O segundo cartão de natal...

Allana entrega os livros da Laura e Olívia e elas logo abrem os presentes, apesar de saberem que eram livros, ganhar presente para elas, era como fazer aniversário, só uma vez no ano.

—Muito obrigada Allana—Laura falou enquanto enxugava as lágrimas que percorriam sua face.

Para Laura, não eram apenas livros, eram carinho e atenção, algo que não tinha muito, já que desde os cinco anos ela estava no orfanato e só a sua amiga Olívia tornava os dias como uma orfã, preenchidos de alegria, apesar de Laura não falar com ninguém, muito menos demonstrar, ela sonhava em ter uma família, mas preferia se espelhar na Olívia que sempre se importava com as meninas mais novas para serem adotadas, ao invés dela, apesar dos casais que iam visitar as crianças, não a escolhiam para ser adotada.

Parece duro e difícil de se entender, mas no mundo existem muitas crianças órfãs, que sonham um dia em ter um lar, ter alguém que a ame e possa fazer com que se sinta segura ao ter pais e uma família.

Allana abraça a Laura e Olívia também consola a sua melhor amiga, Manuela também chora, pois ela gostava muito da Laura, sem a ajuda dela, não teria conhecido o seu pai.

Os funcionários da confeitaria chegam e logo elas vão até a cantina do orfanato, junto com todas as crianças e a diretora agradece a tia da Manuela pelo lindo gesto.

Allana pede a diretora que saiam para conversar a sós em outro lugar e assim que elas entram na sala da diretora, ela pergunta:

—A Laura está no orfanato a quanto tempo?

—Ela chegou aqui quando tinha sete anos, hoje ela tem quinze, então já está conosco a oito anos—a diretora  falou.

—E o que aconteceu com os pais dela?—Allana perguntou curiosa.

—A mãe dela esteve aqui anos atrás, ela não disse o motivo, mas parecia que ela estava sofrendo muito por deixar sua filha no orfanato, ela parecia estar muito doente, o semblante dela dava para se notar que estava muito debilitada, talvez já perto de falecer, nos informou que não tinha nenhum parente com quem ela pudesse contar, também disse que o pai da Laura havia falecido meses antes da Laura nascer e ela deixou uma carta junto com a certidão de nascimento, para que um dia, quando alguma família a adotasse, ela fosse entregue aos pais, segundo a mãe dela, lá explicaria tudo, mas eu nunca abri a carta, ela ainda não foi adotada, a senhorita teria interesse em adotá-la?— a diretora perguntou entusiasmada.

—Eu gosto muito da Laura, mas me mudei recentemente, não tenho nem uma casa, estou morando com o pai da minha sobrinha e preciso conseguir um trabalho, só que eu quero muito adotar ela, só que primeiro preciso ter condições para isso.Eu irei dar o meu máximo e espero que eu consiga um milagre de natal para até lá eu ter a chance de adotá-la—Allana falou.

—Aguardaremos ansiosas e com a graça de Deus e o menino Jesus que está para nascer, conseguirá tudo que precisa para ter um lar e uma filha, a Laura é muito bondosa e amável—a diretora falou, enquanto se levantava e entregava a Allana o menino Jesus feito de feltro.

—Que lindo, foi a senhora quem fez?—Allana perguntou enquanto segurava o menino Jesus como um chaveiro.

—Esse chaveiro quem fez foi a sua futura filha, tem uma senhora que vem aqui uma vez na semana para ensinar as meninas a costurar e a Laura tem muito talento, ela sempre diz que um dia terá uma rede de lojas de roupas confeccionadas por ela—a diretora falou.

Allana pega da sua bolsa uma quantia do que tinha ganhado com os quadros e diz:

—Quero fazer uma doaçao, para que possa ajudar com os custos e que possam também ajudar com material para essa oficina de costura.

A diretora do hospital abraça Allana e agradece por ela ter pensado nas órfãs, ela fica muito grata e abençoa a vida da tia da Manuela.

Elas voltam para a Cantina e as meninas ainda comiam, todas estavam felizes com o lanche delicioso  daquela tarde,elas se despedem e voltam para a livraria.

.

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Enquanto isso na livraria...

Clara havia dado o presente ao seu irmão, após ele insistir, a curiosidade dele não era pelo presente em si, mas para ver um quadro feito pela Allana.

O que ele não esperava era que naquele quadro, a pintura fosse referente ao último presente que ele ganhou da sua mãe, um boneco do quebra nozes.

Clara não sabia que esse foi o último presente dado da sua mãe para o seu irmão, naquela mesma noite de natal em que ela havia falecido.

Claus ficou em silêncio desde que olhou para o quadro, sua irmã perguntou se ele estava bem, mas ele apenas disfarçou e agradeceu pelo presente, o colocando no carro e em seguida entrando no banheiro da casa da sua irmã, que era no andar de cima da livraria.

Claus parecia ter voltado a anos atrás com a lembrança em seus pensamentos, abrindo o presente, antes de descobrir que sua mãe estava morta, ele tinha ido a um teatro com sua mãe uma semana antes do natal e pediu a ela que comprasse um quebra nozes, para ele nunca esquecer da peça que assistiu ao lado da sua família.

Naquela época ele achava que só as coisas poderiam nos fazer lembrar dos momentos, mas na verdade são os momentos felizes e únicos que não nos deixa esquecer o quanto é valioso cada minuto ao lado das pessoas que amamos.

Ele lava seu rosto e o  seca com uma toalha, em seguida escuta a voz de sua filha no outro lado da porta dizendo:

—Papai?O senhor está aí?

Ele abre a porta e com um sorriso no rosto  que escondia a sua tristeza diz:

—Oi filha!

Manuela pede para ele se abaixar um pouco, imediatamente ele faz o que ela o pede,  ela toca na barba dele e depois diz:

—O senhor está bem?

—Eu estou bem filha, está tudo bem—Claus falou tentando disfarçar sua tristeza, apesar de falhar ao deixar lágrimas caírem.

Manuela abraça seu pai e diz:

—Chora papai, ninguém está lhe vendo, eu vou sempre cuidar do senhor, então pode chorar para a dor ficar bem leve.

—Eu quem deveria estar falando isso, de onde você tira essas coisas?—ele perguntou olhando para sua filha.

—A Laura que me dizia isso, quando eu chorava no orfanato, ela me abraçava e repetia várias vezes, então eu decorei, mas vai ficar tudo bem.

Claus sorri para sua filha que parecia cheia de sabedoria e lava seu rosto novamente, depois descem juntos e se despedem da Clara, do Gustavo e das filhas da Clara.

Allana entra no carro com os dois e os três voltam para a mansão.

Já era tarde quando eles chegaram, tinha parado para jantar na pizzaria, então quando chegaram a Allana subiu com a Manuela que estava com muito sono.

Claus entrou no seu escritório e sentou, pegou a chave, abriu a gaveta e tirou o segundo cartão de natal que sua mãe o deu e começou a lê-lo:

23 de dezembro  de 1994

"Meu pequeno Claus, neste seu segundo natal, você comemora um ano de vida, confesso que foi exaustivo, mas ao mesmo tempo maravilhoso e único, eu te amo tanto meu filho, sua primeira palavra foi papai, mas não tem problema, eu amo ouvir o som que você faz quando quer a mamãe. Hoje o seu pai trouxe um lindo presépio  e espero que possamos em todos anos manter essa tradição no natal de ter um presépio em nosso lar, você não soltava o menino Jesus, tive que esperar que dormisse para pegá-lo da sua pequena mãozinha. Feliz segundo natal e parabéns meu pequeno, pelo seu primeiro ano de vida, nós te amamos."

Com amor, mamãe!

Continua...

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Comments

Erlete Rodrigues

Erlete Rodrigues

e a Olívia ⁉️⁉️⁉️adote ela também ‼️

2025-03-08

0

Princesa Barbie

Princesa Barbie

MEU DEUS ESSA MENINA É UMA JÓIA PRECIOSÍSSIMA E RARÍSSIMA MUITO VALIOSA POIS CARREGA UM IMENSO AMOR PELO PRÓXIMO DENTRO DO PEITO......
ISSO É MARAVILHOSO.

2024-10-29

1

Denise

Denise

Amando ler este livro com personagens fofos e sensíveis.

2024-09-12

1

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