Olhei novamente para as escadas enquanto tentava ouvir qualquer ruído no andar de cima, talvez o garoto estivesse tentando fugir pela janela, mas a única coisa que ouvi foi um grito de raiva e a julgar pela cara de todos na sala eles tinham escutado também, a diferença é que não se importavam.
– Então, vieram para ficar? – Eva perguntou ao se levantar do sofá, indo abraçar minha mãe com alegria após a mesma acenar que sim.
– Ótimo! Lou Lou vai ficar no quarto junto comigo! – Cristal, uma mulher de vinte e seis anos, estava feliz em dividir o quarto com uma adolescente igual eu? Definitivamente ela era estranha.
– Cristal, Louise não é sua boneca. Cuidado prima, minha irmã vai querer brincar de boneca, cortar e pentear seus cabelos. – Luke advertiu apenas recebendo como resposta a língua de sua gêmea.
– Tia Mary, seu quarto está como antes. Não tivemos coragem de mexer em nada… Claro que o quarto da Lou está intacto também, mas precisa de uma reforma e por isso ela pode ficar no meu até o dela ficar pronto. – Cristal respondeu para minha mãe com uma expressão angelical.
Analisando os gêmeos agora, os dois puxaram os olhos de Tia Eva e todo o resto eles puxaram de seu pai, o tio Sebastian, incluindo os cabelos dourados.
(...)
– Aqui pode usar esse travesseiro e esses dois edredons aqui. – Cristal entrava no quarto segurando os edredons, estava sentada na cama ao lado da janela olhando toda a vasta plantação da família.
– Não se assiste se ouvir algum ruído lá fora, Juan tende a fugir no meio da noite. – Cristal continuava falando enquanto arrumava a cama depois de colocar os edredons onde eu estava.
Minha mãe tinha ido nos dar boa noite por quatro vezes seguidas até que Tia Eva resolveu expulsá-la corredor a fora mandando ela desgrudar do filhote um pouco, minha risada era a única coisa ouvida por aquele corredor quando ela disse isso. O quarto de Luke ficava no mesmo corredor, era o último perto do antigo quarto de Benjamin. A maneira como Luke havia me dado boa noite me fez sentir como uma criança pequena, fazia tempo que ninguém me dava um beijo na testa, me senti protegida pela primeira vez.
– O Juan sempre foi assim? Revoltado, explosivo? – Perguntei e notei a mudança de postura dela.
– Na verdade não, ele era uma criança doce até Tio Esteban resolver ir embora. No início achamos que ele estivesse sofrendo com saudades do pai, mas depois de um ano tudo só piorou. – Cristal parecia triste, totalmente diferente dos comentários de mais cedo quando viu Juan chegando.
– Mas vamos dormir que amanhã tem o famoso café da manhã feito pela vovó Agnes! – O brilho no olhar dela voltava quando se falava de comida, sorri enquanto me deitava na cama olhando para teto que tinha milhares de estrelas fluorescente coladas, adorava colecionar aquelas estrelas e vivia dizendo que quando tivesse um quarto só meu, iria colar em toda a parede nem ia precisar de luzes para iluminar o quarto com o tanto de estrelinhas que teria coladas na parede. Assim, admirando o teto e me perdendo em lembranças, nem mesmo percebi quando o sono chegou.
Pesadelos, era isso que me acompanhava desde os meus sete anos de idade. Nunca soube o que aqueles sonhos significava, ser seguida por um lobo depois de um acidente de carro e vários corpos de pessoas mortas, tudo isso ficava confuso em minha cabeça.
– Bom dia Flor do dia!!! – Cristal entrou gritando no quarto, o que me fez cair da cama, a fitei encarando brava por isso.
Não respondi seu bom dia apenas me levantei alisando minha costa onde tinha batido, olhando no reflexo da penteadeira no quarto quase pulei novamente ao ver meu estado, cabelo todo desgrenhado e o rosto amassado. Comparando o meu reflexo com o de Cristal até doía, como alguém podia acordar tão bela e toda arrumada?
Pegando minhas roupas, segui para o banheiro onde tomaria um banho. Não sei quanto tempo demorei, mas quando finalmente saí estava sozinha no quarto. Descendo agora as escadas podia ouvir as risadas vindo da sala de jantar.
– Até parece que são uma grande família feliz. – A voz de Juan surgiu atrás de mim, o que me fez olhá-lo com certo espanto, o garoto parecia mais amargo que o normal.
– E de fato são. Se desse uma chance para conhecer a todos invés de bancar o garoto problema, perceberia isso. – Respondi ao voltar a descer as escadas. Não olhei para trás, não tinha vontade de saber se o mesmo me seguia ou se iria morrer de fome. Quando atingi a sala de jantar minha mãe estava rindo e jogando um pedaço de panqueca em sua irmã Eva.
– Pare com isso vocês duas! Meu Deus, voltei para o ensino médio de vocês e não estou sabendo?! – minha avó chamava a atenção delas, que por sua vez apenas riam. Quando seus olhos pousaram em mim, seu sorriso se tornou maior, me chamando para sentar na mesa ela apontava meu lugar ao lado de mamãe.
– Dormiu bem querida? Pensei ter ouvido você cair da cama. – Ela perguntou e logo todas as atenções estavam voltadas para minha pessoa, senti minhas bochechas esquentarem e pude jurar que estava vermelha como pimentão.
– Culpa minha vovó Agnes, entrei gritando e dando bom dia… Aí ela caiu da cama. – Cristal respondeu fingindo arrependimento, como sei que foi fingimento? Pelo sorriso que ela deu ao me ver de mal humor logo pela manhã. Mostrei a língua pra ela e logo todos voltaram aos seus assuntos.
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Atualizado até capítulo 88
Comments
Silvia Araújo
falsidade a vista
2024-01-01
1
Rute Luiza
vai ter rivalidade entre elas?
2023-11-13
2
Ana Regina Fernandes Raposo
ADORANDO ESTÁ HISTÓRIA E MUITO LEGAL.
2023-09-30
2