Capítulo 10

Três dias haviam se passado desde a morte dos quatro únicos membros homens da família Giordano, Leonor havia cuidado de tudo com a ajuda das freiras e Alicia, acabava de enterrar o pai e estava arrasada.

— Tem certeza de que está bem?

Alicia perguntou acariciando os cabelos de Leonor que estava deitada sobre seu colo.

— Sim, só me sinto um pouco fraca, não me desce nada além de água a dois dias.

— Não pode ficar assim, vou buscar agora mesmo algo para comer.

Alicia se levantou indo até a cozinha, voltou pouco tempo depois com um copo de suco e algumas torradas, Leonor apenas beliscou a comida, era como se um nó estivesse em sua garganta.

— Menina Leonor.

Uma das freiras parou diante da porta, a expressão em seu rosto não era das melhores o que preocupou tanto Alicia quanto Leonor.

—Algum problema Irmã?

Perguntou limpando as Lágrimas em seu rosto.

— Madre Candelária precisa falar com você, pediu que fosse até sua sala.

A jovem se levantou em silêncio, antes de sair olhou para Alicia que já a encarava com olhos marejados.

— Sente-se Leonor.

A velha mulher disse ao vê-la cruzar a porta.

— Aconteceu alguma coisa irmã?

— Esse é Júnior Felício de Sá.

Leonor sequer havia notado a presença do homem do outro lado da sala.

— Deseja falar comigo senhor?

O olhou diretamente.

— Sou advogado de sua família senhorita, Venho mediante a situação preocupante em que tudo se encontra.

— Preocupante?

— Sim, o senhor Felipo e Nacir Giordano venderem as empresas, a mansão onde viviam, todos os carros, os imóveis dentro e fora do país e tudo isso foi feito a algumas semanas, estavam na Turquia para assinarem os papéis que davam acesso os valores depositado pelo comprador mais esses valores nunca entraram.

— Eles chegaram a assinar esses tais papéis?

— Temo que sim senhorita, a questão é que ninguém sabe para onde foi o dinheiro, tudo, completamente tudo sumiu, não a nenhum vestígio de que seu pai e tio tenham recebido pelos bens que venderam.

— A algo que possa ser feito?

Leonor perguntou caminhando de um lado a outro preocupada.

— Teria se não fossem os documentos que assinou a alguns meses atrás, não sei se sabe mais os votos de pobreza que faz perante a igreja não são apenas palavras ao vento, abriu mão de seu direito a herança quando assinou a escritura de renuncia.

— Irmã Candelária.

— Sinto muito Leonor, não a nada que possamos fazer.

— Estou aqui apenas para cumprir meu último papel como advogado dos Giordano,tinha a obrigação de avisar a senhorita sobre a falência de sua família, tenho algumas ações que estavam sendo aplicadas em um fundo particular em parceria com Nacir, esses valores tiveram um bom retorno, esse dinheiro servirá para pagar meus honorários, sugiro que procure alguém para cuidar de perto das outras dúvidas de seu pai, sendo a única herdeira viva dos Giordano corre o risco de responder por elas perante a lei, com licença.

Saiu deixando Leonor e Candelária a sós.

— Deus, porque tudo isso está acontecendo comigo?

— Não sabe?

Falou cruzando as mãos sobre a mesa.

— O que?

— Esse homem a sua procura foi apenas uma coincidência, não foi por esse motivo que pedi que trouxessem você até aqui.

— Então?

— Quero que arrume suas coisas Leonor, não pode mais ficar no convento.

— Irmã.

— A diocese recebeu uma denuncia de que uma de nossas noviças estava frequentando clubes de perdição e hotéis ao lado de um homem nas últimas semanas, achei que fosse Alicia, sempre me deu mais dores de cabeça mais hoje me trouxeram isso.

Colocou sobre a mesa uma foto de Leonor deixando o hotel ao lado do motorista de Thiago.

— Pode me dizer onde está o seu véu nessa foto minha querida?

— Madre.

— Não diga nada, não adiantaria e só serviria para pecar ainda mais, "Deus vê suas mentiras menina, e ele as repudia."

Leonor limpou o choro.

— Arrume suas coisas, não pode mais ficar aqui.

— Me perdoe madre, eu realmente sinto muito.

— Não sinta, agora é tarde para isso.

Apontou a porta pela qual Leonor saiu arrasada, se sentou em sua poltrona quando o telefone tocou, a velha mulher limpou o rosto suado com seu alvo lenço branco.

— Senhor Thiago Ferragamo.

Disse calma e pausadamente.

— Ela acaba de saír daqui, certamente irá a sua procura não tem mais ninguém.

Do outro lado da linha apenas silêncio.

— Não se esqueça de nosso acordo, nossa paróquia aguarda por sua generosa doação.

Desligou o telefone encarando o crucifixo a sua frente em silêncio.

— Que Deus me perdoe.

Disse sentindo em fim um breve arrependimento lhe apertar o peito.

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Comments

Adelia Cabral

Adelia Cabral

Ordinária, espero que ela da a volta por cima e passe por cima de todos

2025-01-06

0

Mara Melo

Mara Melo

Que vingança estúpida, matou os verdadeiros culpados para deixar uma inocente pagar por um crime que sequer sabe qual é. Tinha que ter deixado o Giordano vivo para oagar por seus crimes , não a sua filha .

2025-01-16

1

Ivanilde T. Serra

Ivanilde T. Serra

Tá explicado porque tanta penitência

2025-01-20

0

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