Era quatro e meia da madrugada quando Juliano entrou em seu apartamento, indo direto para o banho. Ao sair ele veste uma boxer e volta ao
banheiro pegando o cesto de roupas e levando até a lavanderia.
Cansado ele respira fundo enquanto seleciona as roupas escuras e coloca na máquina, ele coloca sabão e amaciante e segue para a cozinha para fazer um lanche. Fazia horas que tinha comido uma pizza brotinho lá na pizzaria e estava faminto.
Juliano pegou pão de forma, frios e fez um sanduíche, pegou uma caixinha de suco na geladeira e colocou em um copo, se sentou no banquinho da bancada da cozinha, onde comeu rapidamente o sanduíche enquanto olhava suas redes sociais. Quando percebeu já era cinco e vinte da manhã.
— Droga, já deveria estar dormindo. Daqui a pouco tenho que sair.
Ele lava o prato e o copo e vai para o quarto. Como morava sozinho, deixava tudo sempre o mais organizado possível. Assim que deita, ele coloca o despertador para tocar as sete e meia da manhã. Quando o despertador tocou Juliano desligou e abrindo os olhos para a janela, ainda chovia forte lá fora, teria que sair novamente usando sua capa de chuva. Que falta fazia o carro agora.
Rapidamente foi ao banheiro e em seguida colocou uma calça jeans, camiseta preta e pega um tênis, foi ao banheiro e passou desodorante. A roupa na máquina lava e seca pelo horário já tinha terminado, mas estava em cima da hora e depois tiraria da máquina.
Ele pega sua outra capa de chuva seca no closet, veste e trocando o tênis guardando na mochila e calça a galocha. Coloca a mochila nas costas, corre para a sala pegando a chave e chamando o elevador.
No estacionamento Juliano coloca o capacete e sobe em sua moto. Ele sai pilotando pelo estacionamento até sair do prédio apressado pela rua.
Chovia forte e com fortes rajadas de vento, ele pilota desviando dos carros e tocando a buzina da moto. Dez minutos depois chegou em frente à casa de Ana e buzinou. Não demorou muito o portão abre e ele entra com a moto. Ele deixa seu capacete no espelho da moto, tira a galocha e a capa deixando escorrer por cima da moto e calça o tênis.
— Bom dia. — A voz doce ecoa as suas costas e ele se vira, a vendo parada na porta. Ana vestia apenas calcinha e sutiã de renda vermelha e estava descalça como sempre.
— Bom dia Ana, tudo bem? — Ele caminha até Ana e a abraça sentindo-a pousar um beijo em sua bochecha.
— Estou bem, mas precisando relaxar. Não dormi nada essa noite.
— De novo Ana? Tem feito os exercícios?
— Eu tento
— Tenta, sei.
— Xiu. Vem, vamos subir. — Ela pega a mão de Juliano e eles sobem para a suíte de Ana.
Assim que entram Juliano senta na cama, a observando soltar os cabelos que estavam presos em um coque.
— Cansou do terno? — Perguntou curioso, pois ela sempre pedia que ele fosse vestido social.
— Jamais, só quis te ver de uma forma diferente hoje. — Falou sorrindo e o olhando de cima a baixo, sentado em sua cama. — E gostei de te ver assim.
Ela caminha até Juliano e senta em seu colo com as pernas uma de cada lado do corpo dele. Juliano desliza as mãos uma nas coxas de Ana e a outra percorre até os cabelos macios e cheirosos, onde ele entrelaça seus dedos entre os fios de cabelo dela.
Ela sorri o encarando e assim que ele a beija no pescoço ela suspira sentindo um arrepio percorrer por sua pele. Fazia alguns dias que não via Juliano e estava louca para tê-lo em sua cama.
Horas
largou ao seu lado sorrindo.
— Você está cada dia mais gostoso sabia? — Comenta virando seu olhar na direção dele.
— Não mudei nada. — Responde sorrindo.
— Não, algo mudou. Não sei dizer o que é, mas tem alguma coisa diferente em você.
— Impressão sua Ana.
Ele se levanta, vai ao banheiro e retira a camisinha dando um nó, a coloca em um saquinho e guarda em sua mochila. Ele jamais deixa as camisinhas na casa de suas clientes, não depois que uma das clientes de seu colega Vitor engravidou com o descuido dele ter jogado a camisinha no lixo.
Voltando para o quarto, ele encontra Ana sentada na cama o encarando.
— Hey, fica mais um pouco. Você já tomou café?
Juliano vestia sua roupa e olhou para Ana, segurando sua camiseta nas mãos.
— Ainda não, mas acho melhor eu ir. — Ele não gostava de misturar as coisas, estava ali apenas para sexo e mais do que isso, acabaria resultando em um pagamento extra ou poderia acabar deixando Ana confundir as coisas.
— Ah Juliano, qual é, deixa desse medo bobo, não vou me apaixonar só porque você ficou pro café e ainda tenho quinze minutos das minhas horas.
Ela se levanta, pegando a mão de Juliano o levando ainda sem camiseta para a cozinha.
— O que gosta de comer? Pão? Torradas? Omelete? — Pergunta mexendo nos armários, enquanto ele se sentou a observando.
— Pode ser torrada.
— Ok, torradas e café, preciso de café, você toma café?
— Claro, quem sobrevive sem café?
Eles riem com o comentário e Juliano sente seu celular vibrar em seu bolso, ele pegou o aparelho e viu uma mensagem de San.
“Bom dia, tudo bem? Já acordou?”
“Bom dia, tudo e você? Já sim.”
“Tirando que peguei um resfriado estou bem. Já tomou café? Podia vir aqui. Estou com saudades.”
Juliano viu Ana colocando as torradas na mesa e junto dois patês de alguma coisa rosa e outro verde. O cheiro gostoso do café passando na cafeteira invadia a cozinha, fazendo a sua boca salivar.
“Foi a chuva de ontem né. Sim, já tomei. Posso passar aí daqui a pouco?”
“Sim, não só pode como deve. Ficarei esperando.”
Juliano sorriu olhando a tela do celular e Ana parou colocando as canecas de café na mesa e o observando.
— Bingo, já sei o que mudou em você.
Juliano a olha e toma um gole do café, sentindo o sabor se espalhar por sua boca e descer quentinho por sua garganta, causando uma sensação de conforto.
— Nada mudou, você cismou com isso.
— Claro que cismei. Você me conhece, e mudou sim, você está apaixonado, tá nos seus olhos. Quem é a sortuda? Vocês estão namorando? — Ela parecia empolgada com a novidade.
— Hey, calma, quantas perguntas. Mas sim, estou gostando de alguém. É só isso que vou dizer. — Ele não gostava de falar sobre sua vida pessoal com suas clientes.
Ana torce a boca, queria saber mais que isso, sua vida era tediosa e saber fofocas da vida de alguém era super satisfatório.
Eles comem em silêncio, Juliano pensava em San e se a coisas ficassem mais sérias teria de largar os bicos e arrumar outra forma de conseguir dinheiro, imaginando que San não aceitaria que ele continuasse com aquilo. Já estava no ramo a sete anos e sua cartela de clientes era bem seleta. Só a elite, nem sempre para sexo, as vezes queriam companhia para alguma festa da alta sociedade, as vezes apenas conversar e até havia uma cliente que o contratava para ver filmes e jogar xadrez. Era um jeito fácil e prazeroso de ganhar dinheiro, mas estava começando a cogitar sua aposentadoria se as coisas com San ficassem mais sérias.
Ana joga uma torrada em Juliano que assusta saindo de seus pensamentos.
— Ouviu algo do que falei? — Ela fala rindo.
— Desculpa, viajei aqui.
— Isso eu percebi. Eu estava dizendo que vou me mudar para Nova York. Não nos veremos mais.
— Sério?? Que ótimo Ana, você sempre quis isso. Quando vai??
— Daqui duas semanas, quero já deixar marcado nossa despedida.
Juliano sorri e pisca para ela.
— Claro que sim.
— Ótimo, eu vou sentir sua falta sabia?
— Vai nada. Vai achar um cara gostoso lá e vai esquecer que existo.
— Deus te ouça. Rsrsrs.
Juliano se levanta e leva seu prato e sua caneca para pia, quando pega a buchinha para lavar Ana o impede.
— Não, de jeito nenhum. Pode deixar aí. — A mulher loira de cabelos cacheados diz tirando a esponja de suas mãos.
— Certeza? Não ligo de lavar.
— Certeza.
— Ok então. Eu tenho que ir.
— Vai lá, nós nos veremos na próxima semana. — Ela diz piscando e ele sorri piscando de volta.
Ela beija a bochecha de Juliano e ele vai até a suíte pegar sua mochila. Em seguida vai até a porta que Ana abre para ele. A chuva ainda caía, porém um pouco mais fraca. Ele veste sua capa e sai da casa de Ana.
Ela era uma das suas clientes mais frequentes e mais tranquilas. Gostava de um sexo calmo e lento, mas não permitia jamais ficar de chamego após o orgasmo, Juliano agradecia demais por isso.
Ele sai pilotando sua moto para seu apartamento. Precisava tomar um banho antes de ir ver San.
Depois de tomar banho e tirar a roupa da lava e seca ele se arruma vestindo Jeans e camiseta e uma blusa de moletom, vestiu novamente a capa de chuva e desceu para a garagem onde antes de sair resolve ligar para San.
— Oi San, já estou indo. Precisa de algo da rua?
— Oi Juliano, é a Suzy, ele está dormindo.
— Ah, oi Suzy. Mas ele tá bem? — Perguntou achando estranho San estar dormindo àquela hora. Tendo em vista que havia o chamado para ir até lá.
— Sim, ele vai ficar feliz que está vindo. Ele falou bastante de você.
— Sim, já chego aí. — Falou com um sorriso no rosto, feliz com o que Suzy havia dito. — Até mais.
Juliano ficou enciumado, mas tudo bem.
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Atualizado até capítulo 29
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