PONTO DE VISTA CAUÃ BLACKWOOD
Ainda atordoado pelas palavras de Jake, perguntei:
— O que você disse? Predestinada? Tatuagem? Que tatuagem? Quem faria uma tatuagem numa criança da idade dela? Sakari ainda não tinha um lobo interno, ela não poderia receber uma tatuagem uma vez que não tinha sofrido a transformação.
Só prestei atenção na parte da tatuagem, nem me lembrei sobre a suposição dela ser a minha companheira. Não que eu não tivesse gostado de saber, mas a necessidade e a vontade de encontrar Sakari foi ainda maior.
Era uma questão de justiça, trazê-la de volta.
Jake desconversou e disse que eu esquecesse isso. Impossível esquecer, pois poderia ser mais uma característica física para encontrá-la.
Não sabia o motivo, mas eu comecei a pensar quase todos os dias em Sakari desde então.
Enquanto relembrava tudo, eu e Wally Malle, o meu beta, atravessamos a entrada da alcateia, pois estávamos voltando depois de uma pequena viagem.
Do amplo portão da comunidade até a casa principal, o meu povo saudava a minha volta.
Ser respeitado e querido pelo o meu era gratificante.
Quando adentrei ao local, fui avisado que todo o Conselho esperava por mim.
— Seja bem-vindo, Alfa! — Todos falaram.
Após relatarem sobre todos os acontecimentos nos últimos dias, o meu avô materno, um dos anciãos do Conselho falou ao meu pai:
— Kall, agora o Grande Alfa é o Cauã, ele tem todo o direito de saber sobre o passado. Algo me diz que a sua companheira era aquela garota. Ele precisa aceitar a realidade e encontrar outra Luna.
"Passado? Aquela garota? Outra Luna?" — Tentei buscar na memória.
Há tempos, o Conselho exigia que eu acasalasse com uma boa fêmea para acalmar o meu povo, pois a presença de uma Luna traria mais confiança, pois seria a pessoa que lideraria as fêmeas da alcateia e na ausência do Alfa e do Beta assumiria o comando.
A minha mãe ajudava com essa parte na ausência de uma, mas há muitos anos ela já era a mesma... Não sei se era coincidência ou não, mas a sua mudança se deu desde aquela fatídica manhã que Sakari foi expulsa.
— Que garota estão falando? — Eu perguntei olhando para o meu pai e para o meu avô.
— O Senhor tem razão. Já chega de viagens em vão. O Cauã precisa se concentrar nos deveres da matilha. Chamem o Jake. — O meu pai concordou.
— O que Jake tem a ver com isso?
— Nada. Ele é apenas uma testemunha.
Eles dispensaram as demais pessoas da sala.
Alguns minutos depois o treinador chegou.
— Alfa! — Jake entrou e cumprimentou-me.
Respondi com um aceno de cabeça e fui logo dizendo:
— Como Jake já chegou, é melhor irem direto ao assunto. Odeio essa enrolação toda.
— Cauã, Já chega de sair da alcatéia para procurar a sua predestinada. Você não acha coincidência demais, nunca ter encontrado a sua companheira por vínculo e a Sakari nunca ter aparecido? Acreditamos que a sua predestinada era ela. Então, você deve procurar outra fêmea. — O meu avô falou.
Eu levantei. Bati as duas mãos na mesa, inclinei o corpo e disse:
— Esperem. Por que estão dizendo isso agora?
— É apenas uma suposição, porém mesmo assim tem grandes chances de ser ela. — O velho falou.
— Estão querendo dizer que a minha futura companheira foi expulsa e por isso tenho que esquecê-la? Eu exijo saber para onde vocês a levaram. Eu preciso ter certeza disso antes de tomar qualquer decisão. — Disse essa última frase olhando para o meu pai e depois para Jake.
— Ela não foi expulsa. Sakari faleceu naquele dia. — Meu pai falou.
Eu sentei. Perdi todas as forças das minhas pernas... Ouvir aquilo foi como levar uma facada com acônito, cujo veneno pode levar à morte um lobisomem.
Como poderia ser verdade? Descobrir sobre a minha suposta companheira e ao mesmo tempo saber que ela não estava mais viva?
— Não. Não. Não pode ser. O que aconteceu naquela manhã, Jake? Vocês a mataram? — Eu perguntei desesperado.
— Cauã, acalme-se. Ele vai te contar o que aconteceu. — O meu pai tentou acalmar-me.
Antes que a explicação viesse, as minhas garras apareceram, eu arranhei toda a parte da mesa perto de onde eu me sentei.
Um uivo de dor saiu pela minha garganta.
O meu lobo interior estava calmo demais e a sua voz interna falou comigo em pensamento:
— Não adianta desesperar. Ouça primeiro o que eles têm a dizer.
Fechei os meus olhos e respirei fundo.
A imagem da garotinha de cabelos prateados sorrindo ao fazer um gol veio a minha mente.
Em seguida, mais uma vez as suas palavras voltaram:
"...Não vou falar com você a partir de hoje. Não é a primeira vez que faz isso comigo. Eu peço a Deusa da Lua que te faça a pessoa mais infeliz do mundo. Eu odeio você. "
"Você tinha toda a razão por me odiar..." — Pensei.
Nessa hora também lembrei da minha conversa com Jake, ele foi o primeiro a alertar-me sobre a possibilidade de Sakari ser a minha predestinada.
— Fale logo, Jake. Como foi que aconteceu? — Consegui falar.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Fátima Ramos
Será que vão dizer a verdade, se sim, o alfa vai ficar revoltado, sabendo que a força que tem transferida dela para ele
2025-01-31
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sheila Esposito
estou gostando
2024-12-27
0
Suelen Andrade
vai saber a verdade
2024-11-13
0