Culpa

Assim que terminou de fumar a maconha, San  sentia totalmente relaxado, a brisa era intensa e como não sentia faz tempo, ele largou o corpo no sofá.

Os minutos passaram e ele acaba pegando no sono, e duas horas depois San acorda com Kaleu lambendo seu rosto, ele abre os olhos, olha seu amigo e olha em volta. Então em um sobressalto ele se dá conta de que perdeu a hora.

Ele se levanta e olha o relógio da cozinha, nove meia da manhã. Uma zonzeira o atinge, por ter se levantado rápido, então se senta e coloca a cabeça entre as pernas. San sabia que não devia ter feito aquilo, já estava “limpo” a um ano e meio e estava orgulhoso de conseguir. Agora, estava tudo perdido. A culpa tomou conta dele que sentado no sofá se recuperava da tontura e da sensação de culpa. Pouco tempo depois ele se levanta, vai tomar um banho, pensando em uma desculpa para dar em seu trabalho, no banho enquanto esfregava os cabelos, pensa se dava o cano no trabalho ou encarava os olhares dos colegas o questionando. Estava com tudo em dia e realmente precisava descansar um pouco.

San terminou o banho e se enrolou na toalha e mais uma vez foi para o quarto molhando o chão todo. San sempre fazia isso e quando morava na casa de sua avó ela o xingava, ele sabia que devia fazer diferente, mas era tão acostumado e quando percebia já estava no quarto com a trilha d’água atrás dele.

San se veste com uma calça leve e camiseta, e se joga na cama pegando seu celular. Ele manda uma mensagem para Celina do RH.

“— Bom dia Celina. Não acordei legal hoje. Pode ver meu banco de horas?? Quero ficar em casa hoje.”

Ele liga a televisão e aguarda a resposta que chega minutos depois.

“— Bom dia San. Verifiquei aqui e você tem 21 horas.

Sendo assim bom descanso. Vou lançar aqui o seu dia de folga.”

“— Obrigado. Se alguém precisar de algo da minha parte pode me ligar.”

“— Tudo bem. Vou informar ao setor.”

Em seguida, ele como de costume, muda os canais procurando algo para assistir. Parando em um canal de desenho animado e se perde assistindo Coragem o cão covarde.

Já passava das duas da tarde quando a campainha tocou, San atendeu já com o cartão em mãos, e foi atender pois era seu almoço que tinha chego. Ele recebeu o lanche e ao entrar, se sentou na cozinha. San comeu seu lanche com vontade, afinal estava com muita fome, uma larica enorme e não havia comido nada até aquela hora.

Depois comer, San foi pro sofá e ficou olhando para o nada, estava entediado. A vontade de fumar muito maior que a culpa por ter fumado mais cedo. Ele deveria ligar para sua madrinha Suzy, ela o ajudaria com isso, mas teve vergonha.

San se levantou repentinamente, pegou sua carteira e caminhou até a porta, soltando Kaleu para brincar no quintal dos fundos. Ele resolveu sair em direção da casa de José, queria mais um cigarro. Ele prometia para ele mesmo que seria o último e que depois ligaria para Suzy, para contar.

José o recebeu com um abraço e eles conversaram um pouco. San então pediu o cigarro de maconha e de brinde José lhe deu um pequeno pino com um pó branco. San olhou para sua mão pensativo, sabia que devia recusar, não queria voltar para essa vida, mas ele poderia levar e não usar, só para não fazer desfeita a seu amigo, tinha certeza de que era o dono da situação, ele agora estava mais forte que antes. San guardou as drogas no bolso da calça e se despediu de José, voltando para casa.

Assim que chegou, San colocou o pino embaixo do seu colchão e foi para a cozinha, acender o cigarro como de costume e foi tragando para a sala. San se sentou no tapete e ligou o som, queria ouvir música e desfrutar da sensação pelo corpo.

Era algo relaxante e arrepiante. Sua mente viajava em ideias e seu corpo parecia tão leve.

Após terminar o cigarro, San se deitou no tapete olhando para o teto, ele estava tão relaxado que acaba dormindo novamente.

Como havia deixado a porta aberta, Kaleu entrou e deitou ao seu lado e dormiu, com a cabeça sobre as pernas de San.

Já caia a noite quando Kaleu o acordou com lambidas, San se assustou vendo a casa escura e olhou as horas no celular. Seis e vinte da noite. Ele deu um pulo se levantando, desligou o som e correu para se trocar, vestiu uma calça jeans e camiseta. San calçou o tênis e saiu rápido de casa. Ele estava atrasado, então entrou no carro e saiu apressado de casa.

Em dez minutos chegou à pizzaria, tudo estava funcionando como deveria. A loja já estava aberta e San entrou colocando sua toca na cabeça e cumprimentando todos.

Ele olha para a nova atendente e lhe dá boas-vindas e pede para que Vanessa, a atendente líder, a treine como sempre fazia com novos funcionários. Ele então vai para a cozinha ver se estava tudo bem e se precisavam de alguma coisa. Após ver que estava tudo ok, San vai falar com os motoboys.

Havia dois novos que começariam nesta noite. Um deles era Bruno e o outro Juliano. San os cumprimentou dando boasvindas segurando a mão de Bruno, um rapaz baixinho de cabelos castanho e cacheados, usava um blusão de motoboy e quando cumprimentou Juliano, San sentiu uma corrente elétrica percorrer seu corpo assim que tocou em sua mão, fazendo ele olhar para o rapaz a sua frente de forma mais atenta.

Juliano, loiro médio, 1,86m de altura, olhos azuis como piscina e lábios carnudos com um sorriso branco que deixou San sem reação. Ele vestia calça jeans clara e uma camiseta polo azul, que fazia os seus olhos mais azuis.

— Prazer. San, não é? — Perguntou Juliano, sorrindo e soltando a mão de San, que se prolongou no cumprimento. —  Onde podemos pegamos as bags?

San sentiu um gostoso arrepio com a voz de Juliano, voz grossa, rouca e sexy, imaginou aquela voz em seu ouvido falando besteiras sobre sua cama.

San sorriu para ele mesmo e corou, lutando para se recompor, sentindo arder suas bochechas.

— Venham comigo, vamos lá no fundo buscar. — San os acompanhou até o fundo da loja, na sala com os armários dos funcionários e a mesa para o jantar.

Ele pegou as bags na prateleira e entregou uma para cada um, que assim que pegaram abriram para ver se estava tudo certo.

— Identifiquem com o nome de vocês. — San começou a dar as explicações necessárias. —Peçam para as meninas lá na frente, elas vão dar as etiquetas. Sempre que voltarem coloquem a bag de vocês como a última no suporte do corredor. — Enquanto San falava, ele aproveitou para admirar um pouco mais o loiro da voz gostosa, não só a voz. —  Conforme os outros forem saindo a bags vem para frente até chegar a vez de vocês. O jantar vocês pedem para que as meninas anotem a pizza de vocês, ok? Alguma dúvida?

Eles respondem com a cabeça negativamente e seguem para frente da loja. San caminha logo atrás de Juliano e observa seu corpo de cima a baixo. Juliano tem as costas largas e San notou as definições, assim como os braços dele, o que indica que ele treina. Os olhos de San desceram um pouco mais, para reparar na bunda de Juliano. Ele sorriu consigo, enquanto mordia seu lábio inferior sem perceber. Precisava parar com isso, estava no local de trabalho, mas não podia negar que Juliano tinha uma bundinha redondinha, que dava vontade de dar uma apertadinha.

San entrou e se juntou as meninas, tentando se concentrar só no trabalho. Mas as meninas estavam um tanto eufóricas e San não demorou muito para notar que o motivo era Juliano.

Ele não podia negar que estava eufórico também e sempre que podia observava Juliano de longe, e sentia certa irritação com as meninas, por estarem daquele jeito, pediu para que elas sossegassem, que ali não era local. Elas estranharam o tom da solicitação, mas não questionaram e deram uma acalmada.

No fim da noite San foi liberar os motoboys da casa e fazer a paga dos que faziam por diárias e pagar as caixinhas. Os registrados foram os primeiros a ir e restavam os cinco freelancers da noite. O dono da pizzaria já havia chego e levaria as meninas do atendimento para casa. Já era mais de meia noite e isso era feito todas as noites. San fez questão de deixar Bruno e Juliano por último para explicar os pagamentos, e queria aproveitar mais da visão gostosa.

— Bruno, foram 7 entregas, e com a diária e as caixinhas deu 74,50. Juliano foram 16 e aqui está diária e aqui suas caixinhas 163,20. — Ele entregou para Bruno e depois para

Juliano e novamente quando suas mãos se tocaram inocentemente mais uma vez San sentiu a adrenalina, o frio na espinha e uma descarga elétrica percorrer seu corpo.

 Ele olhou sem graça para o loiro e seu rosto ficou vermelho. Esperava de verdade que Juliano não tivesse reparado nisso.

— Obrigado San. Amanhã no mesmo horário né? —

Questiona Juliano.

— Isso, mesmo horário.

— Tchau então.

— Tchau. — Respondeu ele, mas em sua mente ele dizia

“Bora lá em casa fazer umas safadezas?”

San o observou ir embora em sua moto vermelha, e rapidamente trancou a pizzaria, ele despediu-se do segurança Heitor indo para seu carro.

Novamente em casa San não conseguia tirar Juliano da cabeça. Que homem era aquele, tão másculo, um sorriso branco de matar, aquela bunda e aqueles braços? Ele daria tudo para poder tocar naquele corpo.

 Rindo, San brincou com Kaleu e deu a ração para ele. Em seguida foi tomar um banho demorado, depois ver tv até pegar no sono. A culpa de mais cedo foi apagada com os pensamentos de

San sobre Juliano.

San

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