Claire - Assim como?
Thomas - Defensiva o tempo todo!
Ela suspira e por um momento ele percebe a expressão real no rosto dela, com uma nuvem de tristeza em seus olhos.
Thomas - Quase não temos diálogo nenhum, você percebeu?
Ela balança a cabeça, confirmando.
Thomas - Acho que poderíamos tentar deixar nossas indiferenças de lado e ter uma convivência minimamente harmoniosa.
Claire - Eu não gosto de brigar ou ser irônica, só me acostumei a ser assim sempre que estou perto de você.
Thomas - Me arrependo muito de ter ido embora.
Essa confissão a pega de surpresa, e até mesmo ele só percebeu o que disse depois, deixando um silêncio longo e constrangedor pairando no ar.
Thomas - Quis dizer...
Ele simplesmente desiste de explicar e reforça o que disse anteriormente.
Thomas - Eu era muito imaturo, tinha outros pensamentos.
Claire - Não sei o que dizer, sério!
Thomas - Não precisa dizer nada! Eu só precisava desabafar algo que estava engasgado na minha garganta há anos. Hoje estou vivendo a vida que escolhi, sozinho.
O celular dele toca.
Os dois continuam se olhando, até ele desviar o olhar e tirar o celular do bolso para verificar quem está ligando.
Claire - Já está tarde! E estou muito cansada, então acho melhor você ir embora.
Thomas - Deixe-me ser mais presente na vida dela!
Ele desliga o celular, ignorando a chamada, e o guarda no bolso.
Claire - Nunca te afastei dela, Thomas. Pelo contrário, você que sumia nas datas mais importantes.
Thomas - Quero recuperar o tempo perdido! Sei que é tarde, pois perdi a melhor parte da vida de um pai, a infância.
Claire - Tudo bem, nunca é tarde!
Thomas - Amanhã eu vou buscá-la na escola.
Claire - Ela volta de ônibus, mas vou avisá-la que você irá buscá-la.
Ele sorri com os lábios cerrados e olha em direção à porta.
Thomas - Boa noite!
Claire - Boa noite! Deixa que eu abro a porta para você.
Thomas - É a primeira vez que você faz isso.
Claire - Ué! A casa é minha, é o mínimo que eu tenho que fazer. Lembre-se, sou muito educada.
Ela abre a porta e ele sai sorrindo, mas para e vira para olhá-la.
Thomas - Sinto muito pelo seu avô! Ele foi um grande homem, digno e trabalhador.
Ela apenas pressiona os lábios em agradecimento.
Thomas - Eu queria ter te dado minhas condolências no dia, mas...
Claire - Tudo bem! Você está fazendo isso agora, é o que importa.
Ele continua caminhando e entra no carro. Claire acena com a mão e fica observando ele partir e ir embora. Algo aconteceu naquela noite, e era inexplicável para ambos. Pois, pela primeira vez em anos, tiveram uma conversa amigável e leve.
Ao chegar em seu apartamento, Thomas não conseguia conter sua felicidade. Parecia que tinha visto um pássaro raro, pois não conseguia tirar o sorriso dos lábios.
Entrou em seu quarto e tirou a roupa para tomar um banho. Em seguida, vestiu um short confortável e foi para a sala de visitas, onde o piano estava. Sentou-se no banco e começou a tocar uma música tranquila, que enchia todo o apartamento com seu som elegante.
Havia um tempo desde a última vez que ele havia tocado, mas hoje, em especial, mergulhou nas notas musicais, lembrando-se de seu eterno hobby, trazendo de volta algumas lembranças em sua memória.
....
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Atualizado até capítulo 100
Comments
Marineia Araujo
eles se amam, só falta diálogo 😃👏🏻👏🏻
2025-02-26
0
amor por leitura 📚
kkkkk
2025-01-27
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karvalho Heloiza😍
muito bom
2024-12-20
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