Capítulo 17

Leonor Narrando

Acordo sentindo o peso da minha pequenina sobre mim, Ariel traz desde pequena a mania de dormir aninhada sobre meu corpo e não nego, amo isso.

— Acorda princesa.

Beijo o topo de sua cabeça sentido o cheiro delicioso de framboesa de seus cabelos e ela se espreguiça sonolenta agora sobre a cama.

— Não quero.

Choraminga manhosa abraçada a seu ursinho branco de película.

— Meu amor, hoje você tem balé.

Ela me ignora de olhinhos fechados e eu sussurro em seu ouvido.

— Se andar bem depressa mamãe te levará ao parque depois da aula.

Ela salta da cama arrumando no corpo o pijama rosé, tomamos um banho rápido descendo depressa para sala, estranho sobre a mesa um enorme e esplendoroso buquê de flores vermelhas.

— Quem as mandou?

Pergunto a Mercedes que encara o vazo que as colocou tão confusa quanto eu.

— Não tinha Cartão senhora Giordano.

Diz pegando a bolsa de Ariel enquanto calço minhas sandálias, provavelmente mais um dos admiradores de Alicia, Caminho em direção a porta de mãos dadas a minha pequena princesa, toco o botão do elevador que demora, olho impaciente no relógio amaldiçoando o fato de ter deixado o sono me vencer mais de uma vez, quando o elevador se abre deixo meu corpo trêmulo tocar inconscientemente a parede gélida atrás de mim.

— Olá Eleonor.

A voz de Thiago ecoa pelo corredor, a voz rouca e grave que já enfeitou dos meu sonhos aos pesadelos e que eu jurava que nem me lembrava mais.

— O que faz aqui?

Pergunto de forma quase inaudível, estou tão trêmula que o som mal deixa minha boca.

— Acho que temos que conversar.

As mãos nos bolsos enquanto encara com atenção e curiosidade Ariel é o anunciato de uma certeza, ele já sabe da filha.

— Não tenho nada para conversar com você.

A agarro pela mão tentando correr para casa mais ele me segue, Posso ouvir seus passos calmos e firmes me acompanharem.

— Mamãe, o parque, o parque.

Ariel grita o que me deixa ainda mais desnorteada, a pego no colo entrando depressa em meu apartamento mais antes que eu possa fechar a porta seu braço forte me impede.

— Não pode fugir de mim, me deixe entrar, sentamos e conversamos como pessoas civilizadas, sabe que não sairei daqui, não sem ouvir da sua boca a verdade.

Solto a porta e ele caminha até mim, se aproxima de Ariel e eu.

— Ela é linda.

Seus olhos estão vidrados nela, estende a mão para toca-la mais eu a afasto.

— Mercedes a leve para dentro por favor.

Ariel chora então a beijo.

— Mamãe já irá querida, vamos ao parque quando eu terminar com esse senhor tudo bem?

Ela assente chorosa.

— Como descobriu onde eu moro?

Olho furiosa para Thiago que me encara.

— Quando iria me contar que eu tenho um filha?

— Te contar? porque eu faria isso? você não tem filha, não tem filha alguma, Ariel é minha e só minha.

— Eleonor.

Ele dá um passo em minha direção mais dou uma ainda maior para o lado oposto.

— Sei que errei, mais se me der uma chance, uma única chance de corrigir as coisas.

— Corrigir, corrigir, acha que é simples? Que pode seduzir alguém, enganar, trair e depois voltar como se não tivesse feito nada? Eu fui jogada na rua Thiago, eu poderia ter morrido, sua filha estava dentro de mim e eu sequer tinha um teto para me abrigar, sabe o que teria me acontecido se Alicia não tivesse me estendido a mão? eu teria acabado em uma vala, em um bordel o só Deus sabe onde.

Ele abaixa a cabeça.

— Eu quero que saia da minha casa.

Aponto a saída e ele se aproxima, tenta me tocar mais o estapeio, estapeio com tanta força que o som invade a sala.

— Não encoste em mim, esqueça que eu existo, esqueça minha filha e se tiver um unico resquício de humanidade dentro dessa sua casca vazia não volte a nos procurar.

Ele fecha os olhos como se minhas palavras o causassem dor, leva a mão ao rosto tentando aliviar a ardência da bofetada que certamente está queimando em sua pele quando me olha mais uma vez.

— Ela tem meus olhos não tem? a sua beleza mais apenas isso,todo resto saiu a mim, se acha que abrirei mão dela não me conhece o suficiente, vou lutar pela minha filha, posso fazer isso do jeito fácil ou difícil, é uma decisão sua, está linda Leonor, ainda mais linda do que eu me lembrava.

Sai e eu bato forte a porta, me sento no chão escorada a ela.

— Deus porque ele tinha que voltar, porque agora quando finalmente estava esquecendo ele.

Levo a mão ao rosto deixando que as lágrimas caiam.

— Mamãe, porque está chorando?

Ariel pergunta parada em frente a porta.

— Desculpe senhora ela correu quando a porta bateu, achou que a senhora tivesse saído.

— Não tem problema Mercedes, vá buscar um casaco para ela, Alicia está em casa?

— Não senhora, está com o senhor Breno.

Diz e eu me levanto, só agora me dou conta de que ainda estava no chão.

— Mamãe quem era, o homem mal?

Ariel pergunta e meu coração se quebra, eu a fiz sentir medo dele e apesar de toda magoa e ressentimento que sinto não é o que desejo.

— Ele não é mal querida, lembra do que mamãe disse? que o papai havia feito uma longa viagem?

Ela balança a cabeça.

— Pois bem.

Encaro o emaranhado de prédios que enfeita minha janela.

— Ele está de volta minha vida, aquele é o papai.

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Comments

Ivanilde T. Serra

Ivanilde T. Serra

Tome destruído, ele pisou nela da forma mais baixa que pode.

2025-01-21

0

morena

morena

continua jogando baixo , só te xingando msm 🤬

2025-03-26

0

Ivanilde T. Serra

Ivanilde T. Serra

Muito linda, faz jus ao nome de princesa que tem.

2025-01-21

0

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