Chapado

Mais uma noite termina na pizzaria e Juliano rapidamente sobe em sua moto e pilota para a casa de San levando sua bag com uma pizza

para que jantassem juntos. Assim que chegou Juliano buzinou e Suzy abriu o portão da garagem deixando-o entrar com a moto.

— Oi Ma, ele está melhor? — Perguntou Juliano descendo da moto e indo até Suzy, dando-lhe um beijo no rosto dela, que corou com o gesto.

— Ma? Você também não. — Ela comenta rindo. — Sim, está no banho.

— Tá ok, não chamo mais. Trouxe pizza. — Ao dizer isso ele apoia a bag na moto e retira a caixa de pizza a entregando para Suzy.

— Ótimo, estamos famintos.

Juliano entra com Suzy no exato momento que San saia do banho, ainda enrolado com a toalha na cintura e como sempre todo molhado. Juliano olhou sorrindo e San assim que o viu caminhou até ele lhe dando um beijo.

Suzy também olhava para San, reparando em seu corpo e quando ele foi até Juliano ela simplesmente se dirigiu a cozinha, sentindo um aperto em seu peito ao ver San com Juliano, ela queria não amar, queria não ter esse sentimento e não precisar sofrer e nem sentir o ciúmes por ele, mas infelizmente o amava demais, era doído o ver com outra pessoa.

Ela coloca a caixa de pizza sobre a mesa e pega os pratos, arrumando a mesa para comerem.

— Hey seus lindos, está na mesa. — Ela grita da cozinha, não querendo voltar na sala e vê-los juntos.

— Já vou. — San grita e se direciona para o quarto.

Juliano entra na cozinha e se senta olhando Suzy que parecia chateada.

— Tudo bem Suzy?

— Sim. Só estou um pouco cansada. — Ela respira fundo e tenta fazer com que as lágrimas em seus olhos desapareçam, forçando um sorrido e se sentando ao lado de Juliano.

— Hum! Que cheiro maravilhoso. — San entra na cozinha e olha a pizza sobre a mesa.

— Como pode né, como isso todos os dias e não consigo enjoar.

— Isso porque você é de outro mundo. — Suzy comenta fazendo os três rirem com seu comentário. Eles comem batendo um papo descontraído.

No outro dia, assim que amanhece San levanta e se veste, Kaleu já estava próximo a porta animado sabendo que iria passear. San prende a guia em seu cachorro e sai com ele. No meio do passeio San passa por seus amigos que o chamam, no primeiro momento ele hesita em atravessar a rua, mas atravessa os cumprimentando.

— E aí cara beleza? Vai querer a boa hoje?

— Não posso, estou com gente em casa. — Se justifica torcendo a boca.

 — Putz que merda, hein.

— Se quiser, pode entrar San, usa lá dentro. – Ofereceu Caio, o outro rapaz ao lado de José.

— Não valeu. Eu também não trouxe minha carteira.

— Não por isso cara. — José se levanta e pega a guia de Kaleu das mãos de San. — Vai lá com o Caio, eu fico com ele, depois você paga, afinal passa todo dia por aqui.

San olha surpreso para José e olha para os lados na rua, ele sabe que não deveria aceitar, mas entra acompanhando Caio. San observa a casa, era simples e tinha um cheiro estranho que San não soube dizer o que era. Caio entra em um cômodo e volta com um prato com duas carreiras prontas para San puxar, Caio lhe entrega também um canudo feito com uma nota de dez reais.

Caio então acende um cigarro e vai para o corredor do lado de fora e San caminha até uma mesa que havia na sala, cheira todo o pó sentindo instantaneamente seu corpo arrepiando, o coração acelera e um sorriso brota em sua boca enquanto ele fecha os olhos. Como algo tão ruim poderia ser tão bom? Ele sente a euforia dominar seu corpo. Depois de alguns minutos curtindo a brisa, ele sai agradecendo a Caio que o acompanha até o portão. — Se precisar de mais é só vir cara. Sabe que aqui é parceria certo? — Disse José, estendendo a guia de Kaleu para San.

— Valeu. Depois venho acertar. — San fala limpando o nariz com o resto do pó na narina direita.

— De boa.

San pega Kaleu e continua o passeio, voltando para casa.

Ao chegar Suzy estava arrumando a mesa para o café da manhã e Juliano ainda dormia. San coloca comida para Kaleu e senta no sofá fechando os olhos e ainda curtindo a brisa gostosa que a droga o havia lhe dado. Ele queria ligar o som, cantar e curtir, mas sabia que precisava disfarçar o êxtase, ou Suzy saberia o que ele fez.

San escuta Suzy falar alguma coisa, mas na verdade ele não presta atenção, sua voz parecia longe, sua cabeça estava aérea e seu corpo implorando por agitação. Do nada San sente algo bater em seu rosto e olha assustado vendo que Suzy havia jogado uma almofada. Ela agora gritava e San olhava sem conseguir conter a risada.

— SAN INÁCIO DANTAS, EU NÃO ESTOU  ACREDITANDO NISSO. Puta que Pariu. Você está chapado San? “MERDA”, a coisa tá saindo do seu controle, acorda pra vida San. Quer chegar de novo aonde chegou?

San a olhava com ar de deboche e Juliano que havia escutado Suzy gritar com San e aparece na sala assustado.

— O que foi? Por que está gritando desse jeito? — Juliano vê San sentado no sofá e Suzy em pé de braços cruzados, nitidamente nervosa.

— Ele está chapado. — Suzy informa e Juliano sente seu corpo gelar e olha San sorrindo no sofá, como se nada mais importasse no mundo.

— É sério San? O que me disse de madrugada? Você prometeu. — Juliano senta do lado de San pegando suas mãos.

— Eu precisava. É a última. Eu prometo.

— San, você sabe que não é assim. Não acha melhor voltar para a clínica? — Sugere Suzy.

— Claro que não. Olha me deixa ok? Eu não vou mais usar nada. Já disse. Agora vamos tomar café em paz. Preciso arrumar minha mala, quero ir ainda hoje pra casa da minha vó.

Juliano olha para San se levantando e olha Suzy que parece chateada.

— Ele está sem controle Juliano. Isso não é nada bom. Eu temo que... — Ela não consegue continuar falando com medo de que suas palavras se tornassem realidade.

— O que precisa fazer para internar ele?? Acha mesmo que precisa?

— A primeira coisa é convencer ele. O resto é fácil. Ele indo para a vó dele pode ser que ela o contenha um pouco. Pelo menos na última vez foi assim. Ele a respeita muito e não usava nada lá.

— Vão ficar aí falando de mim ou vão vir tomar café? — San fala da cozinha irritado.

Juliano levanta e vai com Susy para a cozinha onde o clima era de um silêncio constrangedor.

Logo após o café Suzy vai embora e Juliano chama San para o quarto onde San começa a arrumar sua mala.

— San, eu estava pensando em umas coisas e... Senta aqui por favor. — San olha Juliano e senta como pedido.

— Não quero ouvir sermão. — San fala já parecendo irritado, fazendo Juliano estranhar seu jeito, que era diferente do que conhecia dele.

— Não vai. — Juliano puxa San para seu colo e San se senta com as pernas uma de cada lado do corpo de Juliano, que olha em seus olhos notando suas pupilas dilatadas e leva suas mãos por baixo da camiseta de San, alisando suas costas.

— San, eu estive pensando no que falou outro dia. Eu acho que quero algo mais sério com você.

San sentia as mãos de Juliano e seu corpo imediatamente reagiu arrepiando. San olhou surpreso para o homem em sua frente, ele não esperava ouvir aquilo de Juliano.

— Sério? Quer mesmo namorar comigo?

San sorria e levou suas mãos aos braços fortes de Juliano e levou seus lábios no dele o beijando com desejo. San estava eufórico e excitado, tanto ainda pelo efeito do pó quanto pela carícia de Juliano que retribuiu o beijo enquanto tirava a camiseta de San e com um impulso deitou San na cama e deitou sobre ele.

— Eu te amo Juliano Oliveira.

Juliano sorriu acariciando os cabelos de San. A intenção de Juliano era que com o relacionamento mais sério entre eles, ele pudesse ajudar San a sair dessa.

— Eu te amo San. Por favor, não se perde não. Não posso te perder.

— Eu não vou.

— Então vamos atrás de ajuda.

— Vamos, mas assim que eu voltar de férias.

Juliano concorda, se sentindo aliviado e eles ficam agarrados até pegar no sono esquecendo o mundo lá fora e os problemas e apenas curtindo o momento juntos.

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