Marina
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Minha mãe sempre me ensinou que somente eu posso tomar qualquer decisão sobre o meu corpo, que ele pertence só a mim, nele só toca quem eu quiser e quando eu quiser.
Eu decidi que eu quero me entregar para o Guilherme, eu gosto como ele me toca, gosto da sensação que o seu corpo causa no meu. Eu sei que ele sente a mesma coisa, só não entendo do que ele tem medo se nós dois queremos a mesma coisa.
Não é falta de romantismo da minha parte, eu acho romântico a minha primeira vez acontecer com a pessoa que eu amo e namoro a mais de um ano. Só não gosto muito de fantasiar um momento ideal, uma noite perfeita... Porque sei que existe a possibilidade das coisas não saírem tão perfeitas assim e de não ser tão bom quanto eu imagino que será. Por isso eu penso que se o momento não for perfeito, pelo menos será com a pessoa que eu amo, que para mim, é perfeita. E não vou negar que eu gosto da ideia de que possa acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar, gosto dessa adrenalina.
Achei que ele também fosse assim, mas pelo jeito, terei que ter paciência com o meu namorado romântico e esperar o momento perfeito dele.
Não nos falamos direito desde ontem, vou aproveitar o convite da Laura para ir até sua casa para me desligar um pouco dele e ter um dia só de meninas com a minha amiga. Antes eu era mais ligada a Nina, mas agora ela é uma mulher casada, tem compromissos e deve ter seus próprios problemas para resolver, e por mais que eu saiba que ela estará sempre a minha disposição, evito ao máximo incomodá-la. Acho até que o casamento dela e a viagem da Laura me fizeram ficar mais dependente do Guilherme, acho que me senti tão só que me apoiei nele, e isso não me agrada.
Mas agora a Laura voltou e vou aproveitar os planejamentos da festa para estreitar os nossos laços e tentar me libertar um pouco do Gui. Assim ele terá o tempo que precisa e não se sentirá pressionado a nada.
Já começamos o nosso dia das meninas combinando de deixar o celular no silencioso. Fizemos uma bacia de pipoca e sentamos no sofá para assistir a um filme adolescente bem clichê, daqueles que nos arrancam risadas no início, lágrimas no meio e suspiros no final.
— Fiquei surpresa quando me convidou, achei que ia querer passar o dia inteiro com o Noah hoje.
— Achei melhor ele vir mais tarde, quando os meus pais chegarem.
— Vão ficar sozinhos em casa o dia inteiro e só o vão se ver na presença dos pais?— Tento entender.
— Achei melhor assim, evita algumas coisas.
— Se eu e o Guilherme tivéssemos essa sorte de vocês... Os pais dele agora passam o tempo inteiro em casa, os meus não passam, mas tem o porteiro, que vive de conversa com o meu pai e pode contar que o Guilherme esteve por lá.
— E como vocês fazem para... você sabe o quê? — Ficando corada.
— Não fazemos, simples assim. — Dou de ombros.
— Nunca aconteceu? — Me pergunta espantada.
— Não. — Respondo desanimada.
Mas não foi por falta de vontade minha.
— Eu tinha quase certeza que vocês já... — a interrompo
— Acho que até o meu pai acha isso, só não fala. Só temos a fama!
Mas e você e o Noah?
— Só depois do casamento. — Ela suspira assim que termina de falar.
— Isso combina com vocês, não estou surpresa. Mas você não parece muito convicta da sua escolha.
— A escolha não é minha, é do Noah, e eu vou respeitar.
— Sempre achei o meu primo um fofo, mas agora... Estou sem palavras para ele.
— É impossível não amá-lo. — Com um sorriso bobo no rosto.
— Estava aqui pensando, nossa vida agora vai mudar, não teremos mais tanto tempo, um para outro, com faculdade, trabalho, estágio... — Fico pensativa.
— Precisamos combinar alguma coisa, nós quatro. Alguma rotina para que a gente não se perca pelo caminho. Tipo os meus pais fazem até hoje com os pais do Noah e do Gui. Todo fim de semana eles fazem algo juntos, desde que terminaram o colégio. Saem para jantar, ou jantam um na casa do outro...
— Eu acho uma ótima ideia, quando estivermos os quatro juntos, pensamos em algo. Agora vamos voltar a assistir ao filme que eu já me perdi com essa conversa.
Voltamos nossa atenção para o filme, mas não durou muito tempo, a campainha tocou e a Laura foi atender, sem fazer ideia de quem poderia ser.
— Temos companhia, Mari! — Quando olho para trás, primeiro eu vejo o Noah, que sorri para mim. E depois meus olhos encontram os do Guilherme, que está mais sério.
— O que fazem aqui? — O Noah fica sem jeito com a minha pergunta, já o Guilherme cruza os braços e me lança um olhar desafiador.
— Mari! — Laura me repreende.
Fiquem a vontade, eu vou pegar suco para vocês.
— Eu te ajudo. — Noah fala e vai atrás da Laura na cozinha.
— Por que não responde as minhas mensagens? — Guilherme, sentando ao meu lado.
— Não vi, colocamos o celular no silencioso para assistirmos ao filme em paz.
Mas o que queria comigo?
— Eu queria ver você. Vamos sair daqui?
— Não posso Guilherme, estávamos em um dia só de meninas até vocês chegarem.
— Não tem ninguém lá em casa agora. Meus pais foram levar a minha irmã ao pediatra e depois vão passar na casa dos meus avós. Pensei que poderíamos passar um tempo sozinhos. — Guilherme, falando baixo, bem perto do meu ouvido, me arrepiando.
— Seu suco Gui! — Laura, voltando para a sala com o Noah e entregando o copo de suco ao Guilherme.
— Laurinha, eu lembrei que tenho uma coisa para fazer e preciso ir. Precisamos, não é Guilherme?
— Sim, precisamos. — Guilherme, quase engasgando com o suco.
— Mas assim, do nada? Achei que passaria o dia aqui.
— Você já tem a melhor companhia! — Me refiro ao Noah, que sorri meio sem jeito. Guilherme se levanta rapidamente, entregando o copo a Laura e me puxando pela mão para sairmos de lá o mais rápido possível.
Continua...
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Atualizado até capítulo 84
Comments
❤ Alessandra ❤
linda!! E continua estilosa 😍
2023-11-11
8
Nadja Borges
Marina sapekinha
2023-05-22
2
Saalem Pontes Braga
está que os rapazes estão fugindo das meninas kkkk
2023-05-18
1