Ainda envolvida no abraço da senhora Sofy, eu respiro fundo, pois ela me ajudou tanto e eu jamais poderia esconder de quem me estendeu a mão, algo tão importante, na verdade a mais importante da minha vida.
- Senhora Sofy, eu preciso lhe contar algo muito sério, mas pra isso temos que ir até o lugar onde eu moro atualmente.
Ela me olha, curiosa e também me parece confusa.
- Pode fixar tranquila, eu não sou nenhuma criminosa ou algo assim. Se puder eu até prefiro que seus seguranças nos acompanhem, pois o lugar é meio barra pesada.
- Claro, querida. Vamos agora mesmo, mas não pense bobagens, eu não desconfiei de você. - diz e me olha com sinceridade.
Nós seguimos até o pequeno e velho prédio onde eu alugo uma quitinete. Assim que entramos, o senhorio me olha feio, pois eu já estou devendo um mês de aluguel, mas ao ver a senhora Sofy, toda bem vestida e os seus seguranças, as expressões do velho calvo mudam8 imediatamente...velho nojento.
Eu, a senhora Sofy e os seguranças subimos as escadas até o segundo andar. Logo eu paro em frente à porta de número 202 e bato. Minutos depois, dona Alzira abre e porta e me olha sorridente, mas logo fica desconfiada ao ver a mulher muito bem vestida ao meu lado e os dois homens enormes, vestidos de preto, logo atrás de nós.
- Mari, querida,está tudo bem? - ela pergunta, desconfiada.
- Tudo sim, dona Alzira. Bom, eu gostaria de apresentar a senhora Sofy. - aponto a mulher lindíssima ao meu lado e ela cumprimenta dona Alzira com um aperto de mão caloroso.
- É um prazer conhecê-la, dona Alzira. Mas, vocês moram juntas, Mariana. - Sofy questiona.
- Não, na verdade...- eu paro ao ouvir um chorinho ao fundo...o melhor som do mundo.
- Ela acordou! - dona Alzira diz.- Só um minuto que vou buscá-la.
Ela sai e dona Sofy me encara com a testa franzida.
- Tem um bebê lá dentro?
Antes que eu responda, meu pacotinho de amor vem toda enroladinha na mantinha rosa, nos braços da dona Alzira, que me entrega ela e eu a aconchego em meus braços, sentindo seu cheirinho gostoso de bebê e beijando seus cabelinhos.
- Dona Sofy, essa é Maria Isis...minha filha! Diz oi Isy... - Falo, segurando a mãozinha dela, que olha tudo curiosa.
Dona Sofy fica parada, olhando fixamente para a minha pequena.
- Maria Isis? - ela diz, como se falasse consigo mesma. - Desculpe, eu...eu posso lavar minhas mãos para segurá-la? - pede e eu posso estar enganada, mas ela parece...emocionada?
Eu olho pra dona Alzira que parece tão confusa quanto eu.
- Ah...claro. Podemos ir até a minha casa e lá eu deixo a senhora segurá-la. Vamos junto dona Alzira?
Acho que dona Alzira estava tão confusa quanto eu e resolveu nos acompanhar.
Subimos mais um lance de escadas e chegamos ao terceiro andar. Minha quitinete é bem, bem pequena. Mas deixo sempre limpa, até porque, minha filha é bem alérgica e poeira não faz bem à ela.
- Bom...entre e...é tudo bem simples, mas bem limpinho, então se quiser pode se sentar. - aponto o sofá bem velho, que eu cubro com uma manta para esconder os rasgos.
- Tudo bem, querida. Não se preocupe com isso. - ela olha em direção ao interior. - Onde posso lavar as mãos?
- Ali. - aponto a porta branca. - O banheiro fica ali. Tem toalha e sabonete na pia. Pode ficar à vontade.
Ela sai apressada, após agradecer, e se tranca no banheiro.
Como os seguranças ficaram no corredor, eu fechei a porta, ainda com minha bebê no colo.
- Mari, desculpa perguntar, mas de onde você conhece essa moça toda granfina? - dona Alzira me pergunta, sussurrando.
- Conheci hoje cedo. Eu fui assaltada e ela me ajudou, me levou até a delegacia para prestar ocorrência, depois me ajudou a tirar novos documentos e me ofereceu um emprego maravilhoso, dona Alzira! - digo, feliz.
- Oh, que bom minha filha, você merece! - acaricia minha mão. - Depois de tanto sofrimento e tantas lutas, agora você finalmente vai poder ser feliz e dar uma vida boa e confortável pra sua pequena.
- É sim...- respiro fundo.
- Mas porquê essa carinha triste, menina?
- Sabe, a dona Sofy parece um anjo que apareceu pra me estender a mão. Mas eu não sei se vai continuar querendo me ajudar agora que sabe sobre a minha pequena.- dou um beijinho na testa da minha bolinha fofa. - Eu nunca abriria mão da minha filha, mesmo que isso signifique continuar vivendo nesse lugar e fazendo apenas uma refeição por dia para economizar e não deixar que nada falte à ela. Eu vivo pela minha pequena Isy!
- Eu sei, menina. Acompanho sua luta pra sustentar e criar essa pequena. E sei também que essa boa senhora não vai recolher a mão que te estendeu.
Eu a encaro, confusa.
- Como pode ter tanta certeza, dona Alzira?
- Querida, eu sou velha, já vivi muito e reconheço o afeto e carinho quando os vejo. E o carinho que essa alma caridosa sente por você é genuíno. E digo mais, ela se encantou pela sua filha também, mas parece ter um carinho diferente...
- Como? - franzo a testa. - A senhora acha que ela pode...
- Não! - ela me interrompe. - Fique tranquila. Ela não parece querer fazer mal à sua bebê. É estranho o que vou dizer, mas ela olhou pra sua filha com o mesmo carinho que eu, com um carinho de avó.
- E a senhora é realmente a avó que a minha princesa nunca teve...
Paramos nossa conversa com o barulho da porta do banheiro se abrindo.
- Desculpe a demora Mariana, mas eu aproveitei e usei seu banheiro. Estava apertada e minha bexiga parecia que ia explodir. - ela sorri. - Mas, agora que estou com as mãos devidamente limpas...eu...bom...
- É claro que pode! - digo, entregando minha princesa à ela, que aninha minha pequena em seus braços e vejo os olhos da dona Sofy marejados.
- Ela...ela é tão linda! - acaricia a mãozinha da Maria Isis. - Tão perfeita e tão fofinha.
- Ela é meu bem mais precioso! - digo, orgulhosa. - Meu mundo inteiro.
- Ela têm seus traços...mas...hum...
- Os olhos do pai...- digo, e dou um suspiro. - Pelo menos é a única coisa que me lembro dele...
Ela me encara, e parece triste e confusa.
- Você...você foi abusada? - diz, num fio de voz.
- Não, não. Quer dizer...- respiro fundo novamente. - Sente-se que vou te contar tudo.
É a segunda vez que conto essa história pra alguém, depois da morte da minha avó, mas sinto que não vai ser fácil....
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Atualizado até capítulo 80
Comments
Regina Lucia Freitas Silva
será que o safado do Nicolas é o pai e sem querer a Sofy encontrou a neta 🤔🤔🤔🤔
2025-02-05
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Ednilza Ribeiro
to achando que a Sony já tem uma neta
2025-03-13
0
Isa Abreu
Aí Jesus!! será o quê estou pensado.
2025-01-31
1