O silêncio na mesa durou pouco quando eles deixaram escapar o motivo de não ter aula no dia seguinte, ao que parece acontecia a cada ano uma feira na cidade, com várias barracas dos produtores locais e com shows de banda ao vivo.
Pelo andar da conversa, amanhã seria o único dia a qual, ficar dentro do rancho não era uma opção e tão pouco faria meu castigo valer, a presença de toda a familia era obrigatória seja para ficar na banca quanto para ficar e se divertir nesta feira. Talvez a minha cara de poucos amigos fosse mais aparente que o necessário, pois Juan me cutucou na mesa com um sorriso de orelha a orelha.
— Não se preocupe, vai gostar da feira. San Angelo sabe como fazer ótimas festividades. — Será que meu primo sabia o quão ficar dentro de casa era bom? Não é porque fui a uma festa no final de semana passado que estava disposta a ir em outra novamente.
(...)
A grande avenida da cidade estava decorada, um palco havia sido montado no final dela onde várias pessoas subiam e cantavam, as demais pessoas dançavam e curtiam como se aquele fosse um feriado mundial.
Conforme combinei com minha mãe, iria ficar somente na barraca onde nossas abóboras, doces de pistache e a especialidade de Tia Eva, torta de mirtilos estariam expostos. Tudo em nossa barraca estava para ser vendido e todo o valor arrecadado seria enviado para caridade.
Luke ficou na barraca comigo até que a familia Foster chegasse ao local, depois disso ele desapareceu e não pude deixar de notar que a filha do xerife também, seria isso o motivo de Cristal sempre implicar com ele?
— Vou querer dois pedaços da torta de mirtilos. — a voz de Phillip me tirou dos devaneios onde devo confessar estava bastante confortável, sem dizer muita coisa apenas acenei e fui em busca da torta. Ele parecia estar inquieto, mas não seria eu a puxar assunto com alguém que se mostrou tão desagradavel.
— Louise não é? Esse é seu nome, certo? Queria pedir desculpas pela forma que meu amigo Diego agiu aquela noite na festa, ele não deveria ter empurrado você. — Phillip tentava a todo custo puxar assunto, quando entreguei os pedaços de torta por um instante desejei socar o seu nariz igual minha versão bêbada tinha feito com Thalia.
— Aqui estão os pedaços da Torta de Mirtilos, são dois dólares, bom apetite. — Foi a única frase que saiu de meus lábios e ele pareceu não gostar disso.
Um pouco mais atrás dele e caminhando em sua direção estava figura de Diego com o semblante de pouco amigos, olhei para os lados visivelmente incomodada, minha memória podia se recusar a lembrar de todos os detalhes da noite passada, mas meu corpo se lembrava, a sensação de fuga, medo e apreensão tomou conta de mim de repente.
— Hey, Foster! Pensei que não viria. — A voz de Diego foi tão firme e nada amigável que me fez gelar a espinha. Tentei ignorar a presença de ambos ali, afinal eles resolveram conversar bem na frente da barraca.
— Sabe que não se pode recusar a famosa torta de mirtilos de Evangeline Beauchamp. — Phillip respondeu enquanto pegava os dois pratos e se preparava para seguir seu caminho, o que internamente agradeci.
— Phil fala com o treinador, me deixa voltar para o time… O grande jogo do final da temporada se aproxima cara, preciso participar! — De repente a postura de Diego mudou, ele estava implorando para voltar ao time? Phillip me lançou um olhar discreto antes de respirar fundo e se voltar a Diego.
— Sabe que não posso, você quebrou a única regra que o treinador impôs. Agrediu uma garota, isso não dá pra perdoar. — Phillip soltou as palavras de forma tão tranquila que percebi Diego voltar seu olhar furioso para o meu.
— Está contente esquisita? Se sua mãezinha não tivesse entrado em contato com o treinador nada disso teria acontecido, além do mais a culpa é sua, não tinha nada que se meter na confusão em defesa do órfão do seu primo. — Diego cuspiu as palavras em minha direção e nesse momento cerrei meus punhos com força, apenas não contava com o fato de estar segurando a espátula que usei para cortar as tortas.
— Acha mesmo que pode ofender a minha familia e continuar por isso mesmo? Pois agora você vai saber o que é viver o inferno, porque essa esquisita aqui vai transformar a sua vida em um. — Não sei de onde tirei coragem ou força para soltar aquelas palavras. Diego recuou alguns passos quando viu algo atrás de mim, e a julgar por sua expressão deveria ser ou minha mãe ou minha avó.
Phillip segurava a risada, até seus olhos se voltarem para minha mão ainda fechada ao redor da lâmina da espátula, o olhar dele agora beirava preocupação.
— Bem vindo Diego, ao inferno Beauchamp. — A voz de Juan atrás de mim aliviou um pouco meus músculos, pelo menos não era minha mãe.
— Está esperando o que Foster? Coloque seu cão na coleira e o leve para longe da minha prima. — Juan deu dois passos até parar ao meu lado, senti seus dedos irem de encontro a espátula em minha mão onde meu braço foi erguido em muita oposição.
O corte foi fundo e o sangue escorreu por meus dedos e pingou no chão, Juan estava visivelmente preocupado enquanto analisava meu machucado e depois olhava na mesma direção onde antes estava Diego e Phillip, a raiva contida em seu olhar mostrava claramente que ele desejava surrar a cara de um pelo menos e por mais que não tivesse mais ninguém ali, era como se ele ainda pudesse vê-los.
— Desculpa, eu sou um pouco desastrada. — falei sem jeito depois que senti a ardência do corte.
— Você apenas precisa controlar melhor suas emoções, em breve vai fazer dezessete anos, quando sentir raiva coloque pra fora… Mesmo que isso signifique socar a cara de alguém. — Juan respondia com tranquilidade enquanto acenava para Cristal.
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Atualizado até capítulo 88
Comments
Pamfagundesss
Arrepiei, Q EMOÇÃO SÉRIO
2024-03-23
2
Maria Luísa de Almeida franca Almeida franca
estou ansiosa para saber como e a loba dela
2024-03-16
1
Rute Luiza
tá chegando o momento da transformação?
2023-11-13
5