O velório estava acontecendo, seu George foi um homem muito importante e conhecido na cidade, a capela lotou, muitos empresários, políticos de outros lugares estavam comparecendo.
João Lucas falava com todos, estava a todo momento muito sério, alguém toca seu ombro e fala com uma voz doce próximo ao seu ouvido, que o fez olhar para trás.
Mulher - Minhas condolências João Lucas, sinto muito.
João Lucas - Obrigado Vitória!
Vitória - Vim em nome do meu pai que era um grande amigo do seu George.
João Lucas - Fiquei sabendo do falecimento do seu pai em Maio, sinto muito também.
Eles se olham fixamente por um instante e Davi se aproxima abraçando o pai, chorando.
Vitória - Nossa, como você tá grande Davi, um rapazinho.
Ela se abaixou ficando na altura dele, alisando o cabelo do menino.
Vitória - Sinto muito anjinho.
João Lucas - Fale com a Vitória, meu filho.
Davi - Oi...
Vitória - Posso te dar um abraço?
Davi - Claro...
O menino dá de ombro e a abraça, e ela lhe dá um beijinho na testa.
...
Elizabeth observa o movimento da cidade e vai para a pracinha, onde se senta em um banco, leva a mão a cabeça e fecha os olhos sentindo muito dor, ficou parada olhando para o nada tentando compreender sua real situação, não se recordava de muito coisa, franze a testa tentando ao menos lembrar seu nome, sem sucesso, abre a mochila que roubou no hospital e acha uma carteira com os documentos da paciente.
- Porque eu não consigo lembrar quem sou?
Ela leva a visão por toda pracinha, reconhece tudo, árvores, bancos, às folhas secas caídas no chão que o vento levava para longe, sabia o nome e se recordava de quase tudo que via, o que ela não entendia era porque sua vida e sua história foram apagadas da memória. Estava tendo alguns relances de quando era criança, adolescente e fase adulta na sua memória, lembranças que ela não conhecia ou lembrava, porém elas estavam lá, então isso quer dizer que ela tem uma vida em algum lugar, resta saber onde.
A noite chegou e estava bem fria, sem saber direito o que fazer ela deita no banco, estava com muita fome, porém não tinha dinheiro, sentia muita dor na cabeça, e acaba dormindo por ali mesmo.
...
O velório se estendeu por toda a madrugada, muitas pessoas estavam para dar o último adeus, o enterro aconteceu por volta das 9h da manhã, os carros seguiram em cortejo até o cemitério da cidade.
Depois do sepultamento João Lucas vai direto para a fazenda com seu filho e dona Carmen, estava visivelmente exausto, bastante abatido, e não falava muito sobre o assunto, o que ele precisava naquele momento era ficar sozinho, toma um banho longo em seguida se deita, demorou um tempo até dormir de cansaço.
Enquanto isso, Carmen preparava um almoço caprichado, pois nem ele e Davi quiseram tomar café da manhã.
Maria - Oi dona da Carmen...
Carmen - Agora que você deu às caras Maria, porque não foi no enterro?
Maria - Não queria ver o seu George no caixão, quero guardar a imagem dele como era, ele era muito bom comigo e sempre me aconselhava.
A menina fica um pouco emocionada ao lembrar.
Carmen - É, eu entendo, cada um tem seu jeito, seu luto, o João Lucas está tão calado, não esboça qualquer reação, tá guardando tudo dentro dele, isso não é bom.
Maria - Quer ajuda aqui na cozinha?
Carmen - Sim, corte esses legumes aí, vou fazer uma salada de maionese.
Maria - E o Davi?
Carmen - Está dormindo, quando ele acordar quero que você vá lhe fazer companhia, leve ele para passear.
Maria - Tá certo, adoro aquele menino, ele é muito educado.
Carmen - Puxou o pai, João Lucas é muito rígido na educação do filho.
Maria - Seu João Lucas é tão lindo...
A menina para de cortar os legumes e leva a mão no queixo suspirando, ficando pensativa olhando para o nada, dona Carmen estala o dedos próximo ao rosto ela, que a faz piscar e sair do transe.
Carmen - Acorda pomba sonhadora... e corta esses legumes, você é uma menina ainda, é para pensar nos seus estudos, não em homem.
Maria - Risos… quem ver pensa que a senhora é minha mãe, e bem que poderia ser mesmo, sabe que meu pai está apaixonado pela senhora, né?
Carmen - Eu... eu sei de nada não menina... é cada uma...
Maria - Não precisa ficar nervosa, todo mundo na fazenda já tá sabendo. Risos...
Carmen - Sabendo o que Maria? fala...
Maria - Nada não... risos...
Carmen - Termina logo isso! E por falar nisso tenho que contratar mais duas pessoas para me ajudar na casa, acho que o João Lucas vai passar as férias aqui, ouvi o Davi pedindo, então quero mais duas pessoas para me auxiliar nos afazeres do casarão.
Maria - Escuta dona Carmen, quem será que vai tomar conta dos negócios da soja?
Carmen - Ele é o único herdeiro, lógico que ele, penso que vai continuar como está, nas mãos dos diretores da empresa e aqui o Júlio continuará tocando, acho que seu irmão vai subir de cargo, o João Lucas nunca vai querer tocar os negócios da fazenda.
A menina dá de ombros e abre a geladeira pegando um pote de doce de leite.
...
Depois do movimento na cidadezinha, tudo parecia ter voltado aos seus conformes, como uma típica cidade pacata que sempre foi, já eram 15h da tarde quando foi servido o almoço na fazenda e depois disso todos foram dormir.
Logo escureceu e Elizabeth estava andando pela cidade, e para em um bar onde tinham dois senhores de idade tomando uma pinga, e uma senhora muito simpática atrás do balcão folheando uma revista de culinária, estavam comentando do velório.
Elizabeth - Oi... é…
Os três levam a visão a garota em pé, com cabelos bagunçados e bastante suja.
Mulher - Algum problema minha filha?
Elizabeth - Eu... estou com sede...
Os lábios da Elizabeth estavam descascando devido a desidratação, ambos se olham desconfiados, pois era uma garota muito bonita, não era uma andarilha conhecida da cidade.
Mulher - Sente aqui, parece fraca, vou lhe dar um prato de comida.
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Atualizado até capítulo 86
Comments
daddi
não entendi porque ela fugiu e do que?.
2025-01-27
0
Valeria Grossi de Almeida
Estranho
2025-01-15
0
Silvana Souza
Não gostei. se passar por outra pessoa.
2024-11-28
4