O homem continua me encarando, como se visse tudo dentro de mim.
- Bom dia! Meu nome é Nicollas Blake! - diz, puxando minha mão e beijando, fechando os olhos e aspirando meu cheiro lentamente.
Eu me sinto estranha, mas logo ouço o chorinho da minha bebê, que me faz puxar minha mão e olhar novamente na direção do sofá.
- Pra...prazer. ..- digo, desconcertada com as sensação intensa e gostosa que senti com o toque dele em minha mão.
Foi tão intenso que minha respiração ficou lenta, enquanto meu coração acelerou e parecia existir só nós dois nesse momento.
- Desculpe...eu preciso ver minha...
Nem tenho tempo de terminar de falar, porque o Sr. Blake murmura um "com licença " e passa por mim feito um furacão em direção ao sofá, parando estático e olhando fixamente pra minha filha.
Eu vou logo atrás dele e me abaixo perto do sofá, pegando a Maria Isis no colo e olhando totalmente confusa para o homem à minha frente, que parecia hipnotizado com os olhos fixos na minha filha. E pra minha maior surpresa, Isy não o estranhou, e logo deu um sorriso pra ele e esticou os bracinhos em sua direção.
Que coisa mais estranha! Minha filha não é assim...
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Nicollas
Eu estava há ponto de enlouquecer!
Uma filha? Eu tenho realmente uma filha?!
Saí da casa do meu tio Brian, depois do jantar, e fui direto pro prédio onde alguns funcionários da empresa moram.
Fiquei parado, sentado dentro do carro, imaginando que há alguns poucos metros de distância poderia estar a mulher, a única mulher que realmente mexeu comigo e...e a minha filha!
Decidi voltar pra casa e tentar esfriar a cabeça, antes que eu fizesse a besteira de subir lá e confrontar a moça.
Mas eu não dormi, pelo contrário, passei a noite toda imaginando uma forma de chegar nessa moça...Mariana.
Como explicar que eu sou o cara que tirou a virgindade dela e, mesmo sem intenção, a deixou à mercê da sorte com um filho nos braços?!
As coisas rodavam em minha mente, e eu não sei nem se consegui dormir, mas às 5 da manhã eu já estava de banho tomado, vestido, indo em direção à casa dos meus pais.
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- Mãe, eu vou conversar com ela antes de chegarmos na empresa e isso já está decidido! - digo, firme, assim que conto aos meus pais o que quero fazer.
- Filho, ela pode se assustar! Imagina, do nada o chefe dela, que ela nem conhece, aparece na porta dela e diz: Bom dia, eu sou o pai da sua filha e vim vê-la!
- Filho, sua mãe tem razão, isso seria muito imprudente...
- E eu vou fazer o que, pai? - digo, nervoso. - Vou ficar dias e dias com a mãe da minha filha perto de mim, sem nem ao menos poder chegar perto da minha filha? Mentindo para a moça e fingindo não saber de nada?!
- Não, Nicollas. - minha mãe diz, calma. - Mas precisamos preparar o terreno antes de dar a notícia para essa moça. É um assunto delicado..
- Mãe, se eu realmente sou o pai dessa criança, então vou agir como o homem que vocês me criaram pra ser. Vou assumir minha responsabilidade, mas nada além disso. Então vamos logo com isso!
Eu saio dali e ouço meu pai bufar alto, mas logo os dois vem atrás de mim.
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Logo que tocamos a campainha eu sinto um misto de sensações. Mas minha mãe toma a frente e a moça, ao abrir a porta a cumprimenta de forma gentil.
Confesso que fiquei encantado...ela é muito mais linda do que imaginei.
Ela olha pra mim e meu pai meio desconfiada. Logo eu ouço um gritinho infantil e meu coração fica inquieto.
Me aproximo e, num impulso, beijo a mão dela. Eu sinto o perfume de morango, o mesmo daquela noite há pouco mais de um ano, e todas as memórias vêm à minha mente, como uma enxurrada.
As sensações, os beijos, os toques dela na minha pele, os gemidos, a voz arrastada...tudo me faz fechar os olhos e querer que esse momento não acabe.
Mas que droga está acontecendo comigo?!
Saio do meu transe com o som de um chorinho manhoso, e a moça puxando a mão e se desculpando, olhando em direção ao sofá.
Eu nem sei porque, mas quando vejo estou passando por ela feito um furacão, e quando para em frente ao sofá e meus olhos cruzam com aqueles olhinhos verdes, tão verdes quanto os meus, eu sinto como se eu houvesse encontrado algo que eu nem sabia que procurava!
Mariana logo se abaixa ao meu lado e pega a pequena em seus braços, me olhando confusa, e eu entendo que ela deve estar receosa com minha reação.
Mas foi só olhar novamente, fixamente nos olhos da pequena menininha em seu colo, que a princesa me deu um sorriso tão lindo, que iluminou tudo ao seu redor.
Eu não sei explicar, mas a ligação que senti com essa pequena não pode ser algo comum. É forte, é intensa, é algo surreal...
Ela esticou os bracinhos na minha direção e eu olhei para a Mariana, que me encarava confusa e assustada ao mesmo tempo.
- Posso? - perguntei, perguntando se podia pegar a pequena bebê em meus braços.
Ela me olhou ainda mais desconfiada ...
- Eu...eu não sei se é uma boa ideia, Sr. Blake...- disse, visivelmente desconfiada.
- Eu prometo não deixá-la cair.
A pequena me olha e, vendo que eu não a peguei, começa a chorar e nem todo o carinho da mãe a faz parar.
- Por favor...- insisto, e ela mesmo relutante, me entrega a bebê.
E foi no momento em que segurei aquela pessoinha tão pequena e indefesa em meus braços, que eu senti o maior e mais forte sentimento parecer nascer e explodir dentro do meu peito. Uma sensação única, que me apavorava e enchia de coragem ao mesmo tempo...
Quase que imediatamente a minha princesinha cessou o choro, e com sua mãozinha tocou meu queixo, me fazendo sentir meus olhos transbordarem de lágrimas de um sentimento tão puro, tão forte e lindo, que eu não saberia descrever com palavras, mas nesse exato momento eu sabia, sem dúvidas, que eu estava segurando a minha filha!
- Oi pequena Isy...- beijei a mãozinha dela. - Que bom finalmente te conhecer, meu amor...
- Fi...finalmente?! - Mariana balbucia, e eu a olho, ainda com lágrimas em meu rosto.
Ela encara bem no fundo dos meus olhos, e então olha pra nossa filha, que estava tranquila em meus braços.
Vejo uma sombra de pavor pairar sobre os olhos castanhos da morena à minha frente.
Ela caminha com passos vacilantes até bem próximo de mim e coloca uma das mãos sobre meu rosto, cobrindo a boca e o nariz, e seus olhos quase saltam, tamanho o susto.
Ela cobre a boca com a outra mão e vejo lágrimas descendo por seus olhos...mas não parecem ser de felicidade.
De repente ela olha pra nossa filha e eu entendo seu medo. Mas nem tenho tempo de dizer nada, pois ela se ajoelha na minha frente, e aos prantos, desesperada, agarra minhas pernas...
- Por favor...por favor...senhor....por tudo o que há de mais sagrado...não tira a minha filha de mim...não tira de mim a única coisa boa que me restou....a única pessoa que eu tenho....pelo amor de Deus.... não tira a minha filha!
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Atualizado até capítulo 80
Comments
Josivania de Lima
Ju mulher como é que tu faz a gente cherar tanto
2025-02-18
1
Ednilza Ribeiro
coitada o desespero de mãe foi mais forte
2025-03-14
0
Maria Aparecida
Ju essa foi de vir as lágrimas 😂😭😂
2025-01-15
0