A visão não veio como no dia anterior.
Eram muitas cenas como pequenos flashbacks que não pareciam ter uma ordem cronológica. Alguns deles, mostrava as diversas viagens que Cauã fez e o seu retorno com um semblante, desanimado, decepcionado e triste.
Depois, a visão mostrou diversas batalhas, onde Cauã lutava contra inimigos e bandidos. Saindo vitorioso e muito machucado.
De repente, as imagens rodopiaram e pararam na infância de Cauã, aquele garoto que aparecia há tantos anos nos meus pesadelos.
A diferença é que desta vez eu ouvi as vozes das pessoas.
— Pai, traz a Sakari de volta. A culpa foi minha. Fui eu que chutei a bola na vidraça. Por favor, ela não teve culpa de nada.
— Não. Ela nunca mais voltará. Sakari foi expulsa da tribo. — O Alfa Kall falou.
Cauã chorou e saiu cabisbaixo.
As imagens giraram novamente, essas pareciam mais recentes. Na visão, estavam o atual Cauã, o seu pai, o seu avô e Jake.
"— Eficaz? Levar uma criança à morte, é o seu conceito de eficácia? Eu sempre abominei tê-la expulsado. Tirar o ser sobrenatural dela é pior ainda. Pelo amor da Deusa da Lua, vocês cometeram um crime contra a natureza. Isso é inadmissível! Que motivos teriam para cometer uma atrocidade como essa?"
Senti uma lágrima involuntária escorrer pelo meu rosto.
Mudou o momento de novo...
Cauã derrubou a mesa e sentou no chão chorando e chamando por meu antigo nome.
Tudo ficou branco, as visões sumiram, senti o meu corpo ter algumas convulsões.
Deixei o baú escapar das minhas mãos.
Escutei as vozes do Cauã e Noah.
— Delegada Maia! Delegada! Por que ela está assim? — Cauã chamava e conversava com Noah.
— Alfa, solte os braços dela. Afaste-se. — Noah orientou.
— O que está acontecendo com ela? — Cauã disse, preocupado, mas não me soltou.
Outra visão apareceu. Nela, uma mulher que parecia muito famíliar preparava um chá. Tirou do casaco um frasco. Eu o conhecia bem, pois tínhamos um estoque daquele mesmo conteúdo. Ela colocou algumas gotas no líquido que foi colocado numa xícara. A cena mudou, era um quarto grande, a pessoa estava deitada, com a mão trêmula pegou a xícara com líquido preparado anteriormente...
Neste momento, o meu braço foi solto e fui segurada por Noah, pois senti o seu cheiro.
Ainda de olhos fechados, com dificuldade para respirar, fiquei intrigada com a cena e lembrei da mão que segurou a xícara após ser entregue.
— Maia, você está bem? — Noah perguntou.
A minha visão foi voltando, mas o meu corpo estava fraco.
— Delegada!? — Ouvi a voz de Cauã.
Virei o rosto e olhei para ele.
— Não se preocupe... ficarei bem... dentro de... algumas horas. — Disse pausadamente, tentando ficar com olhos abertos.
— Você está doente? — Cauã perguntou preocupado.
Quando ele falou sobre estar doente lembrei da visão, mais uma vez. Aquela mão... Aquele anel...
Fiz um grande "ó" com a boca.
— Alfa, volte para a sua alcateia, agora. Você não pode ficar mais aqui ou a sua mãe morrerá.
Eu lembrei que eu adorava pegar na mão dela e mexer naquela joia.
— Delegada, do que você está falando? — Cauã perguntou incrédulo.
— Maia, você teve outra visão? — Noah questionou.
— Sim. Desta vez foi muito diferente. Além do passado, vi que há algo de errado com a mãe dele. Alfa, por favor, é muito importante que acredite em mim ou se arrependerá pelo resto da sua vida. — Disse e o meu coração começou a ficar acelerado, talvez pelo pânico do que poderia vir a acontecer.
— Desculpe-me, mas isso é muito estranho. — Cauã confessou.
— Eu sei. Para mim também é confuso. Porém, eu vi claramente que tem uma mulher ou fêmea como vocês dizem, envenenando aos poucos a antiga Luna com acônito.
— Como assim? Quem está envenenando a minha mãe? Eu não estou entendendo nada.
— Alfa, acalme-se e ouça. — Noah falou.
Cauã passou as mãos pelos cabelos.
— Você já ouviu falar que alguns humanos tem clarividência? — Noah tentou explicar.
— Sim. Mas... — Cauã foi interrompido por Noah.
— A delegada é uma destas pessoas. Se ela está dizendo que tem alguém fazendo mal a sua mãe, é porque tem. Ela já viu o meu passado, um segredo meu que nunca contei a ela e a ninguém.
Cauã respirou fundo.
— Delegada, viu como é esta fêmea? — Cauã parecia buscar evidências para acreditar
Fechei os meus olhos tentando lembrar das características da mulher e da própria visão.
— Ela tem cabelos escuros, olhos claros, usava um batom muito vermelho, colares e grandes argolas como brinco. Ela fazia um chá numa grande cozinha, toda de madeira, depois que colocou as gotas do veneno e levou até a sua mãe que estava deitada numa cama.
— Irina Hathaway! Maldita! Pela descrição só pode ser ela. — Cauã xingou.
Quando ouvi o nome, entendi o motivo de tê-la achado tão familiar. Só então, percebi que havia delatado a minha própria irmã. Se bem, que era isso que ela fazia comigo o tempo todo no passado.
A antiga Luna foi uma pessoa muito importante para mim, independente de quem fosse o criminoso, eu não seria conivente.
A minha visão começou a ficar escura.
Busquei o resto de forças que eu tinha e falei:
— Vá salvar a sua mãe. A mulher guarda o frasco no bolso interno de um casaco vermelho. Não perca mais tempo.
— Ok. Obrigado. Voltarei em breve, pois não terminamos a nossa conversa.
Cauã saiu correndo da sala.
Eu não aguentei e desmaiei em seguida.
Foto aleatória retirada da internet para fins ilustrativos.
Irina Hathaway
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Vanderléia Menezes Paixão
Amei esse novo dom dela, maldita essa Irina ordinária
2025-01-07
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Clauziane Gomes
Tá ficando interessante cada capítulo./Smile/
2025-01-09
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Denise Gonçalves das Dores
Tem cara de má.😬
Ela é linda também.
2024-12-19
0