Capítulo 13

Algumas semanas haviam se passado, Alicia e Leonor estavam se acomodando aos poucos no apertamento em que estavam morando em Bursa, O pai de Alicia havia sido contra no início, ainda não estava totalmente conformado com a saída da moça do convento no qual viveu praticamente uma vida, Leonor estava se reerguendo como podia, já faziam alguns dias que não chorava, um passo gigantesco para menina que acordava e dormia todos os dias aos prantos.

— Leonor.

Alicia gritou ainda dá porta, tinha nas mão uma caixa grande de objetos de decoração que trazia da rua.

— Está em casa?

Falou alto Caminhando em direção a cozinha, o lugar estava vazio então continuou sua procura.

— Leonor.

Falou agora batendo impaciente na porta do quarto, Alicia arqueou as sombrancelhas preocupada abriu a porta se deparando com a jovem desmaiada sobre o carpete.

— Leonor.

Gritou em desespero deitando a cabeça da amiga sobre seu colo.

— Leonor, por Deus o que houve?

Abriu os olhos com dificuldade fitando a face preocupada a sua frente.

— Alicia? o que houve?

— Não sei, cheguei em casa e te encontrei aqui, caída no chão.

— Não me lembro, minha cabeça dói.

Levou a mão a nuca onde sentiu o saliente galo que latejava.

— Está machucada?

— Estou bem.

Se levantou apoiada a ela.

— O que está acontecendo Leonor, está estranha, sempre calada sente-se mal?

A jovem balançou a cabeça em afirmação.

— O quê? o quê exatamente você está sentindo.

— Tenho tido alguns enjôos,vertigens

— Meu Deus, Leonor será que?

— Não diga Alícia por Deus.

Começou a chorar.

— Isso não aconteceria, foi apenas uma vez.

— Sabe que não precisa de mais que isso.

Se levantou caminhando de um lado para o outro.

— Pegue um casaco.

— Para quê?

— Vamos a um médico, não pode adiar isso para sempre,e se estiver grávida?

— Estou com medo.

— Não fique, estou com você.

Alicia abraçou forte Leonor, saíram de casa direto para uma clínica médica não muito longe dali.

— Leonor Giordano?

Uma das enfermeiras falou alto ainda dá recepção.

— Sou eu.

A voz trêmula estava embargada pelo choro, Leonor se sentou diante da mesa de mãos dadas a Alicia, enquanto a médica falava lágrimas lavavam seu delicado rosto, Implorava em súplica ao Deus que parecia tê-la abandonado para que não a castigasse mais, sabia que poderia estar grávida, na noite que se entregou por amor a Thiago não usaram qualquer meio contraceptivo para se previnir, Leonor era ingênua mas não burra, aguardava com o coração apertado os resultados do exame sabendo no mais íntimo de seu ser que os papéis que receberia apenas confirmariam suas certezas.

— Então doutora, diga logo, o que estão escritos nesses papéis?

Alicia perguntou impaciente, estava tão ansiosa e preocupada quanto Leonor.

— Como já suspeitava, está grávida Senhorita Giordano.

Entregou a ela os papéis A4 que tinha a mão com um sorriso no rosto, nesse momento Alicia já se abraçava a Leonor.

— E agora Lícia, o que será de mim?

Se levantou da mesa como se caminhasse para morte, Leonor não disse nenhuma palavra, todo caminho até em casa foi feito em completo silêncio, por mais que Alicia quisesse consola-la, lhe trazer conforto não fazia ideia de quais palavras usar para isso.

— Vou arrumar minhas coisas.

Disse assim que cruzou a porta.

— O que?

Alicia perguntou confusa.

— Não posso continuar aqui Lícia, seu pai jamais permitiria uma mulher grávida vivendo com a filha, vocês são influentes tem uma reputação a zelar.

— Dane-se a reputação de papai.

Alicia a abraçou forte.

— Se não está manchada com o rodízio de vagabun*das que tem feito nos últimos anos não será agora com a chegada do meu sobrinho?

— Sobrinho?

— Sim Leonor, somos irmãs, a criança que carrega em seu ventre é minha também e cuidaremos dela juntas.

— Alicia.

— Não diga mais nada, não aceitarei um não como resposta.

Leonor sorriu para ela.

— Vamos preparar tudo para recebê-lo.

— Sabe que eu te amo não sabe, amiga eu nunca serei capaz de agradecer tudo que está fazendo por mim.

Alicia sorriu.

— É a única família que eu tenho Leonor, meu pai me abandonou naquele convento e só eu sei que foi por você que eu suportei aquele lugar.

Leonor secou suas lágrimas.

— Agora vamos parar com a choradeira, vamos jantar algo especial porque a mamãe mais amada e linda desse mundo merece.

Alicia sorriu correndo em direção a cozinha, Leonor se sentou a cama, deixou que as lágrimas caíssem, o peito dóia em um misto de medo e preocupação mais lá no fundo, escondido em seu coração brilhava uma luz linda e cintilante de alegria, não estava mais só e sabia,tinha uma irmã fiel e leal que ganhou da vida e carregava em seu ventre o maior e mais puro amor do mundo, carregava consigo seu coração fora do peito que muito em breve chamaria de filho.

*Três anos depois

— Senhora Leonor.

Ecoou pela sala de reuniões de uma das maiores impressas de exportação em Bursa o nome da renomada CEO das empresas ALA importados.

— Entre.

Leonor disse de forma educada e firme.

Era uma mulher competente e responsável, havia criado a empresa do nada ao lado da melhor amiga, Alicia era quem havia investido todo dinheiro mais foi Leonor quem deu o nome aos negócios, multiplicou dez vezes tudo aquilo que um dia foi aplicado e devia isso a sua capacidade e garra para o trabalho.

— Sua filha e a babá estão aí fora.

— Peça a elas que entre por favor verônica.

Disse a secretária que saiu em seguida.

— Mamãe.

A pequena criança de olhos castanhos correu para seu colo.

— Princesa o que faz aqui?

Perguntou com um sorriso largo nos lábios.

— Estávamos no parque senhora, ela quis vê-la.

— Mamãe não estava pronta para essa surpresa, nem de longe está vestida para estar diante de uma princesa.

Sorriu tirando da pequena garotinha uma doce gargalhada.

— O que acha de tomarmos um sorvete? vamos ligar para titia Alicia encontrar conosco?

— Sim mamãe, por favor.

— Posso apenas terminar de assinar aqueles papéis bem alí?

Apontou para mesa.

— Sim, pode.

— Espere lá fora Mercedes, encontro vocês em dez minutos.

Beijou a criança e caminhou elegantemente até sua mesa, Leonor olhou a filha saír com olhos repletos de carinho, não imaginava que um dia pudesse amar tanto alguém em sua vida, a pequena criança a quem deu o nome de Ariel era linda, tinha cabelos e olhos castanhos, Leonor se recusava a aceitar que havia herdado isso do pai, a mulher inocente que um dia foi seduzida e abandonada por ele não existia mais, no lugar da ingênua Leonor Giordano havia nascido uma mulher poderosa e bem sucedida conhecida entre seu concorrentes no mercado de negócios como Quimera, havia vencido e renascido e não havia no mundo ninguém capaz para-la.

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Comments

Ivanilde T. Serra

Ivanilde T. Serra

Leonor você está de parabéns! nas dificuldades é que agente se transforma. e vira leoa

2025-01-21

0

Adelia Cabral

Adelia Cabral

Agora sim, virou uma mulher poderosa, assim que eu gosto, parabéns autora 👏👏👏

2025-01-06

1

Ivanilde T. Serra

Ivanilde T. Serra

Quanta felicidade em vê quecela superou tudo e consegui sub8r na vida.

2025-01-21

0

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