Laura
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Quando os meus pais começaram a falar a respeito do intercâmbio, eu era apenas amiga do Noah, na época eu me animei, disseram que seria bom para a carreira que quero seguir, que meu inglês ficaria fluente, conheceria novas culturas...
Mas depois que começamos a namorar, eu não pensei mais nisso, não era mais uma hipótese. Só que a sete meses atrás, eles chegaram em casa muito felizes, dizendo que estava tudo certo e que eu viajaria logo após o casamento do meu irmão. Eu não queria desapontá-los, achavam que estavam realizando um sonho meu, mas não era, não mais.
Eu não queria me afastar do Noah, mas não podia dizer aos meus pais que esse era o motivo da minha falta de interesse. Eles amam o Noah, mas não permitiriam que eu desistisse de nada por um namorado.
Passei quase um mês sofrendo com isso, sem coragem de contar, ainda mais porque ele andava meio sentido por não ter mais as irmãs em casa, e o Noah é sensível, só tem bons sentimentos e é de uma pureza rara de se encontrar. É um verdadeiro príncipe, o meu príncipe.
Eu, ele, a Mari e o Gui, sempre fomos muito fechados na nossa amizade, mesmo quando a Mari e o Gui ainda se estranhavam, a Mari estava sempre por perto. E somos assim desde que nascemos e isso fez com que não dessemos muito espaço para outras amizades, até temos colegas no colégio, mas amigos mesmo, só nos quatro. Eu sabia que ele se sentiria sozinho, eu conheço o meu namorado, não se sentiria a vontade acompanhando o tempo inteiro um casal de namorados.
Quando tomei coragem para contar, já faltavam poucos dias para a viagem e foi bem difícil, mas ele se mostrou compreensivo e me deu força para ir, só não foi mais difícil que a despedida no aeroporto, cheguei a pensar em desistir dali, mas ele não deixou, disse que passaria rápido e que estaria a minha espera. Nos despedimos com um beijo e quando me distanciei para embarcar, olhei para trás e percebi que ele estava segurando as lágrimas, tive que respirar fundo para conseguir entrar naquele avião, acho que chorei até pegar no sono.
Por mais que eu tenha sido muito bem recebida, no início foi muito difícil me adaptar em um país estranho sem a minha família, meus amigos e o meu namorado. Com o passar do tempo eu fui me adaptando, me mantive ocupada, estudando, fazendo trabalho voluntário e me aprofundando no idioma.
Conheci algumas pessoas que me convidaram para dezenas de festas, mas raramente eu ia, porque tudo que eu queria era chegar logo em casa para conversar com o Noah por chamada de vídeo.
No início essas chamadas davam um certo conforto, matava um pouco da saudade que eu sentia dele, mas com o passar dos meses, o coração foi ficando cada vez mais apertado, ainda mais quando soube pela Marina que ele não andava muito participativo, que vivia no quarto sozinho e que ela e o Gui tentavam de tudo para tirá-lo um pouco de casa, mas ele se mostrava totalmente desinteressado.
A minha vontade era largar tudo e voltar, mas meus pais não permitiriam, já faltava tão pouco. Então, mesmo com o coração partido, eu aguentei firme, e tentei aumentar ao máximo o nosso tempo de conversa, mas tinha dia que eu estava tão cansada que dormia durante a chamada e quando acordava, já era outro dia e tinha que começar tudo de novo.
Completei meus dezoito anos lá, do jeito que eu nunca imaginei que seria, em um país distante e longe de todos que eu amo. Até comemorei com o pessoal daqui, praticamente obrigada por eles, mas comemorei.Até foi divertido em alguns momentos, mas quando eu olhava em volta e não via os rosto que eu queria ver em um dia tão importante da minha vida, sentia uma tristeza profunda.
Mas finalmente, todo esse sofrimento está acabando, eu estou voltando. Pedi aos meus pais que não contassem a ninguém, os únicos que sabem são a Mari e o Gui, que serão os meus cúmplices na surpresa que pretendo fazer ao Noah.
Ontem, quando nos falamos, eu já estava no aeroporto esperando para embarcar, assim que cheguei ao Brasil, fui recebida pelos meus pais e só passei em casa para tomar um banho e corri para o local combinado, o paintball.
Me escondi ao vê-los chegando, ele está tão lindo... E desanimado!
Parece que meu coração vai sair pela boca!
Mas pelo jeito vai dar tudo certo, vi que eles trouxeram um colega nosso do colégio, o Fabinho, então estará faltando um na equipe deles, que tem que ter no mínimo cinco pessoas. E é aí que eu entro!
Me aproximo por trás e só a Mari me vê, mas disfarça, já ouço o meu namorado resmungando de braços cruzados.
— Vocês sabem como funciona, não acredito que sai de casa atoa, esqueceram que a Laura não estaria aqui? — Noah, bem chateado.
— Relaxa Noah, vamos ver se tem alguém sobrando em algum grupo. — Guilherme
— Estou sem grupo, posso me juntar a vocês? — Falo e ele se vira ainda sério. Mas aos poucos sua expressão passa a ser de surpresa, me olhando dos pés a cabeça.
— Laura? — É você mesma? — Ainda sem acreditar no que está vendo.
— Eu disse que você ia me ver hoje!— Ele permanece estático me olhando.
— Vai ficar aí parado? Eu não mereço nem um abraço? — Ele finalmente se mexe e me dá um abraço tão apertado que perco o ar, e quando percebo, meus pés já não encostam mais no chão.
— Não acredito que você está aqui!
Por que não me avisou?— Sem me soltar do abraço.
— Se eu avisasse, não seria surpresa.
Eu não aguentava mais de tanta saudade!— Seu olhar desce até os meus lábios e eu já não me importo com quem está a nossa volta, só preciso beijá-lo, e é o que faço. Toco seus lábios com os meus e ele retribui com um beijo tímido de início, mas a saudade é maior que a nossa timidez, e o que era para ser um beijo rápido, se transformou em um beijo de cinema.
Continua...
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Atualizado até capítulo 84
Comments
Vera Freitas
meu Deus acho que na vida real não existe um Noah pq meia hora que a gente desgruda eles já apronta kkkk
2024-07-27
3
User123456
Fabinho meu filho se chama Fábio
2024-04-10
1
User123456
Muito linda a Laura, 😍😍😍 eu gostaria de ela fosse minha nora! 😍😍😍
2024-04-10
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