PONTO DE VISTA DE MAIA WILLIAN
O meu pai segurou firme os meus cabelos longos e prateados e saiu arrastando-me até o lado de fora da casa.
Foi aí que percebi que Cauã ainda estava de joelhos no chão.
A voz grave e potente do Grande Alfa ressoou com tom de ódio:
— Libere-o. AGORA.
Pela primeira vez, eu percebi que ele era muito mais temível do que pensava. Havia subestimado o poderoso chefe.
Os seus olhos eram de um vermelho sangue e as suas garras estavam amostra.
Além dos meus pais, havia alguns integrantes do Conselho da alcatéia na porta de casa. Todos olhavam em minha direção, curiosos.
— Levante-se. — Eu disse com voz firme, porém algo me dizia que a minha vida pioraria a partir dali.
A nossa Luna, a companheira do Grande Alfa, chegou perto do filho e o ajudou a levantar. Olhou para mim com muita tristeza, parecia estar com pena, seus olhos lacrimejaram e as lágrimas começaram a rolar pelo seu lindo rosto. Era visível que estava se controlando e por medo não interveio por mim. Ela era uma das poucas pessoas que sempre me dava carinho e atenção na alcateia, porém só fazia isso quando estava longe do Alfa.
O Alfa, cujo nome era Kall Blackwood, se aproximou e rasgou a minha blusa de pijama com as suas garras, assim como as faixas que eu havia deixado à noite na minha encenação.
Fez um sinal para um ancião, o avô de Cauã. Eles pareciam conversar pelo elo mental, algo que nós crianças ainda não tínhamos acesso.
Quando pensei que tudo estava resolvido, o guerreiro mais forte do alto escalão da Guarda Principal carregou-me nos seus ombros até uma caminhonete que estava parada à frente da casa.
O Alfa deu tapinha no ombro do meu pai. O mesmo puxou a minha mãe para dentro da casa. Nenhum deles olhou para mim.
— Grandão, para onde está me levando? — Eu perguntei.
Ele sabia o quanto eu admirava a sua força e como lutava. Ele era o meu ídolo. Sempre que o Alfa voltava de uma batalha, não era ele que eu reverenciava e sim o grande Guerreiro Jake, por isso o apelidei de Grandão. Ele era imenso e forte. O lobo dele, após a transformação, também era assim, e era de uma pelagem Marrom com partes pretas, porte imponente.
— Pequena, saiba que nunca pretendi te fazer mal. Você sabe que sou obrigado a cumprir ordens. Só espero que fique bem.
Fiquei apavorada quando ouvi a última frase.
"Será que eles vão me bater de novo?" — Pensei antes de dizer:
— Deixe-me ir. Você diz que eu fugi. Por favor, não me leva. — Juntei as duas mãos para fazer o pedido.
O meu apelo não teve efeito nenhum. Fui levada para a parte mais funda e escura da floresta que rodeava a alcateia. Chegou num ponto que não tinha mais uma estrada. Ele parou a caminhonete. Deu a volta até o lado que eu estava. Jogou-me no seu ombro novamente e seguiu por uma trilha cheia de obstáculos.
— Grandão, qual é o castigo dessa vez? Por que todas as vezes o Cauã faz traquinagens, sou eu que recebo uma punição? Eu odeio aquele moleque covarde.
Ele ficou calado e continuou a caminhada.
— Por que não me responde?
— Você me disse que um dia seria uma guerreira, então, agora é o seu primeiro teste. — Ele disse.
"Não serei castigada? Serei testada para ser guerreira?" — Pensei inocentemente.
— Que teste? — Perguntei sentindo-me importante.
— Sobreviver. Não me decepcione, Pequena. — Ele disse com emoção na voz.
O meu coração palpitava e uma sensação ruim tomou conta de mim.
Depois de muito tempo de caminhada do Grandão me carregando, chegamos a uma velha cabana. Parecia inabitável, porém saía fumaça pela chaminé.
De repente, uma velha que apresentava ter mais de 100 anos por tantas rugas no rosto, muito feia, nariguda e descabelada, abriu a porta.
Em seguida o Grande Alfa e alguns membros do Conselho chegaram em forma de lobo. Voltaram à forma humana sem se importarem com a nudez. Isso era muito normal para o nosso povo.
Conversaram por um tempo com a mulher, porém, eu não consegui ouvir o que diziam. Em seguida, o guerreiro levou-me para o interior da cabana. Fui amarrada num pilar de madeira.
Olhei em volta, só então, percebi ser a casa de uma bruxa, tinha um enorme caldeirão perto da lareira.
— Pequena, não esqueça do que falei. Sobreviva. Espero que não me culpe. — Ele sussurrou e saiu da cabana.
Fiquei olhando as suas costas enquanto ele se afastava.
"Por que os olhos do meu ídolo estavam lacrimejando?"
"Pelo jeito a coisa vai ficar feia para o meu lado. Grandão, eu vou passar neste teste, você vai ver." — Pensei orgulhosa e ingenuamente.
A mulher entrou sozinha, olhou para mim, deu uma volta atrás do pilar onde estava amarrada.
— Criança, você tinha tudo para ser a Alfa fêmea mais forte do mundo, uma Suprema. Isso é a coisa mais rara do nosso mundo. Você assustou o Grande Alfa. Ele acredita que você pode tirar a liderança do seu filho. Que pena! Você nunca se transformará em loba, todo o seu poder vai para o próximo Alfa. Por isso, nós duas deixaremos de ser quem somos.
Ela falou alto, suspirou, se aproximou e sussurrou no meu ouvido:
— Por odiar o seu Alfa, deixarei alguns resquícios de poder e te darei um grande presente. Um dia você descobrirá.
Ela falou mais algumas coisas e eu fiquei sem entender, era apenas uma criança.
— Essas últimas palavras você se lembrará na hora certa. MUAHAHAHA! — Terminou com uma risada estranha.
Eu fiquei assustada com o que falou, mas o meu lado infantil quis perguntar sobre o presente, porém os meus lábios pareciam estar selados.
No mesmo instante, o Grandão entrou e ficou num canto observando.
A bruxa pegou um enorme livro, um frasco com uma espécie de fumaça de diversas cores dentro dele de um baú. Começou a proferir palavras muito estranhas, retirou a tampa do vidro e o conteúdo dele envolveu o meu corpo.
Enquanto isso, senti a minha pele rasgando, todas as feridas das minhas costas se abrindo. Os meus ossos pareciam se quebrar aos poucos, as lágrimas rolavam sem parar e gritos de dor saíram pela minha garganta. Desta vez, não consegui manter a pose de durona.
"Sobreviva." — A voz do Grandão soava insistentemente na minha cabeça.
Já não suportando mais, uma enorme tatuagem estranha e preta começou a se formar desde o meu pescoço até a minha mão direita. Extremamente dolorida no meu membro quebrado.
— MUAHAHAHA! — A risada da bruxa permaneceu nos meus ouvidos.
Desmaiei devido à dor intensa.
Quando acordei estava jogada no meio de uma estrada, paralisada e sem forças sequer para manter os meus olhos abertos.
Vi luzes vindo na minha direção, ouvi o barulho de um carro em movimento… Fiquei deitada esperando pelo meu fim.
De repente, tudo ficou escuro de novo…
"Grandão, não serei uma guerreira, não passarei no teste…" — Pensei antes de perder os sentidos.
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*Fotos aleatórias retiradas da internet apenas para fins ilustrativos.
Alfa Kall ▪︎▪︎▪︎▪︎▪︎▪︎Jake - O Grandão*
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Nataly Silva
Nossa tô louca para a vingança dela
2025-01-04
0
Cida Reis
você vai dar a volta por cima
2024-12-14
0
Maria Dora Lima
ela vai sobreviver. Tem que sair dessa. e só uma menina.
2024-12-11
1