Estar de volta ao rancho me causava certa nostalgia e tristeza. Foi aqui que vivi meus melhores momentos, onde me apaixonei e me casei. Era difícil voltar para casa e assumir as responsabilidades que haviam ficado para trás.
A família Beauchamp em geral era formada por pessoas humildes e de certa forma especiais, meu pai George era um lobo, porém foi expulso de sua alcatéia por ter se apaixonado por minha mãe, uma simples bruxa. Depois dessa união, eu e meus irmãos passamos a sermos vistos como pária da sociedade perfeita que os alfas da família Foster tanto quiseram criar. Nascemos com o gene predominante de meu pai, ou seja, lobos, meus sobrinhos também eram lobos e meu falecido filho era o mais forte até então, mas minha filha, Louise, temo por sua segurança, até o momento ela não mostrou ter nenhuma habilidade. É como se ela fosse apenas uma mera humana.
Meu marido Caleb era humano, foi o único homem a qual amei de verdade e ele me aceitou como sou, nosso casamento foi feito no rancho sob os olhares de toda a família, o dia mais feliz de minha vida sem dúvida. Era comum em nossa família ter gêmeos, mas grande foi minha surpresa quando engravidei e tive um menino a qual dei o nome de Benjamin, e quando ele completou onze anos engravidei de Louise, minha doce menina que desde pequena cativou a todos na família, por sua doçura e fragilidade. Era divertido ver a forma como Calleb ensinava Benjamin a proteger a irmãzinha, os dois diziam que Louise era a menininha deles e não ia deixar que ninguém se aproximasse dela. Eu era uma felizarda, minha família era feliz e o sentimento que habitava em mim era gratidão. Então imagine a minha reação quando soube que meu marido e filho haviam morrido em um acidente de carro.
A dor dilacerava cada pedaço do meu coração, a única lembrança que tinha deles agora era a pequena Louise que brincava no andar de cima da casa com sua prima mais velha, a delicada Cristal.
Não queria fugir, mas foi necessário e agora dez anos depois estava retornando para casa. Minha mãe havia mudado bastante, as rugas em seu rosto, os cabelos outrora pretos agora completamente grisalhos, mostravam que finalmente a idade a tinha atingido.
– Voltei mamãe. – sussurrei quando ela me abraçou logo depois de pedir que Eva levasse Louise para dentro. Tínhamos muito o que conversar.
De relance podia perceber que tanto minha mãe quanto Eva estavam felizes pela nossa volta, mas também sentia que escondiam algo.
– Lorenzo, pode dispensar todo mundo por hoje. Amanhã vocês estão de folga, vejo todos aqui na segunda! – mamãe falou tão amavelmente que até o homem se assustou e depois sorriu.
Não percebi quando ela começou a me puxar pela mão para caminhar ao seu lado pela trilha ao lado da casa que nos guiavam para uma pequena montanha. Aquele pedaço de terra assim como a montanha eram dos Beauchamp, com a diferença de que aquela trilha somente a família podia andar.
– Se passou muito tempo Mary, dez anos minha querida… Olhe só como está crescida, vejo que criou Louise muito bem também. – os olhos brilhantes dela indicavam que desejava chorar.
– Ah mamãe… Muita coisa deve ter mudado em minha ausência. Pensei que Eva me odiasse por partir. – confessei enquanto caminhava ao seu lado.
– Ninguém te julga por partir, pelo contrário Eva foi a primeira a sair em sua defesa quando partiu com Louise. Ninguém está realmente preparado para perder alguém. – ouvindo aquelas palavras percebi a tristeza rondar os olhos dela. Não havia me dado conta de que já estávamos na entrada da caverna que tinha montanha acima, a vista dali era belíssima, todo o rancho iluminado, as plantações verdes e balançando contra a brisa do entardecer e a casa grande ganhando sua tonalidade alaranjada devido às luzes que se acendiam ao redor.
– Perdemos Calleb e Benjamin ao mesmo tempo, depois disso perdemos Sebastian. Eva ficou desolada, mas ela tinha os gêmeos para lhe agradar. – meus passos cessaram ao ouvir aquelas palavras, meu cunhado Sebastian, um bruxo que também havia se casado com Eva havia morrido? Não conseguia expressar em palavras, ele era um homem alto de cabelos loiros quase platinados e olhos azuis cinzentos, um dos poucos que não colocaram minha mãe na geladeira por sua escolha de matrimônio.
– Porque não me avisaram que ele tinha morrido? – a pergunta veio de forma involuntária, como ela iria avisar se até semana passada me recusava a ter contato com qualquer coisa do meu passado.
– Você já estava passando pelo luto, não queríamos trazer mais notícias ruins. Ele faleceu cinco anos depois dos meninos. – Voltei meus olhos para o chão me sentindo ridícula por bancar a adolescente dez anos atrás e ter fugido.
– Venha querida, acenda as tochas mostrando aos ancestrais que retornou. – minha mãe disse ao apontar para a escuridão da caverna.
Um sorriso surgiu em meus lábios, minha mãe ainda mantinha o costume de acender tochas para os ancestrais. Meu sorriso foi involuntário, por mais que minha mãe fosse bruxa e seus filhos não, ela fazia questão de mostrar que fazíamos parte da mesma família.
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Atualizado até capítulo 88
Comments
Silvia Araújo
que bonito
2024-01-01
3
Ana Bressan
que será que a pequena Louise é,bruxa,lobo ou híbrido
2023-11-21
4
Rute Luiza
eita 😲🤯🤣 lá vem bomba
2023-11-13
0