Dedicatória
Não tenho como não dedicar essa obra primeiramente aos meus leitores, que acompanharam a produção desde o primeiro capítulo, rindo, chorando e sentindo cada página desta história tão linda.
Aos que me ajudaram a tornar esta obra mais do que real.
Ao meu amor, que esteve sempre comigo durante esta produção.
Ao San. Sempre e para sempre.
Alerta de Gatilho
Este livro contém gatilhos emocionais. Caso seja sensível aos assuntos como violência, racismo, preconceito, suicídio, abuso físico ou abuso psicológico, este livro não é recomendado para sua leitura.
(Livro baseado em história real)
E mais um dia chuvoso se encerrava. Os trovões soavam claros e forte, San acionava o alarme da pizzaria em que trabalha, hoje é gerente da
pizzaria, mas jamais esquecerá de como ralou para chegar até ali. Iniciou como atendente há quatro anos atrás, pegando pedidos pelo telefone e no balcão, se esforçou muito e mostrou que podia ser mais e assim foi conquistando seu espaço.
O cansaço de San era tremendo, pois além da pizzaria, trabalhava em uma empresa de marketing durante o dia, no cargo de gerente.
San olhou na direção de seu carro e com a chave nas mãos correu sentindo a chuva gelada cair sobre seu corpo. Ele destravou o alarme enquanto corria e rapidamente entrou, colocou o cinto de segurança, ligou o veículo e saiu dirigindo para casa.
Se tinha algo que San odiava, era dirigir com chuva, mesmo com trajeto curto, pois morava próximo a pizzaria. Ele liga o som do carro e começa a cantar a música que toca, enquanto para no semáforo e batucava no volante. A música era uma das suas favoritas e ele cantava empolgado.
“— E se me perguntar, como sei tudo isso, é que eu também passei, por esses maus bocados. Sofri, chorei largado...”
O semáforo abre e ele segue virando à direita na rua, um pensamento em sua mente ao passar em frente à casa de seu colega José. Ele ainda sentia vontade de fumar maconha, mas estava firme nas reuniões, já há um ano e meio “limpo”. Não podia por tudo por água abaixo. Quando passa direto, apenas buzinando para José que estava na garagem da casa com outros rapazes.
Ao chegar acionou o botão do portão da garagem e entrou com o carro. Após entrar acionou o botão novamente e desceu do carro agradecendo mentalmente pela garagem coberta e não ter que se molhar mais naquela chuva.
Assim que entrou em casa, Kaleu, seu cão e melhor amigo pula de felicidade o recebendo na porta.
— Kaleu, vai devagar amigão. Também senti saudade uai. — San entra, fechando a porta ele afaga o cãozinho.
Após dar um pouco de atenção a Kaleu, ele deixa a chave sobre a mesa da cozinha e tira a blusa de frio seguindo para o banheiro. San joga a blusa no chão, retira os sapatos, pega seu celular no bolso da calça e o deixa em cima da pia. Assim pode tirar toda a sua roupa ele ligar o chuveiro, ele toma um banho bem quente. Só assim para esquentar o corpo e aliviar a tensão do dia cheio que passou.
San enrola a toalha na cintura sem se enxugar, pega o celular e sai em direção ao quarto pingando pela casa toda. No quarto ele pega uma calça de moletom preta, uma camiseta vermelha e joga em cima da cama. San deixa o celular sobre a cama e aí sim se enxuga, largando a toalha sobre a cama e veste sua roupa.
Depois de se vestir ele caminha até a cozinha, pega o pote de ração do Kaleu, ele coloca duas medidas com o copo medidor e devolve o comedouro ao chão. Kaleu na mesma hora começou a comer, já estava acostumado com a rotina e com a dieta passadas pela veterinária.
San abre a geladeira e pega uma lata de Coca-Cola, entornando o líquido em um copo de vidro, ele sempre dizia que no copo o sabor era diferente. Em seguida, ele apaga a luz da cozinha e volta para o quarto, se sentando na cama e ligando a televisão, procurar algo interessante para assistir enquanto toma seu refrigerante.
Em alguns minutos, ele vê que está passando Superman, na primeira versão, então finalmente para no canal para assistir pela centésima vez. Kaleu subiu na cama e virou algumas vezes em círculo até finalmente deitar ao lado de San que sorriu vendo isso. Ele puxou a coberta até a cintura, ficando mais confortável.
Quando finalizou seu refrigerante, deixou o copo na mesinha ao lado da cama e se deitou, se acomodando de lado, para assistir ao filme. Porém o cansaço foi maior e dez minutos depois, San já dormia profundamente. A tv permaneceu ligada noite a fora. San estava acostumado com essa rotina. Sua forma de levar a vida.
Na manhã seguinte, San acorda com o despertador do celular tocando. Ele procura pelo aparelho na mesinha, mas não o encontra. O som vinha de perto e a cama vibrava. Ele tateou procurando e o achou próximo ao segundo travesseiro. E mais uma vez ele dormiu sem antes colocar o celular para carregar, ele deslizou o dedo na tela e colocando na soneca e voltou a dormir. Cinco minutos se passam e agora com a mão no aparelho ele desliga o despertador que voltava a tocar.
San respira fundo, se espreguiça esticando o corpo todo. Ele olha na cama e Kaleu já não estava mais. San sabia que Kaleu estava na porta esperando para passear.
Então se levantou e colocou uma blusa de frio, já não chovia mais lá fora, porém havia esfriado.
Antes de sair, San foi ao banheiro, tropeçando no tênis que largou pelo chão na noite anterior. Ele xinga baixo e os chuta para o canto. Ele fez xixi, lavou as mãos, o rosto e escovou os dentes. Em seguida ele foi até Kaleu, pegou a guia pendurava ao lado do chaveiro e colocou em Kaleu, mas quando procura as chaves no chaveiro, não as vê.
— Uai, onde é que eu enfiei as chaves dessa vez? — Resmunga enquanto sai a procura das chaves, que as encontra em cima da mesa na cozinha.
Ainda era seis da manhã, o sol já estava para nascer e fazia muito frio. Um vento gelado que mesmo agasalhado fez San se arrepiar. Kaleu, faz xixi em todos os postes e árvores por onde eles passam, e cinco minutos depois do início do passeio ele faz coco. San recolhe com o saquinho que traz no bolso, deixando o saquinho em uma lixeira próxima. Eles seguem o passeio e San, passa em frente à casa de José.
Seu amigo não estava lá, mas seus parceiros sim. Eles fumavam um cigarro de maconha, ao passar por eles deu um “salve”, San sentiu o cheiro e desejou dar um “tapa”. Seu corpo pedia a droga e sua mente o repreendia. Em um impulso San pegou a carteira no bolso, dando dinheiro a Magrão e pediu um cigarro. Magrão pegou o dinheiro enquanto o Japa embolou o cigarro e entregou a San que o guardou no bolso da calça junto com a carteira.
Assim que chegou em casa, San deu ração para Kaleu que estava faminto e se sentou no sofá segurando o cigarro na mão. Ele olhava pensativo se devia ou não fumar.
O cigarro era apertado entre seus dedos, em uma luta interna como se um diabinho e um anjo estivessem em seus ombros, um a cada lado dizendo: “Faça” e “Não faça”.
Seis e quarenta marcava no relógio e tempo para fumar ele tinha. Então ele vai até a cozinha e acende a boca do fogão, em seguida usa o fogo para acender o cigarro, ele desliga o fogo e traga, sentindo o arrepio gostoso depois de um ano e meio sem curtir a brisa que viria não muito depois. O prazer invadiu seu corpo e ele se sentou no sofá curtindo cada trago que dava. Ele sentia a calmaria da brisa o invadir. Era maravilhoso, surreal sentir aquilo depois de tanto tempo.
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Atualizado até capítulo 29
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