PONTO DE VISTA DE CAUÃ
Deixei o prédio da delegacia e corri até o hotel que ficava há algumas quadras.
Não fui de caminhonete antes para chegar de surpresa.
Tudo que aconteceu naquela sala, foi obviamente muito inusitado e fui eu o surpreendido.
Desde o aperto de mão que Maia iniciou, cujo contato foi para mim especial, o restante foi inquietante.
Quando as nossas mãos se tocaram, o meu coração acelerou, eu quis puxá-la para um abraço.
Observar o seu rosto de perto, trouxe uma certa familiaridade que despertou a esperança de ser a Sakari. Como eu gostaria de lembrar da face infantil dela para comparar...
Quando terminei de analisar os seus traços, os seus lábios chamaram a minha atenção e a necessidade crescente de um beijo surgiu. Tive que me controlar para não fazê-lo.
Em seguida, veio a decepção por descobrir que ela não tinha a tatuagem que o Jake comentou...
O elogio pelo gosto do café idêntico, inflamou o meu ego. Algo tão simples, mas que remetia cumplicidade.
Presenciar quando ela percebeu a chegada do sanguessuga antes de mim, mostrou a certeza que ela realmente era diferente e não uma humana informada sobre a nossa existência.
Sentir a sua mão sobre a minha para me acalmar quando liberei as minhas garras, acelerou o meu coração novamente e uma sensação de prazer começou a nascer naquele ponto.
A energia que passou através da nossa pele, acendeu cada parte do meu corpo... Foi incrível! Parecia que nos pertencíamos.
Mais uma vez, desejei beijá-la e mais, eu queria torná-la minha no sentindo mais complexo e prazeroso.
Se não fosse a presença daquele cadáver ambulante...
Falando nele... Não gostei de saber que ele propôs a Maia que se tornasse a sua rainha. Jamais!
"Tenho que achar uma brecha nas leis, Maia tem que ser minha. Eu preciso dela na minha vida." Pensei.
A contradição em mim estava se tornando cada vez maior. Tudo que sempre abominei na minha vida, eu estava louco para vivenciar. Ter uma humana ou outra espécie na minha cama, na minha vida compartilhando tudo comigo.
Voltando àquele momento, vê-la em transe com olhos completamente parados, mexeu com as minhas emoções. Fiquei assustado, preocupado…
Aquela única lágrima que desceu no seu rosto foi de partir o meu coração. O que a fez chorar? Seria algo do passado, assim como visualizou o de Noah? Será que ela viu o meu desperto por saber o que aconteceu com Sakari?
Noah disse que as visões de Maia são assertivas, precisava correr contra o tempo para salvar a minha mãe.
Voltei para a realidade...
Quando pensei sobre a urgência de chegar à alcateia, uma pergunta, que não queria calar, começou a atormentar-me.
Por que Irina faria algo tão absurdo? Se a antiga Luna morresse... A resposta veio em seguida: eu seria obrigado a acasalar o mais rápido possível.
"É lógico! Ela quer me forçar a aceitá-la." — Pensei enquanto entrava pela porta do pequeno hotel da cidade.
Cheguei no quarto, Wally conversava por telefone.
Fiz sinal para que ele pedisse um tempo para a companheira dele, mas que não desligasse.
— Pergunte a ela, se Irina tem cuidado da minha mãe e em quais horários ela vai à casa principal.
— Cauã, você não proibiu a entrada dela?
— Sim, mas parece que alguém desobedeceu. Pergunte logo.
Wally olhou para mim, voltou a ligação e colocou no viva-voz.
— Querida, poderia me dizer se a Irina Hathaway está indo até a casa principal para cuidar da Luna Mãe?
— Sim, querido. O antigo Alfa autorizou. E atualmente é só ela quem cuida da Luna Mãe. Inclusive, ela se mudou para casa principal.
— Irina está morando lá?
— Sim. Pelo que todos da alcateia sabem já é certo que ela e o Alfa vão acasalar em breve.
As minhas garras saíram.
O meu lobo interno ficou inquieto.
Wally percebeu a minha raiva e despediu da companheira.
— Arrume a sua mochila. Vamos embora agora.
— Você não disse que aguardaríamos a chegada do Jake?
— Não dá mais para esperar, te conto tudo enquanto estivermos na estrada. Você tem cinco minutos.
Como não desfiz a minha mochila, peguei-a e comecei a sair.
Wally correu para juntar os itens que ele espalhou pelo quarto.
Fiz o pagamento da estadia e fui para a caminhonete.
Abri a porta do passageiro, peguei o meu celular e liguei para Jake no modo viva-voz:
— Onde você está?
— Estou há duzentos quilômetros de Mystical Land.
A porta do motorista foi aberta, Wally entrou, deu partida no veículo e começou a dirigir.
— Ótimo! Tenho que voltar para a alcateia agora. Irina envenenou a minha mãe.
Wally deu uma freada brusca e olhou para mim assustado.
Já eu, olhei-lhe, querendo acertá-lo pelo violento solavanco.
— Que absurdo é esse? Ela enlouqueceu? Como descobriu? — Jake perguntou.
Wally levantou as sombracelhas e fez um gesto com a cabeça como se perguntasse o mesmo.
— Vou saber quando chegar lá. Maia, a delegada, não tem a tatuagem que falou, mas além do dom de sentir outras espécies, ela é também clarividente.
— Entendi, foi ela quem lhe informou sobre o envenenamento?
— Sim, ela descreveu com clareza a Irina, inclusive os acessórios que ela usa. O Renegado que trabalha com ela garantiu que suas visões são assertivas. Não sei, mas há algo a mais que ela parece esconder, o cheiro dela é um pouco diferente para mim.
— Você quer que eu descubra, qual o segredo da delegada, certo?
— Isso mesmo. O Rei Vampiro disse algo que me deixou cismado quando me viu ao lado de Maia. Acho que as palavras foram: "Um Alfa que não deveria ser Alfa e uma humana que não deveria ser uma humana…"
A ligação ficou muda do outro lado.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Suelen Andrade
o vampiro gostoso falou tudo e ele não sacou , e só ligar oque o pai dele disse a muitos anos atrás
2024-11-14
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Suelen Andrade
eu acho que o antigo alfa tá nessa de envenenar a Luna
2024-11-14
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Suelen Andrade
tudo isso Cauã
2024-11-14
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