Meu nome é Isabela Magalhães, nasci em Itacaré, uma cidade no interior da Bahia onde morei a vida toda. Amo suas praias, a tranquilidade, a natureza exuberante e bem preservada, gosto muito da comida, do sol o ano todo. Sempre cheia de turistas é frequentada desde os anos 80 por surfistas profissionais e amadores.
Nunca viajei para fora do estado como vou fazer agora. Essa novidade se deve a minha melhor amiga Elisa Mota, que hoje, é apresentadora de um programa de variedades numa famosa emissora de TV.
Eu e ela crescemos juntas, éramos vizinhas, cursamos mesma escola, vivíamos grudadas uma na outra.
Quando completamos dezenove anos, ela decidiu ir embora de Itacaré, tentar fazer a vida no Rio de Janeiro. O destino foi a seu favor, em seis anos ficou conhecida nacionalmente, com uma gorda conta bancária.
O dinheiro e fama não fizeram sua cabeça, ela continuou a ser a mesma Elisa de sempre.
Com a ajuda da tecnologia continuamos em contato, nos víamos uma vez por ano quando ela aparecia na cidade para visitar alguns parentes e nos encontrar pessoalmente.
Foi em uma dessas ocasiões que lhe contei sobre meu grande desejo de conhecer o ambiente e tudo o que envolve uma emissora de TV. Queria ver por trás das câmeras, entender o que acontecia nos bastidores.
Ela prontamente me convidou para passar alguns dias na sua casa no Rio de Janeiro. Prometeu me levar pessoalmente para conhecer a empresa na qual estava trabalhando, a ZNA, emissora muito antiga e famosa.
Fiquei radiante, minha vontade foi de ir correndo,mas, por conta do meu trabalho não pude ceder ao meu desejo. Eu era gerente numa pousada. Ganhava bem, mas, como pagava aluguel estava sempre economizando para não passar aperto.
Elisa pediu para eu ir nas minhas férias que seriam no mês de outrubro, logo concordei. Era maio, fiquei ansiosa esperando os sete meses passar rápido.
Tudo mudou quando Danilo, filho do dono do lugar, começou a me assediar de uma forma vil e abusada. Fui relevando as cantadas baixas, as palavras de duplo sentido, os sorrisos maliciosos. Um dia não aguentei, estava de TPM, dei o maior soco no nariz dele. Ele sangrou na hora, parecia um porco, sinto nojo só de me lembrar.
Errada eu não estava, ele agiu contra a lei do assédio no trabalho, mas, sabe como é, cidade pequena, eu sendo pobre, a corda arrebenta para o lado mais fraco. Foi O que aconteceu.
Fui mandada embora por justa causa. Precisei entregar a casa onde morava porque sem emprego não conseguiria pagar o aluguel. Voltei a morar com os meus pais, isso me chateou muito, fiquei deprimida. Meus familiares são ótimos, mas, quando saí da casa deles esperava continuar independente, cuidando da minha própria vida.
Me frustrou retroceder na minha decisão de me virar sozinha.
Coloquei currículos em vários locais, procurei diferentes empregos fora da minha área, nada. O tempo ia passando, eu sendo sustentada pelos meus pais, estava aflita com isso, impaciente.
Ao conversar com a Elisa pelo celular, me intimou a fazer uma viagem com ela, não para o Rio de Janeiro como combinamos antes, mas, para São Paulo.
Fiquei surpresa, ela me explicou que foi convidada a participar de uma entrevista numa emissora concorrente a do Rio de Janeiro em que trabalhava, aceitou. Queria expandir suas relações e contatos, visando um futuro mais garantido, promissor. Me levaria junto como sua amiga, disse que eu teria a oportunidade de conhecer o que eu tanto queria, sem precisar esperar outubro chegar.
No início, tive um pouco de receio, a realidade dela e difentente da minha. Estou desempregada, o que economize venho gastando aos poucos com objetos pessoais, não sobrou muita coisa.
Meu temor passou quando ela deixou claro que pagaria todas as despesas, que não precisava me preocupar com nada.
Concordei, precisava mesmo viver coisas diferentes, estaria realizando meu sonho.
Quando me despedi dos meus pais foi um momento doloroso, nunca fiquei distante deles desde que nasci. Meu pai, Breno e minha mãe, Roberta Magalhães me encheram de conselhos. Insistiram para tomar cuidado, que o índice de violência em São Paulo é absurdo. Entendo o medo deles, na TV só mostra assassinatos, sequestros, estupros, etc. Me fizeram prometer que manteria contato.
Meu irmão Rafael e minha irmã Renata se emocionaram com minha partida. Meu coração ficou apertado quando nos abracamos.
Não deixei que me acompanhassem até Ilhéus, que fica a 75 km de São Paulo onde vou embarcar, para evitar mais lágrimas. Um enorme medo de nunca mais voltar a ve-los, passou pela minha cabeça, me arrepiei toda.
Entao, hoje dia 27 de julho de 2025 estou entrando no aeroporto, feliz, nervosa. Sinto que essa pode ser a oportunidade que precisava para mudar minha vida.
Respiro fundo, sigo rumo a fila de embarque pedindo a Deus que me proteja de qualquer contratempo.
A viagem é tranquila, quando chego, o motorista particular da Elisa me espera no aeroporto de Guarulhos. Seguimos para o hotel onde vou enconta-la.
_________//_________//__________
No dia do seu compromisso, tomamos café cedo, ela precisava estar lá ao meio dia. Passaria a manhã se arrumando, enquanto ela estivesse na entrevista, eu faria um tour pelo local para conhecer tudo.
Ela me deu um vestido para vestir lindo. Ele é de textura leve, azul clarinho, tem alças finas, marca minha cintura, sua saia chega aos meus pés. Fica visível que a peça é exclusiva, deve ter custado caro. Aceitei o presente. Uso uma sandália sem salto, branca, tem tiras delicadas, a marca é boa, comprei numa liquidação. Escolhi uma bolsa cinza de couro cru, que ela me deu há alguns anos atrás, sua qualidade é admiravel.
_ Elisa, me sinto muito contente de ir com você conhecer a emissora PLM aqui de São Paulo _ comento sorrindo para minha amiga. Uma profissional faz sua maquiagem, seu cabelo está pronto, impecável.
_ Estou feliz por estamos juntas _ afirma. _ Esperei anos para ter um momento assim, nós duas perto uma da outra de novo. Como nos velhos tempos, lembra?
_ Como poderia esquecer? Somos mais que melhores amigas, você é minha irmã do coração _ me olha sorrindo.
O trajeto até a PLM demora mais de uma hora, vamos com seu motorista particular, tem um segurança ao seu lado no banco da frente. Acho isso muito chique!
Ao chegar lá, me impressiono com a grande movimentação na portaria do prédio. Os portões de ferro estão abertos, pessoas entram e saem usando um cartão eletrônico, passam por uma espécie de catraca. Conto seis porteiros em cada aparelho, mais adiante há outros só monitorando a área. Parecem seguranças, vestidos de roupa preta com uma identificação na altura do peito, usando óculos escuros.
_ Vamos Isabela, precisa aproveitar cada minuto _ Eliza sorri da minha cara de espanto, pega meu braço, me puxa.
Ela não precisa se identificar, todos no país a conhecem, recebemos um crachá, o meu de visitante, entramos.
Andamos menos de trinta metros, aparece um funcionário, reconhece Elisa, pede que ela o siga.
_ Espera! _ ela interrompe o homem. _ Minha amiga quer conhecer os bastidores.
_ Claro, claro _ me olha complacente, afinal a famosa é Eliza, não eu. _ Segue por aquele caminho, entre na porta esquerda, mostra seu crachá. Vão te encaminhar para um grupo com outros visitantes para dar uma volta coletiva pelas dependências daqui.
Olho para onde fala, vejo o lugar que tenho que ir, mesmo assim, fico apreensiva por me afastar da minha amiga.
Sei que parece bobagem, no entanto, Eliza está acostumada, essa agitação toda me deixa completamente perdida, intimidada.
_ Precisamos ir Elisa Mota _ a apressa.
_ Nos encontramos mais tarde Isabela. Aproveite bastante, tira muitas fotos _ me abraça, segue o funcionário.
Respiro fundo, vou para o local indicado me recriminando por estar com medo com se fosse um criancinha.
Acorda Isabela, você é uma mulher de 25 anos, não tem cabimento ficar apreensiva. Zombo mentalmente de mim mesma para me encorajar.
Sigo pelo corredor devagar, olhando tudo em volta impressionada pelo ambiente luxuoso e bonito. As pessoas passam por mim, apressadas de um jeito que nem me notam, com celulares na mão envolvidas por uma vida virtual que quase sempre é fora da realidade. Nos tornamos escravos da tecnologia! Acho que é por isso que o índice de depressão está homérico. É inquietante pensar que dependemos tanto de um simples aparelho. Não largo meu celular nem para ir ao banheiro. Sorrio. Já aconteceu de estar com ele na mão e ficar procurando onde o deixei. Uma loucura, sem dúvida.!
Chegamos num tempo em que, o ser humano dá mais valor as coisas materiais do que aos sentimentos.
Abano a cabeça para me livrar desses devaneios. Quero conhecer a emissora, por esse motivo estou aqui, é o meu momento.
Vou me manter focada nisso para não perder nenhum detalhe.
Distraída, esbarro em alguém.
_ Desculpe _ peço para uma mulher alta, de cabelos pretos, curtos com corte sofisticado. Linda! Olho, admiro seu belo conjunto de roupa combinando perfeitamente com sua maquiagem.
_ Não foi nada _ Me sorri simpática, olha para meu crachá _ Você é a Isabella?
_ Sim _ devolvo o sorriso, essa morena deve ser uma das responsáveis para fazer o tuor por aqui.
_ Estava lhe esperando, me chamo Ângela Torres. Vamos! Vou te levar para conhecer um lugar especial _ abre mais seu sorriso, me sinto acolhida.
_ Claro, vamos sim _ concordo seguindo ao seu lado indo no sentido oposto a porta que o rapaz me pediu para entrar.
Agora que a encontro, fico tranquila, pelo que o rapaz me falou, o passeio seria coletivo, mas, pelo jeito ela vai me acompanhar o tempo todo. Não deixará que me perca ou que deixe de ver coisas interessantes.
Tudo passa a acontecer muito rápido. Ângela segue apressada na frente, me esforço para alcança-la, as pernas dela são maiores que as minhas.
Sobe num carrinho de apoio, me chama para sentar junto com ela. Faço isso. Um jovem rapaz, uniformizado com a logomarca da empresa, funciona o mini automóvel.
Seguimos comigo calada, não tenho palavras para descrever a emoção que sinto. Solto um longo suspiro assombrada pelo tamanho desse lugar.
Passamos por muitas pessoas, vejo artistas famosos, apressados. Não me controlo, balanço a mãos em cumprimentos, eufórica. Alguns respondem, outros nem me notam. Ângela ri alegre pelo meu comportamento.
Ficamos dando voltas, estranho que ela não me apresenta um lugar sequer. Não deixou específico para onde está me levando. Seguimos sem parar, percebo que pelo tempo que passou, estamos longe da entrada. Que chato! Assim, não vou ver nada direito.
Continuamos por um corredor de prédios de ambos os lados, paramos no final, de frente a porta de um é difícil gigante.
Graças a Deus parece que chegamos!
Descemos do carrinho, ela agradece o rapaz que em seguida retorma rapidamente, se afastando.
_ Vamos? _ me olha, aceno com a cabeça concordando, a acompanho.
Entramos, olho em volta, parece uma recepção de consultórios.
_ Me aguarde aqui Isabella _ diz, observo ela passar por uma porta lateral.
Fico sem saber o que fazer, pessoas estão sentadas trabalhando nos computadores, não me dão um pingo de atenção. Mesmo assim, dou um boa tarde geral, minha mãe me deu educação, justifico mentalmente. Apenas duas me respondem, me sento numa cadeira preta próxima para ficar aguardando. Não tenho escolha, andamos bastante, nem tenho ideia de onde estamos.
Olho em volta, tem vários quadros com estilos de lutas diferentes. Acho isso confuso.
Demora um tempo considerável para Ângela voltar, quando acontece, me sinto irritada com sua demora. Pelo tempo que passou, estou no prejuízo sem ter conhecido nada ainda. Suspiro sem paciência.
Me levanto pronta para reclamar, ela não me dá chance.
_ Tudo certo! Fique com esses rádios comunicadores _ Me entrega dois aparelhos bem pequenos. _ Vou guardar sua bolsa. Vamos!
Entrego o objeto sem pensar direito, entramos pela porta que ela saiu antes. Noto algumas pessoas ocupadas trabalhando em telas de plasma grandes. Parecem que estão monitorando câmeras. Que confuso!
O que estou fazendo neste lugar?
_ É aqui _ Ela abre uma porta de ferro, faz sinal para que eu entre. Assim que passo, a fecha atrás de mim me prendendo não sei onde.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Comments
Débora Sudre
Ñ entendi pq ano de 2025.
2023-06-30
3
Simone Oliveira
Nossa o livro está apenas começando e já estou presa a ele
2023-05-07
1