Depois de passar o dia com a amiga, Nina voltou para casa se sentindo mais leve.
Antônio estava na sala com uns amigos, que ficaram olhando a moça de um jeito estranho, ela sentiu calafrios por todo o corpo e correu para o quarto dela. Assim que entrou no quarto, se surpreendeu com a mãe em pé na janela olhando para o horizonte, ela costumava fazer isso, mas não no quarto de Nina.
Nina - Oi mãe, boa noite. Tudo bem? O que a senhora faz aqui no meu quarto?
Maia - Oi filha. Boa noite. Sim estou bem e você?( Nina assentiu) Eu estava te esperando. Queria conversar com você.
Nina estava com uma interrogação no olhar, mas se sentou para ouvir o que Maia tinha de importante para falar com ela.
Maia - Nina pela manhã ouvi você conversando com alguém por telefone. É seu amigo ou namorado? Estou perguntando porque fiquei bastante preocupada, você não comentou nada sobre rapaz algum...
Nina - Eu não comentei? Por acaso mãe, eu tenho espaço ou vez nessa casa para falar sobre mim? Tudo o que a senhora e o meu pai fazem é me cobrar, criticar e punir por tudo, absolutamente tudo, até mesmo o que eu não faço. Vocês não se interessam por mim. Nem digo o meu pai porque ele me odeia mesmo, mas a senhora mamãe, a senhora nunca pergunta se eu estou bem, se estou triste, se estou cansada, se preciso de alguma coisa... Ah mãe...
Os olhos dela já estavam cheios de lágrimas, e ela nem sabia que tinha tanto ressentimento guardado, e que iria explodir com uma simples pergunta..
Maia por sua vez não teve como refutar a filha, ela sabe que Nina não está falando nenhum absurdo, e apesar da mágoa em suas palavras, o tom de voz dela era suave e gentil. Nina nunca foi agressiva, nem mesmo zangada...
Isso foi o bastante para Maia, ela se sentiu envergonhada e profundamente tocada, afinal aquela era a sua filha também.
O que Nina desconhece é o motivo para tal tratamento... Talvez se Maia conseguir falar...
Maia - Nina meu amor, eu sinto muito filha, sinto muito por ter causado tanta mágoa, você é uma menina tão doce e delicada, sempre foi tão meiga; mas eu não cuidei de você, não te dei um espaço justo em meu coração e nem em meu colo minha filha.
Eu sei que não justifica, mas sabe filha, quando você nasceu eu tive depressão pós parto, tive muitos problemas durante a sua gestação...quase morri, mesmo assim você nasceu saudável, forte...
Nina - Você não queria que eu nascesse mãe? É por isso que todos me odeiam?
As lágrima já estava molhando o rosto dela..
Maia a olhou com amor e respondeu:
- Sim querida, claro que sim. Eu sempre quis que você nascesse apesar de tudo, mas as circunstâncias me afetaram muito, me deixaram perturbada, fora de mim. Eu passei por muitas dificuldades, tantas que não tenho coragem de repetir pra você; não pude curtir a gravidez...
Ela falou e ouviu Nina soluçar baixo, ela estava com um olhar muito triste, mas ainda assim, perguntou sobre o que lhe afligia a muito tempo.
Nina - É por isso que vocês amam mais a minha irmã, por ela não ter causado problemas nem na gravidez e nem depois?
Maia - Filha eu amo você... e na verdade, tivemos muitos problemas e transtornos com a Janine.
Nina levantou o olhar e Maia continuou falando após uma pausa.
- Sua irmã sempre foi muito frágil, doente.. eu tinha que ficar com ela o tempo todo, por isso parei de trabalhar. Ela tinha problemas no coração e também era muito alérgica. Constantemente ficava doente; em crise...
Nossa vida era comprar remédios e vigia-la o tempo todo.. Era a nossa primeira filha, estávamos aflitos...Um dia, depois de muito procurar, encontrei um cardiologista que me deu um tratamento eficaz pra ela, ele até indicou um alergista.. Ela ainda sofreu um pouco, mas diminuiu bastante.. E eu engravidei de você, antes mesmo dela ficar boa, e ela era muito dependente de mim...
Nina suspirou sem nada dizer, então Maia se agachou na frente dela e disse mais..
- Eu sei que errei muito com você Nina, e você está certa em me questionar...
Você sempre foi muito forte, independente, determinada; e você tem uma capacidade incrível de se refazer, e se levantar, e não se deixar abalar.
Nina - A sensação que eu tenho é que a senhora não sabe nada sobre mim.
Maia - Eu sei sim meu amor. Eu sei mais de você do que você sabe sobre si mesma. Você é muito especial Nina, grande e capaz! Nunca duvide disso! Eu peço perdão por ter sido tão rude, e negligente com você, mas eu quero que você saiba que apesar do meu jeito frio, eu sempre te amei.
Maia se levantou e perguntou:
- Posso te abraçar filha?
Ela estava com o rosto banhado em lágrimas e os braços abertos. Claro que Nina não resistiu a isso, ela sempre esperou uma abertura e o menor gesto de carinho da mãe, era precioso e importante para ela. As duas se abraçaram se permitindo chorar e também, se envolver pelo amor que sentem uma pela outra.
Do lado de fora Janine observava a interação mãe e filha, nada contente, pelo contrário, ela estava infeliz. Nina apanhou, ouviu coisas absurdas e ainda sorri. E sua mãe traidora, resolveu ficar do lado dela. Janine estava cega de ciúmes e inveja.
Ela estava indo pegar uma água, mas a cede passou e tudo o que ela podia sentir, era uma enorme vontade de se livrar da Nina. Ela começou a descer a escada quando ouviu Gregório, o amigo de seu pai falando:
Gregório - Antônio meu amigo, sua filha mais nova esta cada dia mais bela.
Antônio - Pra mim ela não vale nada!
Deu de ombros..
Gregório sorriu com milhares de pensamentos se agitando em sua mente, mas ele disfarçou ao dizer:
Gregório - Que isso meu amigo? Ela é um tesouro, deve ser muito importante pra você...
Antônio - Não, não é. Já disse: Pra mim ela não vale nada. Se você está interessado, que aproveite, eu não ligo pra ela.
Gregório - Eu quero me aproximar dela, ela me agrada muito...
Janine sorriu, um sorriso perverso com a possibilidade de se livrar de Nina, de uma vez por todas.... Ela finalmente desceu e passou por eles que silenciaram a voz. Janine os cumprimentou graciosamente recebendo o olhar pervertido deles. Então ela deu um olhar de cumplicidade ao pai, que não entendeu muito, mas sorriu de volta pra ela. Janine voltou para o quarto e foi pensar no que fazer.
No quarto, Nina resolveu responder a pergunta de Maia. Pela primeira vez, ela ia poder conversar com mãe sobre seus sentimentos, sobre seus sonhos sem ser recriminada..
Ela estava feliz por poder compartilhar sobre sua vida com a mãe e ouvir o que ela tem a dizer. Mesmo sendo uma pessoa depressiva, ela é amorosa com Janine e como Nina observa, ela espera que Maia seja assim com ela também.
Nina - O nome dele é Léo mãe. Faz um mês que nos conhecemos, nos encontramos algumas vezes. Quero trazer ele aqui..
Maia - Mas ele te trata bem filha? Te respeita?
Perguntou preocupada.
Nina - Sim mãe, ele me respeita muito. Eu sei que não é certo ficar namorando assim, como se eu não tivesse uma casa, por isso quero que vocês o conheçam, mas eu não sabia como falar... não achava que tinha lugar pra mim ( falou baixo essa última parte)
Maia - Eu entendo filha. Sinto muito por você se sentir assim, mas as coisas vão mudar. Agora me fala, vocês já...
limpou a garganta e Nina logo entendeu o que ela queria saber.
Nina - Não mãe. Ainda não me entreguei a ele, embora ele queira muito. Não me sinto pronta. Talvez depois que as coisas forem oficiais entre nós...
Maia suspirou aliviada. Ela espera poder fazer parte da vida de Nina e ajudá-la, em cada fase.
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Atualizado até capítulo 126
Comments
Regina Lucia Freitas Silva
por mim nem queria saber desse doloroso passado da Nina, prefiro a história dela com o filho
2025-01-05
4
Maria de Fatima Chaves
O que a inveja causa nas pessoas e tem pai igual esse aí mesmo
2024-10-04
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Silvana Costa Carneiro
quanta gente ruim junta
2024-09-14
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