Alguns dias depois...
Gabriel
Eu sempre fui muito focado e isso sempre me ajudou a alcançar os meus objetivos. E não foi diferente dessa vez, tudo que eu disse a Nina que faríamos depois de casados, foi cumprido.
Nosso negócio está indo muito bem, dá um pouco de trabalho, ainda estamos no início e somos os primeiros a chegar e os últimos a sair, mas está valendo a pena ver o quanto a minha esposa está feliz fazendo o que gosta e o quanto os seus doces fazem sucesso, a confeitaria só fica vazia quando fechamos.
Passo muito tempo no escritório resolvendo toda a parte burocrática, mas é o que eu gosto de fazer e sei fazer de melhor... Bem, a controvérsias, segundo a minha esposa, também sou bom em outras coisas, e ela sempre me deixa sem jeito quando fala isso.
Ela passa a maior parte do tempo na cozinha, preparando os doces e auxiliando os funcionários no preparo, mas acaba fazendo de tudo um pouco. Fica no caixa, serve as mesas, anota pedidos... E faz tudo sorrindo e esbanjando simpatia, mesmo com a sua timidez.
Às vezes não gosto muito como alguns clientes olham para ela, a maior parte dos nossos clientes são executivos e tem uns bem jovens que já perceberam a beleza da minha esposa. Então, sempre que possível, eu saio do escritório e marco presença no atendimento. Eu confio totalmente nela, só não confio neles, gosto que saibam que ela não está disponível.
Mas também recebo sua visita no escritório ao logo do dia, ela sempre tem uma receita nova para que eu experimente e eu experimento com gosto.
No dia em que descobriu a gravidez da Alice, senti que ficou com um pouco de receio em me contar. Eu conheço bem a minha esposa, assim que chegou a confeitaria, após deixar a Alice no espaço cultural, veio direto para o escritório me dar um beijo e assim que a olhei com mais atenção, soube que queria falar algo e não sabia como.
Acho que pensou que eu ficaria triste ou chateado por ainda não estarmos tentando ter o nosso. Confesso que me enchi de esperança quando a meses atrás achamos que ela estava grávida, mas de forma alguma isso me magoaria ou me deixaria triste.
A Alice não é só minha cunhada, é como uma irmã, mesmo que eu não fosse casado com a Nina, eu amaria essa criança como um tio ama um sobrinho e ainda é filho do Théo, que se tornou um grande amigo, não tinha como não me sentir feliz por eles.
Disse a ela que sei que ainda não está na hora de sermos pais, e quando for o momento certo, serei o homem mais feliz do mundo e o melhor pai possível para o nosso filho.
Falei tanto nela que fiquei com saudade, já fazem algumas horas que não a vejo.
Saio do escritório e vou até a cozinha na certeza de encontrá-la, mas me enganei, estão apenas as funcionárias. Sigo para o salão da confeitaria e encontro apenas o Max no balcão.
— Viu a Nina— Pergunto ao Max.
— Serve aquela ali chefinho? — Apontando para a mesa em que a Nina está atendendo. Vejo que está em uma conversa animada com um cliente de terno alinhado, que está de costas para onde estou, no primeiro momento me sinto um pouco incomodado, mas penso que só está sendo gentil com um cliente. Assim que me nota, ela sorri e acena na minha direção, e quando o homem de terno se vira para me olhar, logo o reconheço e o meu sorriso se desfaz aos poucos, ao ver que o tal cara é o Matheus. Ele acena e eu retribuo sem empolgação.
— Está tudo bem chefinho? Ficou pálido de repente. — Max, observando a minha reação.
— Estou bem Max.
Faz muito tempo que a Nina está atendendo aquela mesa?— Pergunto tentando não deixar que ele perceba o meu ciúme, mas o Max é esperto, nada passa sem que ele perceba.
— Pode ficar tranquilo, faz pouco tempo que a chefe e aquele gato estão conversando.
— Ele já veio antes?
— Tenho certeza que não, eu repararia. — Tento disfarçar mexendo em alguns panfletos que estão no balcão, mas não consigo parar de olhar, a vejo voltando para o balcão sorrindo e me atrapalho um pouco derrubando um porta-guardanapos no chão.
— Oi amor! Viu quem está ali?
— Vi sim. — Respondo enquanto arrumo o que baguncei.
— Quem é o gato chefe? — Max a pergunta e eu faço uma careta para ele, sem que ela perceba.
— Um amigo da época do colégio. Começou a trabalhar aqui perto na empresa do pai, e veio aqui por indicação do pessoal da empresa, e ficou surpreso em saber de quem era a confeitaria.
— Que coincidência! — Falo ironicamente.
— Hum, acho que tem alguém aqui com ciúme. — Max, me irritando como adora fazer.
— Vou voltar ao trabalho. — Dou as costas e sigo em direção ao escritório. Assim que entro, vou até a janela e tento controlar os meus pensamentos.
Logo em seguida ouço a porta se abrindo, mas nem olho para trás, sei quem é, conheço o seu perfume e até o som dos seus passos.
Sinto seus braços envolta do meu corpo e sua cabeça repousar nas minhas costas.
— Parece que seu admirador te achou.— Falo ainda virado para a janela, observando a rua.
— O Matheus não estava me procurando, foi uma coincidência. Ele ficou tão surpreso quanto eu quando nos vimos. — Me soltando e encostando o corpo na minha mesa.
— Mas tenho certeza que voltará sempre. — Saio da janela e sento na minha cadeira.
— Eu não sei amor, mas se voltar, será pelos doces. Não posso dizer a ele que não venha, é um cliente.
— E vão ficar de conversa toda vez que ele vir? — Ela respira fundo e solta o ar antes de me responder.
— Não Gabriel. Só fui educada e cumprimentei um velho conhecido.
Vou voltar ao trabalho! — Saindo da minha mesa, indo em direção a porta. Mas antes de sair, ela se virou, ainda segurando a maçaneta e me olhou.
— Pode ficar tranquilo, farei o possível para não atendê-lo, caso volte. — Ela sai e fecha a porta, antes que eu consiga dizer qualquer coisa.
Me sinto horrível, pois sei que o Matheus não me oferece riscos, mas esse sentimento é mais forte que eu.
Max (funcionário da confeitaria)
*
*
Continua...
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Atualizado até capítulo 84
Comments
Nanana Silva
misericórdia que homem e esse lindo
2024-04-28
5
Yone Ferreira
Uuau !!
Lindo hein!!?
2024-03-02
3
Yone Ferreira
🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣
2024-03-02
0