Uma vida nova

Juliano cruzou a porta da casa, em um bate-boca com seu pai, bravo mais uma vez, eles discutiam. Júlio, sempre queria as coisas do seu jeito e Juliano não

concordava. Então resolveu largar tudo, não queria mais saber da empresa e nem da mesada que seu pai lhe dava. Ele subiu em sua moto, colocou o capacete, saindo do condomínio de luxo em Alphaville e indo para o seu apartamento, na zona Sul.

O apartamento de Juliano ficava em área nobre de São Paulo, um prédio de luxo, um apartamento por andar. Juliano entrou com sua moto na garagem e deixou o capacete no espelho como sempre fazia.

 Ele caminhou rapidamente até o elevador e após apertar o botão aguardou a chegada. Assim que a porta se abriu ele entrou e apertou o décimo sétimo andar, um antes da cobertura. Ao chegar, a porta se abre direto em sua sala, ele entra deixando a chave no chaveiro próximo da porta. Na bancada a esquerda da entrada alguns porta-retratos com fotos de sua mãe, pai e sua irmã. Com raiva ele abaixou a foto de seu pai contra a bancada, não queria olhar para a cara dele sorrindo na foto. Em frente esse aparador, ele deixou sua carteira na bancada e seguiu para dentro do apartamento.

Juliano vestia terno preto e uma camisa azul turquesa. Após um longo dia de trabalho e o fiasco do jantar na casa de seu pai, assim que entrou afrouxou a gravata e se sentou no sofá.

Ele pegou seu celular e verificou as mensagens. Respondeu algumas e chamou um amigo perguntando se ele sabia de alguma vaga de entregador onde ele trabalhava. Estava decidido a não voltar mais para a empresa.

Juliano recebe uma notificação de mensagem, o lembrando que tem um compromisso para aquela noite, em mais ou menos uma hora.

Ele respirou fundo antes de se levantar. Então foi até o banheiro, tirou toda a roupa, colocando-as no cesto de roupas para lavar. Juliano é metódico e extremamente organizado.

 Logo que entra no banho, fica pensando na discussão com seu pai. Ele precisa o quanto antes arrumar um trabalho. Precisava provar que não depende de Júlio para se sustentar.

Ao desligar o chuveiro, Juliano pega a toalha e se enxuga dentro do box, enrola a toalha na cintura e vai até o closet. Coloca uma cueca boxer preta e uma calça social justa. Depois escolhe uma dentre suas várias camisas sociais brancas, à veste, e passa o desodorante.

Enquanto abotoa a camisa ele caminha até a gaveta de gravatas, escolhendo a cor de vinho. Caminha até o espelho e vai dando um perfeito nó junto ao seu colarinho. Em seguida uma meia em outra gaveta e vai até a sapateira, onde pega um sapato preto social. Ele caminha até o puff do closet e se senta para colocar as meias e o sapato. Tudo era feito de forma calculada e sempre na mesma ordem.

Ao final Juliano pega um blazer conjunto da calça social que está, e o veste ajeitando e alinhando no corpo. Por último ele arruma o cabelo e passa perfume. Enquanto se olha no espelho pensando se continua deixando a barba cerrada ou se tirava de vez. Não curtia muito ficar sem barba, ficava com cara de garoto, mas as vezes gostava de mudar um pouco.

Ele pega o celular e o coloca no bolso, caminha até a porta solicitando o elevador, pega a chave no chaveiro e a carteira na bancada, as colocando junto no bolso.

Após sair do elevador ele olha para a Evoque cinza e pensa que terá que devolvê-la, pois está em nome da empresa, mas uma última saída com ela é merecida. Ele entra no carro e dirige até a casa da Raquel.

Já passava das três da manhã quando Juliano entrou em seu apartamento. Ele estava cansado, mas satisfeito da noite que teve. Ele foi direto ao banheiro, precisava de outro banho, estava suado e queria deitar logo.

Após sair ele foi ao closet e vestiu uma bermuda de malha leve, passou desodorante e pendurou a toalha no banheiro, e então foi finalmente se deitar, mas antes ligou o ar-condicionado pelo controle que estava ao lado do travesseiro e se cobriu com uma manta fina, apenas para não tomar friagem direto no corpo.

Na manhã seguinte, Juliano desperta com o celular tocando, era Júlio, mas ele ignorou, sabendo que ele estaria bravo reclamando do porquê Juliano não estava na empresa ainda.

Passado das dez da manhã. Ele olhou as mensagens e viu que seu amigo pediu para ele ir ao escritório da pizzaria, tinha conversado com o gerente e que pediu para que ele se apresentasse hoje à noite.

Juliano se levantou animado e foi ao banheiro, depois foi para a cozinha, onde fez um café puro e ovos mexidos.

Ele se sentou para comer e pensou, como não havia treinado pela manhã, faria isso no período da tarde, antes de ir para sua entrevista.

O dia de Juliano passou rápido, ele já estava a caminho da pizzaria. A entrevista com o dono Sr. Rodrigo correu bem e ele começaria daqui duas noites. Deveria procurar o gerente da loja San.

Assim que saiu da entrevista, Juliano resolver ir à casa de sua mãe. Ela havia acabado de fazer um belo jantar, estava com um cheiro maravilhoso que podia sentir no portão. O cardápio era arroz, feijão, omelete com queijo e salada verde.

Vânia mora com a filha Nádia de 12 anos. Os três jantaram e Nádia contou sobre a escola nova, ela parecia bem animada.

Juliano e Nádia são bem apegados. Após o jantar Nádia foi ver um pouco de tv antes de ir dormir e Juliano contou para sua mãe sobre sua a nova briga e a saída da empresa, também sobre seu novo trabalho. Ela o apoia sempre, pois não gostava do jeito autoritário de Júlio com seus filhos.

Nos dias que se seguiram, Juliano aproveitou o dia livre para organizar algumas coisas que precisava em seu apartamento. Jogando em uma caixa, alguns itens de decoração comprados por seu pai, foi ele quem deu o apartamento já mobiliado para ele.

Aliás, o prédio é dele e os apartamentos são alugados, e isso só faz Juliano ter mais convicção de que assim que se estabilizar nesse trabalho e com seus compromissos, ele sairia do apartamento.

Na tarde combinada, Juliano chegou na pizzaria e cumprimentou seu amigo Carlos Eduardo.

— Opa Cadu, Obrigado de verdade. — Ele diz dando um breve abraço com tapinhas nas costas de Carlos.

— Que nada. Sabe que tamo junto.

— Preciso falar com um tal de San. Quem é?

— Ele ainda não chegou. Geralmente chega antes da gente, mas hoje atrasou. — Comentou Carlos.

Cadu sai para uma entrega e Juliano fica conversando com os outros motoboys. Ele percebe que as atendentes não tiram os olhos dele e arrisca trocar olhar com uma delas, a morena da cor do pecado, que retribuiu o olhar e sorriso para ele que sorriu de volta.

Não importava onde estava ou ia, ele sempre dava um jeitinho de paquerar as mulheres do lugar, afinal era solteiro.

Depois de um tempo um rapaz chega apressado dando boa noite para todos e coloca uma toca branca na cabeça antes de entrar na área de atendimento. Ele fala com duas das meninas e vai para as partes internas da pizzaria.

Juliano logo deduziu ser o tal San. Ele aguardou junto com outro rapaz que também começaria esta noite e logo San se dirigiu a eles, que se apresentaram e depois o seguiram para os fundos da pizzaria, onde San explicou sobre as Bags e o jantar.

Não demorou muito para Juliano sair e fazer sua primeira entrega. Ele conhecia bem a região fica próximo da casa de sua mãe. Quando voltou posicionou sua bag no lugar e sentou com os outros enquanto esperava sair novamente. As meninas ainda o olhavam e estavam de conversinha, ele percebeu ser sobre ele, San também o olhava bastante e uma das vezes Juliano o percebeu com um olhar meio fixo sobre ele, mas fingiu não ser em sua direção. Uma tentativa em vão, pois a forma com que o gerente o olhava, o deixava intrigado.

Ao término da noite, San paga a Juliano que sente suas mãos se tocarem, quando lhe entrega o dinheiro. Uma eletricidade percorre seu corpo e ele olha San reparando melhor em seu rosto que estava corado. Juliano agora reparou que San é um cara bonito. Olhos castanhos, cabelos cheios e bagunçados, com seu corpo magro, um pouco mais baixo que Juliano.

Juliano saiu dali relutando ao pensar em como um cara poderia chamar tanto sua atenção, não era normal ele ficar reparando em alguém do mesmo sexo, isso o incomodou. Então subiu na moto e foi embora. Estava satisfeito com seu dia de trabalho, foi tranquilo e produtivo. Após um banho quente, ele se deitou e dormiu rápido e profundamente.

Juliano

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