Após colocar fogo em uma tocha, as outras se acenderam magicamente.
Ao fundo da caverna havia várias rochas, todas com uma peça de prata e o nome escrito acima da peça, uma rocha no centro indicava quem era o líder do clã o que naquele momento consistia em ser a rocha de minha mãe com seu nome e a peça de prata com o elemento água desenhado no centro.
As bruxas eram regidas pelos elementos da natureza, minha mãe seguia a tradição, mesmo que no futuro não tivéssemos poderes iguais ao dela, quando completa anos dezessete anos ela nos dava um pingente conforme o elemento que ela dizia reger nosso nascimento.
– Louise fará dezessete anos em breve, a rocha dela está ali. – Mamãe parecia orgulhosa de ver a rocha com o nome de Louise.
– Ela somente terá o despertar com dezessete anos, o que será daqui dois meses, a trouxe de volta para se conectar com nossas tradições e histórias. – falei ao caminhar até me abaixar na rocha onde estava manchada de vermelho, o nome de Benjamin já estava gasto na rocha.
– Sabe que ela pode ser… – precisei interromper minha mãe com um suave limpar de garganta.
– Sim eu sei, e também sei que antes de tudo ela é minha filha, meu sangue. Será amada igualmente. – respondi ao me levantar olhando de relance a rocha de Sebastian. Me doía apenas pensar que minha filha não seria uma loba como nós, nem mesmo para ser uma bruxa era possível, uma vez que os genes mais fortes eram os de lobo.
– Sebastian foi morto por um lobo, tinha anos que não surgia um por essas terras. Pensei que eles tinham finalmente esquecido a existência de nossa família. – Minha mãe soltou as palavras me fazendo olhar com receio, então quer dizer que enquanto meu filho morreu devido a um acidente, o meu cunhado foi assassinado.
Não trocamos muitas palavras pois as luzes das sirenes da viatura policial que entrava na estrada de terra que ligava direto ao rancho chamou a nossa atenção. Minha mãe saiu caminhando para descer a trilha novamente e segui em silêncio apenas esperando pelo momento exato em que iremos retomar aquele assunto, se havia um lobo solto na cidade e disposto a matar Beauchamp, isso queria dizer que nossos problemas só estavam começando.
Quando a viatura parou o policial saltou de dentro com uma feição cansada mas consegui reconhecer o homem ali parado segurando agora a porta de passageiro.
– Boa noite Kevin. Ele foi pego onde desta vez? – Pelo jeito aquela visita de Kevin era constante.
– Queria que fosse uma boa noite Agnes, mas ele foi pego pixando a igreja de Santa Maria, os anciãos querem o mandar para uma prisão no deserto por três meses. Só não o fizeram por consideração a memória de George. – Kevin falou olhando fixamente para minha mãe, por alguns minutos seu olhar cruzou com o meu, mas ele fez questão de ignorar minha presença, não o julgo, afinal escolhi Calleb e isso deve ter magoado o ego de Kevin.
– Vamos, Juan direto para seu quarto. – Era a primeira vez que ouvia aquele nome, mas quando o garoto saiu do carro senti que por alguns minutos estava vendo meu irmão mais velho Esteban, pisquei algumas vezes antes de ver o quão parecidos eles eram.
– Agradeço a consideração, com licença irei cuidar do meu neto agora. – Senti a acidez na voz de minha mãe enquanto seu olhar era duro sobre a expressão do alfa. A alcatéia gostava de se gabar da consideração que tinham por meu pai, mas não pensaram duas vezes ao expulsá-lo.
O menino desceu xingando e tentando argumentar com minha mãe, seu olhar se voltou para o meu com certa petulância.
– Quem é essa aí? Faz caridade agora Agnes? – Juan soltou as palavras e a forma como ele tratou minha mãe me fez ficar com raiva, minha mãe percebeu isso pois meu olhar mudou e um rosnado escapou de meus lábios.
– Esta aqui é sua tia, Mary Beauchamp. E já conversamos sobre como deve me chamar. – Mamãe respondeu e Juan apenas entrou chutando as coisas ao subir as escadas. Kevin entrou na viatura sem se despedir e foi embora, cruzei meus braços e olhei para minha mãe de forma interrogativa.
– Dois anos depois que você partiu, Esteban apareceu com Juan… Disse que a mãe tinha morrido no parto, que o menino tinha oito anos de idade e pediu abrigo. Esteban é da família, abrigamos e criamos o menino, mas ele é arredio. Tem o mesmo temperamento que o pai, odeia receber ordens e não tem um pingo de controle sobre sua transformação. Não sei mais o que fazer com ele, foi expulso de duas escolas, vive sempre preso e só pensa em si mesmo. Somos renegados pela alcatéia e tenho medo da decisão final dos anciãos. – Minha mãe parecia cansada ao contar sobre o jovem Juan. Dei dois tapinhas em sua costa e por fim beijei sua bochecha.
– Somos considerados impuros para viver entre eles, mas não o bastante para que eles se metam em nossa vida… Somos nossa própria alcateia, eu lido com o Juan. – Falei ao passar meu braço por cima de seu ombro e a guiar para dentro da casa, primeiro ia colocar meu sobrinho na linha e depois revelar a verdade para Louise e torcer para ela não surtar.
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Atualizado até capítulo 88
Comments
Silvia Araújo
vamos ter muitos problemas
2024-01-01
3
Ana Bressan
Que Alpha tosco
2023-11-21
2
Rute Luiza
a hou seu alfa???
2023-11-13
0